Lição 08 - A Lei e a Graça

"Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê" 
 Romanos 10.4

Texto Bíblico Básico: Gálatas 3.18-27; 5.1,4,5





A LEI

Um dos aspectos mais importantes da experiência dos israelitas no Monte Sinai foi o de receberem a lei de Deus através de seu líder, Moisés. A Lei Mosaica (hb. Torah, que significa "ensino", admite uma tríplice divisão: (a) lei moral, que trata das regras determinadas por Deus para um santo viver (Êx. 20.1-17); (b) lei civil, que trata da vida jurídica e social de Israel como nação (21.1-23.33); e (c) a lei cerimonial, que trata da forma e do ritual da adoração ao Senhor por Israel, inclusive o sistema sacrificial (24.12-31.18). Note os seguintes fatos no tocante à natureza e à função da lei no Antigo Testamento.

(1) A lei foi dada por Deus em virtude do concerto que Ele fez com seu povo. Ele expunha as condições do concerto a que o povo devia obedecer por lealdade ao Senhor Deus, a quem eles pertenciam. Os Israelitas aceitaram formalmente essas obrigações do concerto.

(2) A obediência à Lei devia fundamentar-se na misericórdia redentora de Deus e na sua libertação do povo (Êx 19.4).

(3) A Lei revelava a vontade de Deus quanto à conduta do seu povo (19.4-6; 20.1-17; 21.1-24.8) e prescrevia os sacrifícios de sangue para a expiação pelos seus pecados (Lv 1.5; 16.33). A Lei não foi dada como meio da salvação para os perdidos. Ela foi destinada aos que já tinham um relacionamento de salvação com Deus (Êx 20.2). Antes, pela lei, Deus ensinou ao seu povo como andar em retidão diante dele como seu Redentor, e igualmente diante do seu próximo. Os israelitas deviam obedecer à lei mediante a graça de Deus a fim de preservarem na fé e cultuarem também por fé, ao Senhor (Dt 28.1,2;30.15-20).

(4) Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a total confiança em Deus e na sua Palavra, e o amor sincero a Ele, formaram o fundamento para a guarda dos seus mandamentos. Israel fracassou exatamente neste ponto, pois constantemente aquele povo não fazia da fé em Deus, do amor para com Ele de todo o coração e do propósito de andar nos seus caminhos, o motivo de cumprirem a sua lei. Paulo declara que Israel não alcançou a justiça que a lei previa porque "não foi pela fé" que a buscavam (Rm 9.32).

(5) A lei ressaltava a verdade eterna que a obediência a Deus, partindo de um coração cheio de amor levaria a uma vida feliz e rica de bênçãos, da parte do Senhor.

(6) A Lei expressava a natureza e o caráter de Deus; seu amor, bondade, justiça e repúdio ao mal. Os fiéis israelitas deviam guardar a lei moral de Deus, pois foram criados à sua imagem (Lv 19.2)

(7) A salvação no Antigo Testamento jamais teve por base a perfeição mediante a guarda de todos os mandamentos. Inerente no relacionamento entre Deus e Israel, estava o sistema de sacrifícios, mediante os quais, o transgressor da lei obtinha perdão, quando buscava a misericórdia de Deus, com sinceridade, arrependimento e fé, conforme a provisão divina expiatória mediante o sangue.

(8) A lei e o concerto do Antigo Testamento não eram perfeitos nem permanentes. A lei funcionava como um tutor temporário para o povo de Deus até que Cristo viesse (Gl 3.22-26).

(9) A Lei foi dada por Deus e acrescentada à promessa "por causa das transgressões" (Gl 3.19). Tinha o propósito: (a) de prescrever a conduta de Israel; (b) definir o que era pecado; (c) revelar aos isralitas sua tendência inerente de transgredir a vontade de Deus e de praticar o mal, e (d) despertar neles o sentimento da necessidade da misericórdia, graça e redenção divinas (Rm 3.20; 5.20; 8.2).


A lei foi dada para nos conduzir a Cristo a fim de sermos justificados pela fé. Mas agora que Cristo já veio, finda está a função da lei como supervisora. Por isso, já não se deve mais buscar a salvação através das provisões do antigo concerto nem pela obediência às suas leis e ao seu sistema de sacrifícios. A salvação agora tem lugar de conformidade com as provisões no novo concerto, a saber, a morte expiatória de Cristo, a sua ressurreição gloriosa e o privilégio subsequente de servir a Cristo". Fonte: Bíblia de Estudo Pentecostal - Gálatas 3.19, nota. 


A GRAÇA

A palavra "graça" tem sua origem no grego "charis". É uma palavra que envolve muitos sentidos tais como: graciosidade, atrativos, favor imerecido; cuidados ou ajuda graciosa, boa vontade, dádiva; favor divino demonstrado para com o absolutamente indigno. Graça é a bondosa e imerecida disposição de Deus para com todos os homens, resultante do seu infinito amor. Na verdade, a graça de Deus é um dos seus mais conhecidos atributos, Trata-se do favor ou dádiva pessoal de Deus aos homens. A graça é a resposta divina à toda a miséria e necessidade humana. A graça envolve temas como o perdão, reconciliação, a regeneração, a justificação, a salvação em seu aspecto inicial, progressivo e final, a longanimidade de Deus; a infinita misericórdia de Deus.

Olhando para a condição humana, temos que admitir, que o homem não merece nada de Deus, muito menos a salvação. A salvação da alma não é dada pelo merecimento humano. A Bíblia diz que todas as justiças humanas são como "trapo de imundícia" diante de Deus (Is 64.6). Vendo a impossibilidade do homem salvar-se por seus próprios meios ou santidade (Sl 49.6-8), Jesus Cristo veio ao mundo pagar o preço da redenção da alma humana. A vinda de Jesus Cristo ao mundo, Sua humanização, humildade e morte de cruz foi a grande manifestação da graça de Deus; "Pois já sabeis a graça do nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis" (II Co 8.9).

O dom de Deus não se alcança com dinheiro; Deus condena a pratica de alguém querer comprar seus dons com vil metal (At 8.20-22). A Bíblia diz que a graça é um dom ou uma dádiva de Deus: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras para que ninguém se glorie (Ef 2.8,9).

A graça veio através de Jesus Cristo: "Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo" (Jo 1.17). Antes da vinda de Jesus ao mundo, a humanidade experimentou, de alguma forma, a graça de Deus, mas não na sua plenitude. Jesus, porém, manifestou a graça em toda a sua plenitude: "E todos nós recebemos também da Sua plenitude, e graça por graça (Jo 1.16). Os crentes que aceitaram Jesus como Salvador e Senhor de suas vidas estão debaixo da sua graça.

O tempo da lei de Moisés acabou, e o que agora está em vigor é a graça de Deus. Um dos objetivos da graça, não é nos tornar livres da lei, mas também nos dar vitória sobre o pecado: "Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça". (Rm 6.14). Isso também quer dizer que o peso da condenação e o jugo da lei do Antigo Testamento nada mais tem a ver com os crentes em Cristo, pois vivemos numa atmosfera espiritual bastante diferente daquela do Antigo Testamento. A obra que Cristo consumou com sua morte e ressurreição, é o admirável fundamento do plano de Deus para a salvação do homem. "Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo" (Jo 1.16,17). A graça de Deus não elimina e obediência, antes torna-a imperiosa. A graça requer santificação, renúncia e uma vida piedosa diante de Deus e dos homens: "Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente (Tt 2.11-12).

Assista a este testemunho! Ele é a prova de que a graça de Deus e a salvação alcançam a todo aquele que abrir seu coração e crer!

https://www.facebook.com/PastorMarcoFeliciano/videos/674759065997449/


FONTES DE PESQUISA

Bíblia de Estudo Pentecostal - Ed. CPAD, estudo: "A Lei no Antigo Testamento", pg 146

Apostila: Curso de Discipulado e Aperfeiçoamento Doutrinário  - Pr. Wilson Valentim dos Santos, pgs. 75,76

Comentários

  1. Todos os domingos leio suas explicações, sou professora ebd e acho importante saber que tem pessoas que partilham seus conhecimentos aos outros. Obrigada e que Deus a abençoe.

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