Lição 02 - A Poesia Hebraica

 "Melhor é o teu fruto do que o ouro, sim, do que o ouro refinado; e as minhas novidades, melhores do que a prata escolhida. Faço andar pelo caminho da justiça, no meio das veredas do juízo" - Provérbios 8.19,20

Texto Bíblico Básico: Provérbios 8.1-14







O IDIOMA HEBRAICO


O idioma hebraico foi usado para a escrita da maior parte das Escrituras inspiradas — 39 livros ao todo constituindo cerca de três quartos do conteúdo total da Bíblia. (Pequenos trechos destes livros, porém, foram escritos em aramaico)



A história secular não revela a origem do idioma hebraico. Isto se dá porque esse idioma apareceu já plenamente desenvolvido nos mais antigos registros escritos encontrados pelos homens. O alfabeto hebraico compunha-se de 22 consoantes; Sua leitura é contrário a leitura do português, é lido da direita para a esquerda, (Não existe vogais) Os sons vocálicos eram supridos pelo leitor, que se guiava pelo contexto, similar a quando alguém supre as vogais em abreviaturas tais como “btl.” (batalhão), “Drs.” (doutores) ou “Sr.” (senhor). 



O hebraico é uma língua muito expressiva, prestando-se à descrição vívida de acontecimentos. O hebraico é rico em metáforas. “Beira do mar”, em Gênesis 22:17, no hebraico, é literalmente “lábio do mar”. Outras expressões são “face da terra”, “cabeça” dum monte, “boca da caverna”, e expressões metafóricas similares. — Veja Is 44:14-17; Jr 10:3-8; Hb 2:19.


A POESIA HEBRAICA

O Poeta é um pintor e compositor, cuja arte reflete raciocínio e sensibilidade. Não é para menos que poemas bem escritos inspiram, fazem pensar, rir e chorar. A poesia é como “a arte da composição rítmica, escrita ou falada, capaz de nos emocionar pela beleza, criatividade ou nobreza de sua mensagem”. Para criar os efeitos desejados, os poetas escolhem as palavras da mesma forma que um joalheiro escolhe as melhores pedras. 

O Rei Salomão, de Israel, que compôs provérbios e cânticos, ‘ponderou e fez uma investigação cabal, a fim de achar palavras deleitosas e corretas de verdade’. — Eclesiastes 12:9, 10; 1 Reis 4:32.

A poesia hebraica teve grande popularidade em todo o antigo Oriente. Numerosos exemplos desse gênero literário chegaram até nós de Canaã (cujos músicos e cantores tinham fama internacional) bem como do Egito e da Mesopotâmia. É evidente a contribuição que, nesse sentido, Israel deu ao mundo cultural do seu tempo . Na poesia hebraica não existe a rima, e é exato falar em ritmo do que em métrica na poesia hebraica. Sua característica mais importante é a repetição de idéias, denominada de Paralelismo. Uma ideia é afirmada e, logo em seguida, é novamente expressa com palavras diferentes, sendo que os conceitos das duas linhas se equivalem de forma aproximada. Foi Robert Lowth, professor de poesia em Oxford, Inglaterra, quem primeiro chamou a atenção para o princípio fundamental da poesia hebraica. Em seu tratado, De Sacra Poesi Hebraeorum: Praelectiones Academicae de 1753, Os tipos de Paralelismo foram classificados por Lowth em três categorias: 

(1) Sinomínico: consiste em expressar duas vezes a mesma ideia com palavras diferentes, como em Sl 113:7. "Ele levanta do pó o necessitado E ergue do lixo o pobre". (NVI).
(2) Antitético: é formado pela oposição ou pelo contraste entre duas idéias ou imagens poéticas, como em Sl 37:21: "Os ímpios tomam emprestado e não devolvem, Mas os justos dão com generosidade". (NVI). 
(3) Sintético: aqui as duas linhas do verso não dizem a mesma coisa, mas antes, a declaração da primeira linha serve como base sobre a qual a segunda declaração se fundamenta. A relação é a de causa e efeito, como em Sl 19:7-8. "A lei do Senhor é perfeita, e revigora a alma. Os testemunhos do Senhor são dignos de confiança, E tornam sábios os inexperientes. Os preceitos do Senhor são justos, e dão alegria ao coração. Os mandamentos do Senhor são límpidos, e trazem luz aos olhos". (NVI).

Outra característica da poesia hebraica para a qual devemos chamar a atenção é o emprego do arranjo acróstico ou alfabético. Existem nove salmos acrósticos no saltério. São eles: 9-10, 25, 34, 37, 111-112, 119 e 145. Neste tipo de composição, as linhas ou estrofes iniciam cada uma, com letras em ordem alfabética. Essa técnica, a exemplo do paralelismo, auxiliaria na memorização e no ensino. Isto também pode sugerir-se que o assunto foi tratado de forma completa. 


A POESIA É UM VEÍCULO DE EMOÇÕES

Da mesma forma que a música, a poesia transmite uma ampla gama de emoções. Note nas palavras de Adão quando Deus lhe apresentou Eva no jardim do Éden:

"Esta, por fim, é osso dos meus ossos
E carne da minha carne.
Esta será chamada Mulher,
Porque do homem foi esta tomada".— Gênesis 2:23.

Igualmente, os livros poéticos de Jó, Salmos, Provérbios e Lamentações transmitem um amplo espectro de emoções, além de ensinar verdades espirituais fundamentais. 

Os escritores bíblicos encontraram, muitas dificuldades ao traduzir a poesia hebraica para o seu próprio idioma, ela é muito rica, e quando se traduz, se perde muito da beleza original da qual ela foi escrita. 

Ex: Martinho Lutero ao traduzir o livro de Jó para o alemão, ele encontrou dificuldades, em encontrar palavras para descrever o sentimento expresso, na poesia hebraica. ele chegou a dizer "Jó sofreu mais com minha tradução, do que com os conselhos dos seus "amigos". 

No hebraico original, o primeiro salmo começa com a palavra “feliz”, ou “bem-aventurado” o homem que lê a palavra de Deus.

Como você descreveria os sentimentos do escritor das seguintes palavras do Salmo 63:1? Observe a riqueza das figuras de linguagem, uma característica notável na poesia hebraica.

"Ó Deus, tu és o meu Deus, continuo à tua procura.
Minha alma está sedenta de ti.
Minha carne enfraqueceu de anseio por ti
Numa terra árida e esgotada, onde não há água".

Devido às suas características inerentes, a poesia muitas vezes é de fácil memorização. As mais antigas poesias gregas existentes, a Ilíada e a Odisséia, eram recitadas de cor em festividades gregas — um feito e tanto, considerando-se a extensão homérica dessas obras. Pelo visto, muitos salmos bíblicos também eram decorados.

Regras para interpretação dos Salmos: 

1. Se houver uma circunstância histórica que determinou a composição de um Salmo, ela deve ser cuidadosamente estudada. Salmo 3, 32, 51, 63. 
2. Elemento psicológico. Estudar o caráter do poeta e o estado de mente que compôs o cântico. 
3. Os Salmos são de vários tipos diferentes. 
4. Cada um dos Salmos é caracterizado pela sua forma. 
5. Cada um dos Salmos também visa uma determinada função na vida de Israel. 
6. Temos que reconhecer os vários padrões dentro dos Salmos. 
7. Cada Salmo deve ser lido como uma unidade literária. Referências Bibliográficas: CALVINO, João. O livro dos salmos. Trad. Valter Graciano. Martins. São Paulo: Paraclétos.

FONTES DE PESQUISA

http://www.monergismo.com/textos/comentarios/exegese_%20da_poesia_hebraica.pdf
http://luizvalter1.blogspot.com.br/2014/08/a-beleza-da-poesia-hebraica.html > Acessados em 01/01/2015

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