Lição 11 - De Volta Para Casa

Texto Áureo: "Porque assim diz o Senhor: Certamente que, passados setenta anos na Babilônia, vos visitarei e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando-vos a trazer a este lugar" - Jeremias 29.10

Texto Bíblico Básico: Esdras 1.1-8



ESBOÇO DO LIVRO DE ESDRAS


Autor: Esdras
Esfera de Ação: 538 a 458 a.C.
Personagens Principais: Ciro, Zorobabel, Ageu, Zacarias, Dario, Artaxerxes I e Esdras
Jesus no Livro: Nosso Restaurador





Para entender o livro de Esdras, é preciso um entendimento do contexto histórico. Os assírios espalharam os hebreus de Israel (o reino do Norte) quando destruíram sua capital, Samaria, em 721 a.C. Pouco mais de cem anos depois, o império da Assíria caiu à Babilônia, e os territórios dominados pelos assírios passaram ao controle dos babilônios. Logo em seguida, a Babilônia começou atacar Judá (o reino do Sul). Levaram os judeus de Judá cativos em três etapas:

(1) 605 a.C. - Daniel e seus amigos foram entre os jovens levados à terra dos babilônios;
(2) 597 a.C. - Ezequiel foi levado com este grupo;
(3) 586 a.C. - Neste ano, a cidade de Jerusalém foi destruída junto com o Templo dos judeus, muitos judeus foram mortos e outros foram levados cativos para a Babilônia;

Alguns dos pobres foram deixados na terra, e ao profeta Jeremias foi dado a escolha de ir para a Babilônia ou ficar em Jerusalém. Ele optou por ficar com os pobres em Jerusalém. A Babilônia, por sua vez, caiu aos medos-persas, conduzidos por Ciro, em 539 a.C. Eles adotaram uma politica diferente dos seus antecessores, permitindo que os povos dominados voltassem às suas terras. Especificamente, os judeus receberam autorização e apoio dos medo-persas para voltar para Jerusalém. O livro de Esdras começa com este fato importante.

Divisões do livro: 

(1) O retorno dos primeiros repatriados sob o comando de Zorobabel (1.1-6-22). Apresenta o decreto de Ciro, que determinava a repatriação de todos os judeus exilados (1.1-11). Fornece a lista dos que voltaram sob o comando de Zorobabel, cerca de 50.000 judeus (2.1-70). Descreve a reconstrução do Templo, as oposições enfrentadas por Zorobabel e a confirmação de Dario para reconstrução (3.1-6.12). Narra a conclusão e dedicação do Templo. 

(2) O retorno da segunda leva de repatriados, sob o comando de Esdras (7.1-10.44). Relata como Esdras recebeu permissão de Artaxerxes para retornar a Jerusalém com um grupo de exilados  - seis ou sete mil judeus (7.1-28). Fala da viagem de Esdras (8.1-36), das reformas efetuadas por ele em Jerusalém, bem como da restauração moral e espiritual do povo. Entre o retorno de Zorobabel e Esdras, há um espaço de aproximadamente 80 anos.




Esdras ocupou uma posição de liderança no exílio, provavelmente devido à sua linhagem sacerdotal. Sua função é desconhecida, mas participava dos negócios do governo, tal posição que Artaxerxes, o imperador Persa, deu-lhe sua recomendação pessoal (Ed 7.11,12). Esdras liderou uma caravana de exilados da Babilônia para Israel, após o decreto de Artaxerxes (Ed 7.1-12). Recebeu autorização do imperador para arrecadar donativos dos judeus que viviam na capital do império, para o culto no templo de Jerusalém. Esta jornada aconteceu "no sétimo ano do rei Artaxerxes" (v.7). Infelizmente, o texto bíblico não deixa claro se esse retorno foi no sétimo ano de Artaxerxes I ou Artaxerxes II. Qualquer que seja o caso, Esdras voltou a Jerusalém pelo menos uma geração depois que Zorobabel estabelecera os primeiros judeus que voltaram e liderara a reconstrução do Templo em 515 a.C.


O registro bíblico honra Esdras como um modelo de líder em tempos de reforma. Sua mensagem não é questionada por nenhum dos escritores bíblicos. Pelo contrário, os livros de Esdras e Neemias destacam várias defesas para as suas atitudes. Ele tinha o apoio do imperador Persa, das pessoas justas de Jerusalém e do Senhor.


A PROFECIA DE JEREMIAS

Jeremias nasceu em Anatote (Jr 1.1), numa pequena vila do norte de Jerusalém. Jeremias nunca se casou e dedicou toda a sua vida adulta ao ministério profético. Seu trabalho estendeu-se por quatro décadas e  passou por muitas situações diferentes.


Jeremias proferiu mensagens diferentes, para diversas épocas, mas seu padrão básico permaneceu com a mesma consistência, pois se baseava fortemente na teologia da aliança de Deuteronômio. Sem dúvida, o profeta tinha familiaridade com as leis de Moisés, as quais tiveram um importante papel nas reformas do rei Josias. (II Rs 22.8). Ele formulou a ênfase e a estrutura de sua teologia de acordo com as suas normas. 


Jeremias proclamou esperança para Israel, no futuro. Garantiu ao povo que o Senhor algum dia estabeleceria uma nova dispensação (Jr 30.1 a 33.26). O Todo- Poderoso levaria ambos, Israel e Judá, de volta à terra da promessa (Jr 30.3,4). O profeta comprou um terreno em sua terra natal para demonstrar a certeza que tinha no futuro (Jr 32.1-44). Anunciou uma renovação da aliança  (Jr 31.31-34), e a restauração do trono de Davi (Jr 33.15).  Da perspectiva de Jeremias, o retorno final era tão certo, como as leis fixas que governam o dia e noite (Jr 33.25,26).



Jeremias representou uma liderança espiritual influente e ajudou seus conterrâneos a sobreviver às catástrofes dentre as quais a diáspora (dispersão) que ocorreu logo após a tomada de Jerusalém por Nabucodonosor. Jeremias aconselhou os judeus a se acalmarem e não esperarem o retorno imediato à sua terra. Em uma carta que o profeta escreveu aos cativos (Jr 29), ele tentou levá-los a uma espécie de reconciliação com o cativeiro para tornar sua situação mais tolerável. Seguir a ordem natural da vida foi outra instrução do profeta: "Casem-se e tenham filhos e filhas, multipliquem-se e não deixe-se diminuir". Mesmo privados de liberdade, os israelitas deveriam garantir que  semente de Abraão não se extinguiria. Os exilados foram instruídos a procurar e orar pela paz e pelo bem estar da Babilônia (Jr 29.7). Ao proceder desta maneira, eles mesmos viveriam em paz como beneficiários da soberania de Deus sobre as nações. 

O RETORNO DE ZOROBABEL

Já faziam setenta anos que o povo judeu tina sido levado para a Babilônia como castigo por desobedecerem a Deus. Até parecia que Deus se esquecera deles. Mas não. Deus nunca se esquece dos seus filhos. Nessa época, a Babilônia foi tomada pela Pérsia, na pessoa de seu rei, Ciro. Depois dele vieram os reis Dario e Artaxerxes I. No momento certo, Deus colocou no coração de Ciro, rei da Pérsia, a vontade de mandar os judeus de vota para a sua pátria. O rei assinou um decreto determinando que todos deveriam ajudar os israelitas a fazer sua viagem de volta. Todos deveriam dar ouro e prata aos judeus. O próprio Ciro devolveu a eles os tesouros do Templo que tinham sido levados à Babilônia.

Zorobabel foi o primeiro governador de Judá após o exílio babilônico, nomeado por Dario I, da Pérsia. Liderou a reconstrução do Templo de Jerusalém. Foi um trabalho feito sob a direção do Senhor destinada  a dar uma prova concreta de sua fidelidade contínua à aliança. As referências a Zorobabel nas duas genealogias de Jesus, tanto em Mateus (1.12,13), como em Lucas (3.27), representam algo significativo no cumprimento da tipologia de Ageu 2.23, na qual Zorobabel serve como um protótipo de Jesus, o "anel de selar" escolhido do Senhor.



O DECRETO DE CIRO - A PROFECIA DIZIA O NOME

Uma das profecias mais impressionantes sobre a queda de Babilônia está relacionada ao homem que a conquistou, o Rei Ciro, da Pérsia. Quase dois séculos antes de Ciro assumir o trono, Jeová Deus o mencionou por nome e predisse que ele seria o conquistador de Babilônia. Falando sobre a futura conquista de Ciro, Isaías foi inspirado a escrever: “Assim disse Jeová ao seu ungido, a Ciro, cuja direita tomei para sujeitar diante dele nações, . . . para abrir diante dele as portas duplas, de modo que nem mesmo os portões se fecharão.” Deus também predisse que o rio Eufrates ‘teria de secar-se’. — Isaías 45:1-3; Jeremias 50:38Os historiadores gregos Heródoto e Xenofonte confirmam o cumprimento dessa profecia surpreendente. Eles revelam que Ciro desviou o rio Eufrates, baixando o nível da água.  Os exércitos de Ciro obtiveram assim acesso à cidade através de seus portões, que haviam sido deixados abertos. Conforme predito, a poderosa Babilônia caiu “repentinamente”, em uma noite  (Jr 51.8).
Duzentos anos antes de Ciro nascer, Isaías profetizara a seu respeito chamando - o pelo nome. A decisão de Ciro em ajudar os israelitas a retornar à sua pátria foi algo determinado por Deus e profetizado muitos anos antes que ele existisse (Is 44.28; 45.1-4). 
Em 539 a. C., Ciro, aproveitou-se da decadência moral e militar da grande cidade e atacou-a, tornando impossível qualquer resistência. Os exércitos persas entraram na cidade sitiada sob os aplausos do povo, fato incomum na Antiguidade. A corrupção e as imoralidades vividas na corte de Nabonide, seu último rei, provocaram o descontentamento do povo, o que facilitou ainda mais a conquista persa. Era o fim do Império Babilônico.
A IMPORTÂNCIA DOS EGRESSOS


O propósito principal deste primeiro grupo foi a construção do templo. Os planos foram frustrados, e o trabalho demorou muito mais do que esperavam. Esdras trata destas dificuldades da perspectiva política, falando sobre a interferência dos inimigos dos judeus, enquanto Ageu e Zacarias abordam o mesmo problema do lado espiritual, incentivando os próprios judeus a serem mais fieis ao Senhor para completar esta obra. A construção básica do templo foi terminada por volta de 518, uns 20 anos depois da volta de Zorobabel.
Capítulos 7 a 10 falam do trabalho de Esdras, sacerdote e escriba altamente capacitado para ensinar a Lei de Deus ao povo. Em 458 a.C., Esdras e um grupo de mais de 1.700 pessoas voltaram a Jerusalém. Seus propósitos foram principalmente dois: (1) Levar materiais preciosos para uso no acabamento do templo, e (2) Ensinar o povo para que fosse fiel ao Senhor.

Há muitas lições valiosas deste livro, entre elas:

1) Deus é fiel. Ele prometeu consequências graves como guerra e cativeiro se o povo fosse rebelde (Deuteronômio 28:25,32,36,40,49,64-66). Por outro lado, ele prometeu trazer de volta à sua terra o povo arrependido (Deuteronômio 30:1-5). Esdras mostra a fidelidade de Deus em cumprir sua palavra.

2) A obediência, mesmo quando for difícil, é fundamental à comunhão entre o homem e Deus. O ensinamento e a aplicação da Lei na vida dos israelitas foram de suma importância no trabalho de Esdras. A obediência exigia sacrifícios difíceis, até a separação de casamentos condenados por Deus, pois Esdras viu a palavra de Deus como autoridade absoluta na vida do seu povo. Esdras traz uma mensagem da misericórdia de Deus para com aqueles que voltam para ele!


O TEMPLO

Pouco se sabe dos pormenores do projeto arquitetônico deste segundo templo. O decreto de Ciro autorizava a construção de certa estrutura, “sendo sua altura de sessenta côvados, sua largura sessenta côvados, com três camadas de pedras roladas ao lugar e uma camada de madeiramento”. Não se declara o comprimento. (Esd 6:3, 4) Tinha refeitórios e salas de armazenagem (Ne 13:4, 5) e, sem dúvida, tinha câmaras no teto, e, possivelmente, havia outros prédios relacionados com ele, seguindo as mesmas linhas que o templo de Salomão. Este segundo templo não continha a arca do pacto, que parece ter desaparecido antes de Nabucodonosor ter capturado e saqueado o templo de Salomão.

AGEU E ZACARIAS

Praticamente nada se sabe sobre o profeta Ageu, exceto sua colocação cronológica e a natureza de sua mensagem, ou seja, encorajar a reconstrução do Templo de Jerusalém, depois do exílio babilônico. A primeira parte de suas profecias é de condenação sobre os que retornaram da Babilônia e buscavam seus próprios interesses, antes de se começar a preocupar com o Templo (Ag 1.4). Esdras adiciona algumas informações adicionais, as quais demonstram, que, com efeito, Ageu e Zacarias não somente estabeleceram o impulso necessário para a reconstrução do Templo, como  também permaneceram envolvidos no projeto até a sua finalização, quatro anos mais tarde. A linhagem sacerdotal de Zacarias provavelmente lhe proporcionou um elemento adicional em seu interesse no Templo e no restabelecimento dos cultos de adoração.

A OPOSIÇÃO TATENAI

Tatenai era um governador além do rio Eufrates, na época do rei Dario, da Pérsia. O retorno dos judeus para Jerusalém depois do exílio ocorreu sob a supervisão desse oficial (Ed 5.3). Mencionado junto com Setar - Bozenai e outros companheiros. Quando souberam o que acontecia em Jerusalém, questionaram os israelitas, cuja resposta está registrada em Esdras 5.11-17. Auxiliado por Setai - Bozenai, Tatenai escreveu ao rei Dario,  a fim de perguntar se Zorobabel e seus companheiros realmente tinham permissão para reconstruir o Templo. Dario encontrou o decreto original assinado por Ciro e ordenou que os oficiais não interferissem na "obra desta casa de Deus" (Ed 6.6,7). de fato, fez mais que isso, ordenou que Tatenai e Setar - Bozenai financiassem a obra com dinheiro do tesouro real. Deveriam comprar também os animais para o sacrifício (vv. 8-12). Os dois oficiais e seus subordinados empenharam-se em ajudar na obra da reconstrução, e obedeceram à ordem de Dario "com toda diligência" (v.13). Enquanto o trabalho prosseguia, o livro de Esdras enfatiza como o Senhor ajudou em cada estágio da reconstrução e como o povo agradecia continuamente pela maneira como a providência de Deus era vista até mesmo nas questões que estavam sob a autoridade dos governantes persas.



 FONTES DE PESQUISA:

Livro: Quem é quem na Bíblia Sagrada  - Ed. Vida

Internet: http://www.estudosdabiblia.net

Revistas: Galera de Cristo - n.10 "Princípios para uma Vida Cristã Vitoriosa" - Ed. Central Gospel; 
Adolescente Vencedores - n.08  -"Estudo Panorâmico dos Livros Históricos" - Ed. CPAD

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