Lição 13 - Irmão do Filho Favorito

Texto Àureo: "Em todo o tempo ama o amigo, e na angústia nasce um irmão"
Provérbios 17.17

Texto Bíblico Básico: Gênesis 27.5-13



FAVORITISMO OU IDENTIFICAÇÃO?

Os frutos do favoritismo. A família desajustada não é uma descoberta recente. Quando examinamos o registro bíblico podemos identificá-la desde o início da existência humana. Adão e Eva tiveram dois filhos. Caim e Abel. Caim alimentava uma pequena inveja pela boa postura de seu irmão perante Deus; tal inveja brotou em ressentimento e floresceu em ódio. Apesar da advertência do Senhor: "o pecado ameaça à porta" (Gn 4.7), a raiz do ódio levou, por fim, ao fruto do assassinato.

Isaque, filho do grande Abraão, foi pai de gêmeos com sua mulher, Rebeca. Esaú e Jacó competiram no útero da mãe, lutaram pelo favoritismo dos pais quando crianças, brigaram pela fortuna da família quando jovens, e geraram duas nações que se digladiavam até depois do tempo de Cristo. Herodes, o Grande, um descendente de Esaú, se declarou "rei dos judeus" e, para proteger sua posse ilegítima do trono, tentou matar o menino Jesus, descendente de Jacó. Essa era uma vingança familiar  de proporções épicas!

Jacó gerou doze filhos, incluindo o favorito dele, José. Os irmãos mais velhos daquele rapaz cresceram nutrindo tal ódio por ele, que conspiraram seu assassinato com a intenção verdadeira de levar tarefa a cabo. Apenas a consciência ressentida de um deles o poupou. Em vez de matarem o irmão, eles o desnudaram e o jogaram em um poço seco, até que um conveniente mercador de escravos tirou o problema das mãos deles em troca de um ganho considerável. Para encobrir o crime, irmãos de José mergulharam sua túnica multicolorida no sangue de um bode e convenceram o pai de que ele tinha sido devorado por um animal selvagem.


ESAÚ E JACÓ

Jacó nasceu como resposta da oração de sua mãe (Gn 25.21), nas asas de uma promessa. Será que Isaque e Rebeca compartilharam os termos da bênção com os filhos gêmeos enquanto eles cresciam? Contaram logo de início que de acordo com a vontade de Deus, o "maior serviria  o menor?". Deveriam ter contado, mas evidências indicam que não o fizeram. De acordo com o que aconteceu, o modo como Jacó nasceu ("agarrado" Gn 25.26), e o nome que lhe deram (Jacó "suplantador"), por muito tempo a marca registrada do seu caráter foi o oportunismo, a luta para tirar vantagem a qualquer preço e desonestamente. Além disso, a própria Rebeca, diante da possibilidade de que Esaú alcançasse a preeminência, não apelou para a confiança  na promessa divina, e sim para seu próprio oportunismo inescrupuloso (Gn 25.5-17).

Esaú era um indivíduo rude e despreocupado, que não levava nada muito a sério e que dava um valor  exagerado aos prazeres passageiros. Jacó percebeu que essa era a sua chance. Certo dia, Esaú voltou faminto de uma caçada e encontrou a casa imersa no aroma de uma apetitosa refeição preparada por Jacó. Esaú não teve dúvida em trocar seu direito de primogenitura por um prato de comida e podemos imaginar um sorriso de maliciosa satisfação nos lábios de Jacó pelo negócio bem sucedido! A família patriarcal era a administradora da bênção do Senhor para o mundo, e a experiência de Gênesis 22.1-18, deve ter gravado essa promessa em Isaque. Quando, porém ele sentiu a aproximação da morte - de maneira totalmente equivocada, percebeu que era uma questão de extrema importância assegurar a transmissão da bênção. Quantas tragedias seriam evitadas se vivêssemos plenamente conscientes das promessas e da Palavra de Deus ! Rebeca achava que era sua obrigação providenciar o cumprimento da promessa feita no nascimento dos gêmeos; Isaque esqueceu totalmente a mensagem. Uma terrível fraude foi praticada, e as consequências foram a inimizade entre irmãos (Gn 27.41), e a separação de Rebeca do seu querido Jacó, o qual, de fato ela nunca mais viu.






"Na história de Rebeca, é possível ver a manipulação bem desenvolvida em ação. Quando finalmente teve um bebê - na verdade dois - ela era manipuladora e parcial no amor que tinha pelos filhos. Amava mais a Jacó, provavelmente porque tinha um temperamento parecido com o dela (um bom exemplo de amor condicional). Jacó era "homem simples, habitando em tendas" (Gn 25.27), o oposto de seu irmão Esaú, que era preferido de seu pai por ser "homem perito na caça, homem do campo". Por ter sido o primeiro dos gêmeos ao nascer, Esaú tinha o direito de receber a bênção uma porção dobrada da herança do pai, inclusive de terras, bens e animais. Mas, porque Rebeca amava mais a Jacó, conspirou com ele para tomar o que era de Esaú por direito. O processo de manipulação provavelmente começou de forma bastante inocente, quando ela ouviu "por acaso" Isaque dizendo a Esaú que fosse caçar, preparasse um cozido e então o trouxesse para que Isaque o abençoasse antes de morrer. Então Rebeca começou a esquematizar como Jacó poderia "passar a perna" em Esaú. Ela se ofereceu para preparar um "guisado saboroso (...) como ele [Isaque] gosta" (Gn 27.9). "Tomou Rebeca os vestidos de gala de Esaú, seu filho mais velho, e vestiu a Jacó, seu filho menor" (27.15). E para fechar a manipulação com chave de ouro, pegou peles de cabrito e cobriu as mãos e o pescoço de Jacó para que, até ao ser apalpado, ele se parecesse com seu irmão peludo. Ao cair na armadilha da manipulação, Rebeca apenas serviu para introduzir um tremendo ódio entre irmãos. Esaú ficou tão furioso com Jacó que planejou matá-lo. Rebeca novamente interveio para ajudar seu filho favorito, encorajando-o a fugir de seu irmão para a casa de seu tio Labão, em Harã, a fim de esperar que Esaú se acalmasse. A história de Rebeca, revela que a manipulação (não importa de que tipo), nunca funciona. Não traz paz. Pelo contrário, causa mais inveja e ciúme". Bíblia de Estudo da Mulher - Ed. Atos.

OS IRMÃOS DE JOSÉ

O nascimento de José é narrado em Gênesis 30.22-24. Nasceu na época em que Jacó ainda trabalhava para  Labão, seu sogro. Foi o primeiro filho de Raquel, como prova do fim da esterilidade dela. O nome que sua mãe lhe deu, refere-se no contexto imediato, o desejo dela de ter outro filho, o que aconteceu no nascimento de Benjamim. O nome, entretanto, também, prefigurava o amplo papel que o filho desempenharia no progresso da futura nação. A história dele começa aos dezessete anos de idade, revelando atitudes que contribuíram muito para uma amarga rivalidade entre ele e os dez irmãos mais velhos. Costumava contar para o pai as coisas erradas que eles faziam (Gn 37.2). Em uma ocasião, contou aos familiares dois sonhos que tivera, os quais prediziam que um dia seu pai e seus irmãos se inclinariam diante dele (Gn 37.5-10). Todos ficaram ressentidos com  a atitude de José e profundamente enciumados pelo tratamento preferencial que recebia do pai. Quando Jacó enviou-o para supervisionar o trabalho dos irmãos, sem dúvida eles se lembraram dos incidentes anteriores e conspiraram contra ele. Determinaram matá-lo, mas foram dissuadidos por Rúben, o mais velho, que chegara após a decisão tomada. Ele convenceu os irmãos de José a jogá-lo numa cisterna vazia, pois tencionava resgatá-lo mais tarde.

Os irmãos arrancaram de José o símbolo do favoritismo de seu pai, uma túnica multicolorida (Gn 37.23) e, sem o conhecimento de Rúben, o venderam para uma caravana de comerciantes de escravos. Numa mudança irônica, a vestimenta que representava o favoritismo de Jacó por José foi embebida com o sangue de um cabrito a apresentado ao patriarca como sinal de que seu filho amado fora morto por animais selvagens. A ironia maior é que os próprios irmãos agiram como animais ferozes, ao conspirar para assassinar José, enquanto o garoto permanecia prostrado, despido e sedento na cisterna.

CAIM E ABEL

Filhos de Adão e Eva, Abel tornou-se pastor de ovelhas (Gn 4.2), enquanto Caim, agricultor. Na época das colheitas, o mais velho ofereceu a Deus alguns frutos colhidos; o mais novo, porém apresentou os melhores animais do rebanho, para enfatizar o valor e o custo deles. O sacrifício e Abel foi recebido favoravelmente pelo Senhor, mas o de Caim, não. A despeito de uma advertência sobre a necessidade de que ele dominasse o ímpeto do pecado, Caim conspirou contra seu irmão e o matou. Seu ato pecaminoso não ficou escondido do Senhor, e a morte de Abel trouxe-lhe juízo divino. O Senhor aceitou a oferta de Abel em detrimento da de Caim, porque o mais moço era justo (Mt 23.35), e oferecia o melhor do seu rebanho. Os descendentes de Caim tornaram-se transgressores. As gerações futuras foram desafiadas a se lembrarem de Caim e aprender do seu pecado, dos seus ciúmes e da sua falta de fé.




"Onde estavam Adão e Eva quando Caim, de forma vil, intentava contra seu irmão Abel Talvez o autor de Gênesis, pretendesse anunciar, já no início das Escrituras, que, quando os pais não intervêm no relacionamento de seus filhos, tragédias familiares podem ser deflagradas" Pr. Josué Gonçalves, comentarista da lição.




MOISÉS, ARÃO E MIRIÃ


Miriã era a irmã mais velha de Moisés. Era profetisa e também tornou-se líder do povo de Israel. Embora não seja mencionada pelo nome, ajudou a proteger Moisés do massacre dos meninos, no Egito. Vigiou o bebê, após ele ser colocado no Rio Nilo, dentro de um cesto de junco. É mencionada pela primeira vez pelo nome quando, tocando seu tamborim, e dançando, liderou as mulheres de Israel no louvor do Senhor depois da travessia do Mar Vermelho (Êx 15.20,21). Junto com Arão, questionou Moisés por seu comportamento ao decidir casar-se com uma mulher etíope. Os dois enfatizaram que o Senhor também falava por meio deles e destacaram seu dom profético. Parece que houve certa inveja por parte dela, devido a posição privilegiada de Moisés. O castigo do Senhor sobre a arrogância de Miriã, ao falar asperamente com Moisés, foi o de ficar leprosa por sete dias (Dt 24.9).

Arão nasceu durante a opressão de Israel no Egito, mas evidentemente antes do edito genocida de Êxodo 1.22. Tinha três anos de idade quando Moisés nasceu ao passo que Miriã já era uma jovem cheia de si. Desde cedo. portanto, ele encontrava entre o bebê que exigia total atenção, e uma irmã auto-confiante e incisiva. Durante toda a narrativa de Êxodo, Arão é um auxiliar de Moisés. Ele foi enviado para prover uma voz para as palavras de Moisés, quando reivindicaram a liberdade dos israelitas diante de Faraó. Subordinou-se a Moisés durante todo o período das pragas. e compartilhou com ele as reclamações do povo, participando também dos momentos de oração, e de alguns privilégios no Sinai. Apenas uma vez o nome de Arão recebe a prioridade de irmão mais velho (Nm 3.1); Deus falou diretamente com ele apenas duas vezes. Em duas ocasiões, entretanto, Arão agiu independente de Moisés e em ambas as vezes aconteceram desastres desproporcionais. Primeiro, quando ficou no comando durante a viagem de Moisés ao Monte Sinai (Êx 24.14). Pressionado pelo povo, teve a iniciativa de fazer um bezerro de ouro e promover sua adoração. Com isso, provocou ira de Deus e só foi salvo pela intercessão do seu irmão. Segundo, quando tomou parte numa insensata rebelião familiar contra Moisés. Arão, facilmente manipulado, foi persuadido a ficar indignado e assumir uma firme posição no lugar errado!

Moisés nasceu durante os terríveis anos em que os egípcios decretaram que todos os bebês do sexo masculino fossem mortos ao nascer. Seus pais o esconderam em casa e depois o colocaram no meio da vegetação, na margem do Rio Nilo, dentro de um cesto de junco. A descoberta daquela criança pela filha de Faraó foi providencial e ela salvou a vida do menino. Mais tarde, o Senhor o chamou para ser líder, por meio do qual, falaria com Faraó. Moisés foi exaltado por meio de sua comunhão especial com o Senhor. Quando Arão e Miriã reclamaram contra a posição privilegiada que ele ocupava como mediador de Deus e Israel, ele nada respondeu. Pelo contrário, foi o Senhor quem se empenhou em defender seu servo.

CARTA AOS PAIS

Infelizmente, essa questão não é apenas uma ilustração bíblica, mas um problema bem real e atual na nossa sociedade. Quantos pais tem seus filhos favoritos e por isso entram em desacordo entre eles mesmos, em favor de um ou outro irmão! É a mãe que defende o caçula, alegando que seu desinteresse pelos estudos é normal, impedindo o pai de cobrar uma postura mais responsável do filho; é o pai que defende a filha porque não acha justo que a mãe lhe atribua tantas responsabilidades em tão tenra idade (embora a mesma já  seja moça e até namorando esteja). É a mãe que faz todas as sobremesas prediletas do filho mais velho e esquece dos gostos e preferências dos outros irmãos...é o pai que só paga a faculdade do filho, se este fizer medicina,  direito ou outro curso que o pai considera "ideal". Exemplos não faltam. Tem aqueles casos em que ambos os pais demonstram favoritismo por um dos filhos, porque este tem um temperamento mais dócil e portanto, mais fácil de lidar. Ou então aquela filha que demonstra maior potencial para os estudos ou possui habilidade que os pais admiram, e portanto, é alvo de maiores elogios e apreciação. 

Muito cuidado com o favoritismo por um dos filhos. A Palavra de Deus diz que os filhos são herança do Senhor. Todos eles foram nos dados como presentes de Deus. Todos são especiais de formas e maneiras diferentes. Cada um tem dons, talentos e habilidades que são de grande valor para o Senhor e devem ser para os pais também! Não se deve fazer distinção entre os filhos. Muitas brigas e discórdias poderiam ser evitadas nos relacionamentos familiares se os pais não cometessem o terrível erro de preferir um filho a outro.

Talvez o pai ou a mãe se identifique mais com um determinado filho, mas devemos refletir sobre a importância de amar igualmente a cada um deles, respeitando e incentivando os dons e talentos que Deus designou a cada um. Não deixemos brechas. A Palavra de Deus diz que o Senhor não faz acepção de pessoas, e os pais não devem cometer tal tolice. Satanás está atento a qualquer fissura que possamos deixar em nosso relacionamento familiar. Vigiemos. Estejamos atentos! A família é um projeto de Deus e cada filho, uma bênção especial do Senhor!

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Existe filho favorito?

http://www.istoe.com.br/reportagens/164482_EXISTE+FILHO+FAVORITO+

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