Lição 07 - Obras da Justiça


Texto Áureo: "Ou o que exorta, use este dom para exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado, o que exercita misericórdia, com alegria". (Romanos 12.8)

Texto Bíblico Básico: Mateus 25.31, 34-40; Atos 2.42,44; Atos 4.34,35








LIBERALIDADE NO ANTIGO TESTAMENTO

Neste mundo, onde há tanto ricos quanto pobres, frequentemente os que tem abastança material tiram proveito dos que nada tem, explorando-os para que seus lucros aumentem continuamente (Sl 10.2,9,10). A Bíblia tem muito a dizer a respeito de como os crentes devem tratar os pobres e necessitados. Deus tem expressado de várias maneiras seu grande zelo pelos pobres, necessitados e oprimidos. O Senhor Deus é o seu defensor. Ele mesmo revela ser deles o refúgio (Sl 14.6; Is 25.4), o socorro (Sl 40.17), o libertador (I Sm 2.8; Sl 12.5; 34.6); e provedor (Sl 10.14; 68.10; 132.15). Ao revelar sua Lei aos israelitas, mostrou-lhes também várias maneiras de se eliminar a pobreza no meio do povo (Dt 15.7-11). Declarou-lhes em seguida, seu alvo global: "Somente para que entre ti não haja pobre, pois o Senhor abundantemente te abençoará na terra que o Senhor teu Deus te dará, por herança para a possuíres" (Dt 15.4). Por isso Deus, na sua Lei, proíbe a cobrança de juros nos empréstimos aos pobres (êx 22.25; Lv 25.35,36). Se o pobre entregasse algo como penhor, ou garantia pelo empréstimo, o credor era obrigado a devolver-lhe o penhor antes do por do sol. Se o pobre era contratado a prestar serviços ao rico, este era obrigado a pagar-lhe diariamente para que ele pudesse comprar alimentos a si mesmo e à sua família (Dt 24.14,15). Durante a estação das colheitas, os grãos que caíssem deviam ser deixados no chão para que o pobres recolhessem (Lv 19.10; Dt 24.19-21); e mais: os cantos das searas de trigo, especificamente, deviam ser deixados aos pobres (Lv 19.9). Notável era o mandamento divino de se cancelar, a cada sete anos, todas as dívidas dos pobres (Dt 15.1-6). Além disso, o homem de posses não podia recusar-se a emprestar algo ao necessitado, simplesmente por estar próximo ao sétimo ano (Dt 15.7-11). Deus, além de prover o ano para o cancelamento da dívida, proveu ainda o ano para a devolução de propriedades - o Ano do jubileu, que ocorria a cada cinquenta anos. Todas as terras que tivessem mudado de dono desde o ano do Jubileu deviam de ser devolvidas às famílias originárias (Lv 25.8-55). E, mais importante de tudo: a justiça deveria de ser imparcial. Nem os ricos nem os pobres deveriam receber qualquer tipo de favoritismo (ÊX 23.2,3,6; Dt 1.17). Desta maneira, Deus impedia que os pobres fossem explorados, e garantia um tratamento justo ao necessitado. Infelizmente, os israelitas nem sempre observavam os mandamentos. Muitos ricos tiravam vantagem dos pobres, aumentando-lhes a desgraça. Em consequência dessas ações, o Senhor proferiu, através dos profetas, palavras severas de juízo contra os ricos (Is 1.21-25; Jr 17.11; Am 4.1-3; 5.11-13; Mq 2.1-5; Hc 2.6-8; Zc 7.8-14).

Deus nos chama a sermos justos, mas em vez de exercitarmos a justiça, pensamos que SER JUSTO é participar com frequência de um ritual religioso. Em Mateus 6:1 lemos “Tenham o cuidado de não praticar suas obras de justiça diante dos outros para serem vistos por eles.” Jesus Cristo fala em “obras de justiça” que na verdade, são obras de amor. E, tais obras de justiça devem ser praticadas de maneira natural, sem qualquer necessidade de reconhecimento público e louvor por parte dos outros. Em Lucas 10:27 está escrito:”Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma…e de todo o seu entendimento e ame o seu próximo como a si mesmo”. Amar é sinônimo de ser justo. É um exercício diário e prazeroso. “As bênçãos coroam a cabeça dos justos…” (Provérbios 10:6). 
A LIBERALIDADE NO NOVO TESTAMENTO

No Novo Testamento, Deus também ordena a seu povo que evidencie profunda solicitude pelos pobres e necessitados, especialmente pelos domésticos na fé. Boa parte do ministério de Jesus foi dedicado aos pobres e desprivilegiados na sociedade judaica. Dos oprimidos, necessitados, samaritanos, leprosos e viúvas ninguém se importava a não ser Jesus (Lc 17.11-19; Jo 4.1-42; Mt 8.2-4). Ele condenava duramente os que se apegavam às possessões terrenas, e desconsideravam os pobres (Mc 10.17-25; Lc 6.24,25; 12.16-20).

Jesus espera que seu povo contribua generosamente com os necessitados (Mt 6.1-4). Ele próprio praticava o que ensinava, pois levava uma bolsa da qual tirava dinheiro para dar aos pobres (Jo  12.5,6; 13.29). Em mais de uma ocasião, ensinou aos que o queriam seguir se importarem com os marginalizados econômica e socialmente (Mt 19.21; Lc 12.33; 14.12-14, 16-24; 18.22). As contribuições não eram consideradas opcionais. Uma das exigências de Cristo para entrar no seu reino é mostrar-se generoso com os irmãos e as irmãs que passam fome e sede, e acham-se nus (Mt 25.31-46).

O apóstolo Paulo e a Igreja Primitiva mostraram igualmente profunda solicitude pelos necessitados. Bem cedo, Paulo e Barnabé, representando a igreja em Antioquia da Síria, levaram a Jerusalém uma oferta aos irmãos carentes de Judéia (At 11.28-30). Quando o Concílio reuniu-se nem Jerusalém, os anciãos recusaram -se a declarar a circuncisão como necessária à salvação, mas sugeriram a Paulo e aos seus companheiros "que nos lembrássemos dos pobres,o que também procurei fazer com diligência" (Gl 2.10). Um dos alvos de sua terceira viagem missionária foi  coletar dinheiro "para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém (Rm 15.26). Ensinava as igrejas na Galácia e em Corinto a contribuir com esta causa (I Co 16.1-4). Como a igreja em Corinto não contribuísse conforme  se esperava, o apóstolo exortou demoradamente os seus membros a respeito da ajuda aos pobres e necessitados (II Co 8.9). Elogiou as igrejas da Macedônia por lhe terem rogado urgentemente que lhes deixasse participar da coleta (II Co 8.1-4; 9.2). Paulo tinha em grande estima o ato de contribuir. Na epístola aos Romanos, ele arrola, como dom do Espírito Santo, a capacidade de se contribuir com generosidade às necessidades da obra de Deus e do seu povo (I Tm 6.17-19).


A PRIORIDADE MÁXIMA DA IGREJA - A GENEROSIDADE COM OS IRMÃOS

Nossa prioridade máxima no cuidado aos pobres e necessitados são os irmãos em Cristo. Jesus equiparou as dádivas repassadas aos irmãos na fé como se fossem a Ele próprio (Mt 20.40,45). A igreja primitiva estabeleceu uma comunidade que se importava com o próximo; que repartia suas posses a fim de suprir as necessidades uns dos outros (At 2.44,45; 4.34-37). Quando o crescimento da igreja tornou impossível aos apóstolos cuidar dos necessitados de modo justo e unânime, procedeu-se a escolha de sete homens, cheios do Espírito Santo, para executar a tarefa (At 6.1-6). Paulo declara explicitamente qual deve ser o princípio da comunidade cristã: "Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos na fé" (Gl 6.10). Deus quer que os que tem em abundância compartilhem com os que nada tem para que haja igualdade entre o seu povo (II Co 8.14,15). Resumindo, a Bíblia não nos oferece outra alternativa a não ser tomarmos consciência das necessidades materiais dos que se acham ao nosso redor, especialmente de nossos irmãos em Cristo.
Em Atos 20.33,34, Paulo, ao despedir-se dos anciãos da igreja de Éfeso, menciona a grande verdade ensinada por Jesus: "Há maior felicidade em dar do que receber". A principal ênfase de Cristo em todos os seus ensinos a respeito das ofertas, era a importância de dar, em vez de receber. A vida de Paulo foi um exemplo de como ofertar. Ele não estava em receber ou adquirir riquezas deste mundo. Ele afirmou: "não cobicei nem a prata nem o ouro, nem as roupas de ninguém (v.33). Paulo se entregava sem reserva à Deus e às pessoas. Ele se dedicava incansavelmente ao ministério sem esperar recompensa.  Ele conclamou os anciãos efésios a seguirem o seu exemplo. Paulo não apenas pregou um sermão. Ele o colocou em prática. Demonstrou que "Há maior felicidade em dar do que receber". A bênção não está naquilo que conseguimos obter, mas no que entregamos. Deus deseja que façamos isso de maneira liberal, espontânea e de todo o coração, assim como ele nos tem  concedido. O Senhor deseja que tenhamos a mesma atitude ilimitada e liberal que ele também tem para conosco. Deus deseja que repartamos de maneira liberal com os que estão ao nosso redor aquilo que recebemos gratuitamente dele. O Senhor não apenas quer que contribuamos com as bênçãos terrenas que Ele nos deu, mas também que compartilhemos as riquezas espirituais que ele tem derramado sobre a nossa vida. Jesus disse aos discípulos: "Curem os enfermos, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios. Vocês receberam de graça, dêem também de graça" (Mt 10.8).
FONTES DE PESQUISA 

Bíblia de Estudo Pentecostal - Ed. CPAD

Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira - Ed. Central Gospel


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