Lição 06 - A Expiação Vicária



"Mas Deus prova seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" - Romanos 5.8

Texto Bíblico Básico: Levítico 5.17,18; I João 4.10; Romanos 3.23-25; 
I Pedro 1.118,19





A NECESSIDADE DA EXPIAÇÃO

A palavra "expiação", significa "cobrir, e comunica a ideia de cobrir o pecado mediante um "resgate", de modo que haja uma reparação ou restituição adequada pelo delito cometido (Êx 30.12; Nm 35.31; Sl 49.7);

A necessidade de expiação surgiu do fato de que os pecados de Israel, caso não fossem expiados, sujeitariam os israelitas à ira de Deus. Por conseguinte, o propósito do Dia da Expiação era prover um sacrifício de amplitude ilimitada por todos os pecados que porventura não tivessem sido expiados pelos sacrifícios oferecidos no decurso do ano que findava. Dessa maneira, o povo seria purificado dos seus pecados do ano precedente, afastaria a ira de Deus contra ele e manteria sua comunhão com Deus (Hb 9.7).

Porque Deus desejava salvar os israelitas, perdoar os seus pecados, e reconciliá-los consigo mesmo, Ele proveu um meio de salvação ao aceitar a morte de um animal inocente em lugar deles (o animal que era sacrificado); esse animal levava sobre si a culpa e a penalidade deles, e cobria seus pecados com seu sangue derramado (Lv 17.11 - compare com Is 53.4,6,11).

A CERIMÔNIA DO DIA DA EXPIAÇÃO

Levíticos 16 descreve o Dia da Expiação, o dia santo mais importante do calendário judaico. Nesse dia, o sumo sacerdote, vestia as vestes sagradas e de início preparava-se com mediante um banho cerimonial com água. Em seguida, antes do ato da expiação pelos pecados do povo, ele tinha de oferecer um novilho pelos seus próprios pecados. A seguir, tomava dois bodes, e, sobre eles, lançava sortes: um tornava-se o bode do sacrifício, o outro tornava -se o bode expiatório (Lv 16.8). Sacrificava o primeiro bode, leva o seu sangue, entrava no Lugar Santíssimo, para além do véu, e aspergia aquele sangue sobre o propiciatório, o qual cobria a arca contendo a lei divina que fora violada pelos israelitas, mas que agora estava coberta pelo sangue, e assim se fazia a expiação pelos pecados da nação inteira (Lv 16.15,16). Como etapa final, o sacerdote tomava o bode vivo, impunha as mãos sobre a sua cabeça, confessava sobre ele todos os pecados dos israelitas e o enviava ao deserto, simbolizando isto que os pecados deles eram levados para fora do arraial para serem aniquilados no deserto (Lv 16.21,22).


Um dia por ano, o Sumo Sacerdote deixava o véu à parte e entrava no Santo dos Santos para fazer expiação (Heb. Kafar) para encobrir os pecados da nação do juízo de Deus, e para receber o perdão. Era no 10º dia do 7º mês - Tishri. Pelo nosso calendário, estaria entre o fim de setembro ou o início de outubro. Era um dia de jejum no qual nenhum trabalho poderia ser feito.

O Dia da Expiação era uma assembléia solene; um dia em que o povo se humilhava e jejuava diante do Senhor (Lv 16.31). Esta contrição de Israel salientava a gravidade do pecado e o fato de que a obra divina da expiação era eficaz somente para aqueles de coração arrependido e com fé perseverante (Nm 15.30; 29.7).

O Dia da Expiação levava a efeito a expiação por todos os pecados e transgressões não expiados durante o ano anterior (Lv 16.16,21). Precisava ser repetido cada ano da mesma maneira.


O propósito do Dia da Expiação era desviar a ira de Deus pelos seus pecados do último ano, e buscar o favor diante d'Ele. Era o dia no qual o significado do sistema expiatório alcançou seu ponto mais alto. Apesar de diariamente, semanalmente, haver sacrifícios que eram oferecidos, ainda haviam pecados que não foram reconciliados completamente, e neste dia especial todas as pessoas buscavam Deus para serem perdoadas.

CRISTO E O DIA DA EXPIAÇÃO




O Dia da Expiação está repleto de simbolismo que prenuncia a obra de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. No Novo Testamento, o autor de Hebreus realça o cumprimento do Novo concerto, da tipologia do Dia da Expiação (Hb 9.6 - 10.18).

O fato de que os sacrifícios do Antigo Testamento tinham que ser repetidos anualmente, indicam que eles eram provisórios. Apontavam para um tempo futuro quando então, Cristo viria para remover de modo permanente todo o pecado confessado (Hb 9.28; 10.10-18).

Os dois bodes representam a expiação, o perdão, e a reconciliação consumados por Cristo. O bode que era sacrificado representa a morte vicária e sacrificial de Cristo pelos pecadores, como remissão pelos seus pecados (Rm 3.24-26; Hb 9.11,12,24-26). O bode expiatório, conduzido para longe, levando os pecados da nação, tipifica o sacrifício de Cristo que remove o pecado e a culpa de todos quantos se arrependerem (Sl 103.12; Is 53.6,11,12).

Os sacrifícios no Dia da Expiação proviam uma “cobertura” pelo pecado, e não a remoção do pecado. O sangue de Cristo derramado na cruz, no entanto, é a expiação plena e definitiva que Deus oferece à raça humana; expiação esta que remove o pecado de modo permanente (cf. Hb 10.4, 10, 11). Cristo como sacrifício perfeito (Hb 9.26; 10.5-10) pagou a inteira penalidade dos nossos pecados (Rm 3.25,26; 6.23; Gl 3.13; 2Co 5.21) e levou a efeito o sacrifício expiador que afasta a ira de Deus, que nos reconcilia com Ele e que restaura nossa comunhão com Ele (Rm 5.6-11; 2Co 5.18,19; 1Pe 1.18,19; 1Jo 2.2).

O Lugar Santíssimo onde o sumo sacerdote entrava com sangue, para fazer expiação, representa o trono de Deus no céu. Cristo entrou nesse “Lugar Santíssimo” após sua morte e, com seu próprio sangue, fez expiação para o crente perante o trono de Deus (Êx 30.10; Hb 9.7,8,11,12,24-28). 

Visto que os sacrifícios de animais tipificavam o sacrifício perfeito de Cristo pelo pecado e que se cumpriram no sacrifício de Cristo, não há mais necessidade de sacrifícios de animais depois da morte de Cristo na cruz (Hb 9.12-18).

No cerimonial típico, assim como o cordeiro representa Cristo, a justiça e os seus resgatados, o bode representa Satanás, o pecado e os impenitentes (Mateus 25:31-46). Jesus, o imaculado filho de Deus que nunca conheceu pecado, foi feito pecado e contado com os transgressores (Isaías 53:12).
A MORTE VICÁRIA E EXPIATÓRIA DE JESUS

A palavra "vicário" significa alguém que faz as vezes de outro ou substitui outro. Para salvar a alma do homem da eterna perdição, Jesus Cristo colocou-se no lugar do pecador, sendo condenado como pecador, tendo uma morte muito cruel, morte esta que era só aplicada aos grandes criminosos do seu tempo. Para salvar a alma humana da condenação do inferno, Jesus deu a sua vida. Para que os substituto fosse aceito diante de Deus, ele tinha que ter as seguintes qualidades:

(1) O Substituto deveria ser aceitável a Deus - Efésios 5.2
(2) O Substituto deveria ser igual ao pecador - Isto é, tinha de ser um homem, e não um anjo, pois este não pode morrer. Também não poderia ser um animal, pois o sangue dos animais não poderia tirar os pecados (Hb 10.4).Jesus se fez homem para morrer por nós.
(3) O Substituto tinha que ser inocente ou santo- Deveria ser completamente sem pecado. Jesus preencheu este requisito (Hb 7.26).
(4) O Substituto tinha que dar a sua vida voluntariamente - Não seria justo que Deus compelisse uma pessoa inocente a morrer pelos culpados. Jesus voluntariamente deu-e a si mesmo (Tt 2.14).
(5) O Substituto deveria possuir uma vida infinita. Que adiantaria Ele ter morrido e permanecido morto para sempre? Está escrito que se Cristo não tivesse ressuscitado seria vã a nossa fé (I Co 15.14). Cristo deu a sua vida e depois tornou a tomá-la ressuscitando dentre os mortos (Jo 10.17,18).
(6) O Substituto tinha que ser uma pessoa divina. Ou seja, essa pessoa tinha que ser divina e humana ao mesmo tempo. Tinha de ser 100% Deus e 100% homem.

De acordo com as exigências acima descritas, quem, tanto no céu como na Terra, possuía essas qualidades senão o Senhor que desceu do céu? Quão admirável foi o seu sacrifício na cruz; foi grande a demonstração do Seu amor para com os homens. Deus realmente provou seu amor para conosco (Rm 5.8). O Justo morreu pelos injustos. Jesus tomou sobre si mesmo a culpa dos homens. Sim, Jesus Cristo, o Filho de Deus, foi o único adequado Substituto dos pecadores.

O SACRIFÍCIO VICÁRIO E EXPIATÓRIO DE CRISTO 

(1) Significa a nossa redenção ou resgate. Existe um duplo sentido bíblico para a nossa redenção: (a) A compra ou aquisição de algo que se perdeu (Lc 19.10). O sangue de Jesus, foi o preço exigido e pago (I Pe 1.18,19). (b) Redenção é a libertação de algum tipo de escravidão. A redenção da alma humana foi planejada por Deus antes da fundação do mundo, conforme lemos em Apocalipse 13.8. Ver as almas humanas libertas da escravidão do pecado e do jugo de Satanás, é o desejo de Deus para toda a humanidade (Lc 4.18,19).

(2) Significa a nossa reconciliação com Deus (I Co 5.19). Foi através do Seu sacrifício que Jesus reconciliou o homem com Deus.

(3) Significa a nossa justificação (Rm 3.24). A Bíblia afirma que nenhuma pessoa pode a si mesmo chamar-se justa, só Deus pode justificar os pecadores.

(4) Significa Propiciação (Rm 3.25). Esta palavra faz -nos lembrar do propiciatório, o lugar preparado por Deus para o perdão e a comunhão. É o lugar onde Deus se torna propício ao pecador. Propiciatório era a tampa de ouro usada na arca do concerto  que ficava no Tabernáculo, que no dia nacional da expiação por Israel, ficava coberto de sangue. Depois do ritual, a glória do Senhor aparecia como sinal do perdão divino.

 A EXPIAÇÃO DOS PECADOS

A expiação do pecado, como já exposto, incluía a ideia de cobrir, tanto os pecados como os pecadores (Sl 32.1). Expiar o pecado era ocultá-lo aos olhos de Deus.

No Novo Testamento, entretanto, encontramos uma definição mais clara para a expiação do pecado, que era apagá-lo, removê-lo ou tirá-lo completamente. O precursor de Jesus Cristo, João Batista, proclamava em alto e bom som: "Eis o Cordeiro e Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29). Em Hebreus 9.22 lemos: "...e sem derramamento de sangue não há remissão de pecados". A humanidade tinha uma grande dívida para com Deus, porém, Jesus, com Sua morte vicária e expiatória, pagou esta dívida (Hb 10.20), e "pode perfeitamente salvar os que por Ele se chegam a Deus, vivendo para sempre para interceder por eles" (Hb 7.25).


FONTES DE PESQUISA

Bíblia de Estudo Pentecostal - ED. CPAD - "O Dia da Expiação", estudo - pg. 208

http://www.jesusnet.org.br

Livro: Curso de Discipulado e Aperfeiçoamento Doutrinário - Pr. Wilson Valentim dos Santos, "Morte Vicária e Expiatória de Jesus Cristo", pg 52

Comentários

  1. muito bom o estudo, Deus te abençoe mais e mais e que esses estudos alcancem muitas vidas

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  2. Professos Daniele, achei bom o estudo porém eu estou tendo um pouco de dificuldade para compreender exatamente o significado de expiação vicária, gostaria de encontrar uma explicação mais simples e direta

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  3. Parabéns pelo enriquecedor e claro estudo! Foi de grande ajuda! Deus lhe abençoe ricamente

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