Lição 03 - Jó - Drama Poético de Sofrimento e Fé

"Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma" Jó 1.22

Texto Bíblico Básico: Jó 1.1,3,15-21






CONTEXTO DO LIVRO DE JÓ

Jó é um dos livros sapienciais e poéticos do Antigo Testamento. Sapiencial, porque trata profundamente de relevantes assuntos universais para a humanidade; "poético". porque a quase totalidade do livro está elaborada em estilo poético. Sua poesia, todavia, tem por base um personagem histórico e real (Ez 14.14,20), e um evento histórico real (Tg 5.11). Os fatos do livro se desenrolam na "terra de Uz" (1.1), que posteriormente veio a ser território de Edom, localizado a sudeste do Mar Morto, ou norte da Arábia. Assim sendo, o contexto histórico de Jó é mais árabe do que judaico.

Autor: Desconhecido

Tema: Porque sofre o justo?

Data: Há duas datas importantes relacionadas a Jó: 

(1) A data do próprio Jó e dos eventos descritos no livro; e
(2) A data escrita inspirada do livro. Certos fatos indicam que Jó viveu por volta dos tempos de Abraão (2000 a.C.) ou até antes. Os fatos mais destacados são: (1) ele ter vivido mais 140 anos após os eventos dos livro (42.16), o que sugere uma duração de vida de quase 200 anos (Abraão viveu 175 anos); (2) suas riquezas era, calculadas em termos de gado (1.3; 42.12); (3) sua atividade como sacerdote de família, idêntica à de Abraão, Isaque e Jacó (1.5); (4) a família patriarcal como unidade social básica, semelhante aos dias de Abraão (1.4,5,13); (5) as incursões dos sabeus (1.15) e dos caldeus (1.17). que se encaixam na era abraâmica; (6) o uso frequente (trinta e uma vezes), do nome patriarcal comum de Deus, Shaddai (O Oniponente), e (7) a ausência de referências a fatos da história israelita ou à lei mosaica sugere uma era pré mosaica.

Há três diferentes pontos de vista sobre a data da escrita deste livro. Talvez tenha sido escrito:

(1) Durante a era patriarcal (2000 a.C.), pouco depois da ocorrência dos eventos citados, e talvez pelo próprio Jó;
(2) Durante o reinado de Salomão ou pouco tempo depois (950 - 900 a.C.), pelo fato de o estilo literário do livro assemelhar-se ao da literatura sapiencial daquele período; ou
(3) Durante o exílio de Judá (586 - 538 a.C.), quando, então, o povo de Deus procurava entender teologicamente o significado de sua calamidade (Sl 137). Se não foi o próprio Jó, o escritor, deve ter obtido informações detalhadas , escritas ou orais, oriundas daqueles dias, as quais ele utilizou sob impulso da inspiração divina para escrever o livro na feição em que o temos. Certas partes do livro vieram evidentemente da revelação direta de Deus (1.6 - 2.10).

CARACTERÍSTICAS DO LIVRO

Sete características principais assinalam o livro de Jó: 

(1) Jó, um habitante do norte da Arábia, foi um não-israelita justo e temente a Deus, que talvez tenha existido antes da família de Israel, e do seu concerto com Deus;
(2) Este livro é  o mais profundo que existe sobre o mistério do sofrimento do justo;
(3) revela uma dinâmica importante, presente em toda prova severa dos santos: enquanto Satanás procura destruir a fé dos santos, Deus está operando para depurá-la e aprofundá-la. A perseverança de Jó na sua fé permitiu que o propósito de Deus prevalecesse sobre a expectativa de Satanás (compare Tg 5.11).
(4) O livro é de valor inestimável pela revelação bíblica que contém sobre assuntos-chaves, tais como: Deus, a raça humana, a criação de Satanás, o pecado, o sofrimento, a justiça, o arrependimento e a fé.
(5) Boa parte do livro o ocupa-se da avaliação teológica errônea que os amigos de Jó fizeram do sofrimento deste. A repetição frequente desta avaliação errônea no livro talvez indique tratar-se de um erro comum entre o povo de Deus; erro este que exige correção.
(6) O papel de Satanás como adversário do justo, o livro de Jó demonstra mais do que qualquer outro livro do Antigo Testamento. Entre as dezenove referências nominais a Satanás no Antigo Testamento, quatorze ocorrem em Jó.
(7) Jó demonstra com toda clareza o princípio bíblico de que os crentes são transformados pela revelação e não pela informação.

Jó ilustra muito bem a verdade neotestamentária de que quando o crente experimenta perseguição ou algum outro severo sofrimento, deve perseverar firme na fé e continuar a confiar naquele que julga corretamente, assim como fez o próprio Jesus quando aqui sofreu (I Pe 2.23). Jó 1.6-2.10 é o mais detalhado quadro do nosso adversário, juntamente com I Pedro 5.8,9.
PROPÓSITO DO LIVRO


O Livro de Jó lida com a pergunta dos séculos: "Se Deus é justo e amoroso, porque permite que um homem realmente justo, tal como Jó, sofra tanto? Sobre esses assuntos, o livro revela as seguintes verdades:

(1) Satanás, como adversário de Deus, teve permissão para provar a autenticidade da fé de um homem justo por meio da aflição, mas a graça de Deus triunfou sobre o sofrimento porque Jó permaneceu firme e constante na fé mesmo quando não parecia haver qualquer proveito em permanecer fiel a Deus.

(2) Deus lida com situações demais elevadas para a plena compreensão da mente humana (37.5). Nesses casos, não vemos as coisas com a amplitude que Deus vê e precisamos da sua graciosa auto revelação (38-41).

(3) A verdadeira base da fé acha-se não nas bênçãos de Deus, nem nas circunstâncias pessoais, nem em teses formuladas pelo intelecto, mas na revelação do próprio Deus.

(4) Deus, ás vezes, permite que Satanás prove o justo mediante contratempos, a fim de purificar sua fé e sua vida, assim como o ouro é refinado pelo fogo (23.10, compare  I Pedro 1.6,7). Tal provação resulta numa maior integridade espiritual e humildade do seu povo (42.1-10)

(5) Embora os métodos de Deus agir ás vezes pareçam contraditórios e cruéis (conforme o próprio Jó pensava), ver-se á no fim, que Ele é plenamente compassivo e misericordioso (42.7-17 compare Tg 5.11).


JÓ, E AS CIRCUNSTÂNCIAS ADVERSAS NA VIDA DO JUSTO

Em Jó, vemos um exemplo clássico, na Palavra de Deus de alguém atacado pelo inimigo por meio das circunstâncias da vida. Satanás vem contra a Palavra de Deus para desmerecê-la na vida do crente, utilizando-se desse método. Precisamos, a exemplo de Jó, confiar que Deus nos protegerá. Com fé em Deus, temos o conhecimento de que, quaisquer que sejam nossas necessidades, Deus nos sustentará. Como na história de Jó, a vitória é apenas uma questão de tempo e confiança no Deus de nosso livramento e de nossa salvação! A Bíblia relata que Jó era um homem justo, de conduta impecável. Satanás desafiou a Deus: "Estende a tua mão e fere tudo o que ele tem, e com certeza ele te amaldiçoará na tua face" (1.11). A alegação de Satanás era de que Deus havia abençoado tanto a Jó, que naturalmente ele seria irrepreensível, mas se fosse removido o escudo de proteção para que ele, Satanás, atacasse o patriarca, esse certamente se rebelaria contra Deus e o amaldiçoaria. Deus aceitou o desafio. Satanás foi autorizado a atacar Jó do mesmo modo que costuma atacar as pessoas: pelas circunstâncias. Numa sucessão rápida de desastres, o patriarca perdeu os bens terrenos, os filhos, a saúde, a compreensão da própria  mulher. Ele também teve que contender com o julgamento de seus amigos, que o acusaram de pecado.

Jó perdeu tudo o que possuía, exceto sua fé em Deus: "Em tudo Jó não pecou, nem culpou a Deus por coisa alguma"(1.22). Mas a história não termina aqui. Satanás não desistiu. Ele ataco Jó por meio de três amigos deste: Elifaz, Bildade e Zofar. Em vez de o confortar, um após o outro acusou Jó de estar sendo castigado por Deus porque era mau e havia pecado em sua vida. Jó protestou inocência, mas eles recusaram -se a crer. Despojado de seus bens, sofrendo uma dor terrível, abandonado pela família e pelos amigos, Jó viu-se num  ciclo de derrota. Tornou-se fraco e desanimado. Perdeu toda a esperança. Sentiu-se incapaz de sentir a presença de Deus. Era como se Deus o tivesse abandonado. Jó amaldiçoou o dia em que nasceu (3.3); estava cheio de incredulidade (9.16,17); acusou Deus de oprimi-lo e não punir os impios (10.1-3); questionou as ações de Deus e justificou-se (40.8). Jó fixou os olhos nas circunstâncias e tornou-se tão desanimado e deprimido, que desejou morrer. Permaneceu no ciclo de derrota até que Deus tratou com ele por causa dos questionamento do patriarca. Quando Jó percebeu o quanto desconhecia sobre os mistérios da criação, Deus agiu a favor de seu servo. O arrependimento foi a chave para liberar as bênçãos de Deus, mais uma vez, sobre a vida de Jó. Deus curou Jó e restituiu em dobro o que Satanás lha havia tirado. Para abençoar Jó, Deus usou todas as circunstâncias que Satanás havia usado para o derrotar (42.10). A família de Jó voltou a procurá-lo e o confortou (42.12). Satanás usou todas as circunstâncias possíveis para atacar e destruir Jó, mas não conseguiu. Deus concedeu a vitória pela obediência de Jó.


FONTES DE PESQUISA:

Bíblia de Estudo Pentecostal - Ed, CPAD - Jó: Introdução,  pg 767

Bíblia de Estudo Batalha Espiritual e Vitória Financeira - Ed. Central Gospel; Jó 42.10-12, estudo, pgs. 672 , 673.

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