Lição 06 - Livro dos Salmos Parte III (Sl 73 -89)



"Eu, porém, Senhor; clamo a ti, e de madrugada te envio a minha oração" - Salmo 88.13

Texto Bíblico Básico: Salmo 73.1-10, 12-14, 16-18,24






A PROSPERIDADE DO IMPIO E A JUSTIÇA DIVINA

Num mundo como o nosso, onde a prosperidade material é a tônica, é necessário que realcemos a posição bíblica com respeito à aquisição e uso dos bens. Enfocando a experiência de Asafe, trataremos de um assunto muito em voga:  o que é a verdadeira prosperidade? Devemos entender, de uma vez por todas, que o para o filho de Deus, o mais importante é depositar-se integralmente nas promessas do Pai Celeste. Que confia nos cuidados de Deus não se preocupa com o amanhã nem com a falsa prosperidade dos ímpios, mas entrega todos os seus planos e projetos nas mãos dos Senhor. 

No Salmo 73, o salmista teve a sua fé duramente provada ao tentar entender porque os ímpios prosperam tanto, enquanto os justos, embora temam a Deus a pautem exemplarmente a sua vida, sofrem, às vezes, tremendos dissabores. Contudo, Deus é justo, se não entendemos tudo o que acontece no mundo, um dia, quando chegarmos à divina presença, compreenderemos todos os mistérios. 

Como Asafe sentiu-se ante a prosperidade dos ímpios

1. Quase desviado (v.2). Após afirmar que Deus é bom para com Israel, Asafe passa a narrar o que lhe sucedeu ao contemplar a prosperidade dos ímpios. Sua mente ficou perturbada. Ele mesmo confessa: "Quanto a mim, meus pés quase se desviaram".

2. Invejando o soberbo (v.3). Como pode, um homem de Deus, como Asafe, ser assaltado por um sentimento tão baixo quanto a inveja? Só entenderemos analisando sua crise a partir do prisma da fraqueza humana. Ele teve inveja dos soberbos "ao ver a prosperidade dos ímpios".

3. Ficou perturbado (v. 16). "Quando pensava em compreender isto, fiquei sobremodo perturbado".

4. Ficou desiludido com a sua vida espiritual (v.13-14). Diante de tantas evidências quanto à prosperidade dos ímpios, o salmista concluiu que, em vão, havia purificado o seu coração e lavado as sus mãos na inocência.

5. O coração azedou (v.21). Muitas pessoas deixam-se dominar por esse tipo de emoções e, como resultado, acabam acometidas por doenças. A Palavra de Deus nos recomenda: "Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando perturbe, e por ela muitos se contaminem" (Hb 12.15).

A Verdadeira Prosperidade

Deus revela ao salmista o destino final dos ímpios. Isso coloca seu problema na perspectiva tanto da eternidade como da suprema bem aventurança do crente. No final, todos os justos serão felizes e vitoriosos com Deus, ao passo que os ímpios perecerão. Levando em conta a brevidade da nossa vida, se avaliarmos as coisas as coisas daqui, tão somente da nossa perspectiva limitada , terrena e humana, é bem possível ficarmos desanimados e frustados. precisamos ter a Palavra revelada de Deus e seu Espírito Santo, para completarmos a jornada da vida com fé e confiança na bondade e justiça de Deus. Esta atitude do salmista leva ao triunfo da fé. Nesta vida, com tantos problemas, nosso supremo bem é a comunhão íntima com Deus. Não importa que o ímpio prospere; nossa riqueza, tesouro e vida é o próprio Deus  - sempre conosco, guiando-nos por Sua Palavra e seu Espírito, sustentando-nos pelo seu poder e depois nos recebendo na glória celestial. Como o apóstolo Paulo, nosso lema face aos cuidados da vida, dever ser: "Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho" (Fp 1.21).


A JUSTIÇA DE DEUS PERANTE OS JUÍZES DA TERRA

O Salmo 82 é a acusação de Deus aos juízes injustos que dominavam sobre Israel. Possivelmente foi composto num período em que havia muita deslealdade e corrupção na administração da justiça. O salmo é dividido em três partes: 1) Deus é introduzido como Supremo Juiz (v. 1); 2) Deus denuncia os juízes injustos e os julgamentos corruptos (v. 2-7); e 3) o salmista implora que Deus se levante para julgar (v. 8). O salmo tem lições para todos os filhos de Deus com referência às relações mútuas. O termo designa governantes, líderes, pessoas de poder, juízes e/ou príncipes terrenos (v.7). que eram representantes de Deus, e cujo trabalho era divinamente designado (Êx 22:28; Deut 1:17; 16:18; 2Cr 19:6; comparar com Heb 13:7). Eles perverteram a justiça, agiam cegamente como pessoas andando na escuridão (Sl 82:5). O salmista os vê reunidos perante Deus, o Rei do Universo, sendo julgados, porque eles são responsáveis perante Ele por sua administração de justiça. Se os juízes quisessem tripudiar sobre os direitos dos pobres, poderiam aguardar um fim violento reservado para os déspotas, como seu galardão normal. Por mais exaltada que fosse a sua posição, esses “deuses” corruptos serão abatidos pelo mesmo julgamento que os demais homens.

O termo "deuses" nesta passagem (hb elohim), sem dúvida refere-se  a autoridade e juízes humanos de Israel, como representantes de Deus na administração da justiça, proteção dos fracos, e no livramento dos opressores. O termo aqui jamais significa que meros seres humanos são deuses em potencial, mas que podem vir a ser representantes de Deus, com poder e autoridade para exercer julgamento e fazer justiça. Fonte: Bíblia de Estudo Pentecostal, Salmo 88, nota.

O Cristão e a Justiça Social

Qual é a visão cristã da justiça social? A Bíblia ensina que Deus é um Deus de justiça. De fato, "Deus é... justo e reto" (Dt 32:4). Além disso, a Bíblia sustenta a noção de justiça social na qual a preocupação e os cuidados são mostrados a favor dos pobres e aflitos (Dt 10:18, 24:17, 27:19). A Bíblia muitas vezes se refere ao órfão, à viúva e ao estrangeiro - ou seja, pessoas que não eram capazes de cuidar de si mesmas ou não tinham um sistema de apoio. A nação de Israel foi ordenada por Deus para cuidar dos menos afortunados da sociedade, e seu eventual fracasso de fazer isso foi em parte a razão para o seu julgamento e expulsão da terra. Quando Jesus pregou o Sermão do Monte, Ele mencionou cuidar dos "pequeninos" (Mt 25:40) e Tiago, em sua epístola, expõe a natureza da "verdadeira religião" (Tg 1:27). Assim, se por "justiça social" queremos dizer que a sociedade tem a obrigação moral de cuidar dos menos afortunados, então isso é correto. Deus sabe que, devido à queda, haverá viúvas, órfãos e peregrinos na sociedade, e Ele fez provisões no antigo e novo testamento para cuidar deles. O modelo de tal comportamento é o próprio Jesus, o qual refletiu o senso de justiça de Deus ao levar a mensagem do evangelho até mesmo aos párias da sociedade. No entanto, a noção cristã de justiça social é diferente da noção contemporânea de justiça social. As exortações bíblicas para cuidar dos pobres são mais individuais do que da sociedade como um todo. Em outras palavras, cada cristão é encorajado a fazer o que puder para ajudar o "menor destes." A base para tais mandamentos bíblicos encontra-se no segundo dos grandes mandamentos - amar ao próximo como a si mesmo (Mt 22:39). 


O DESESPERO E O SOFRIMENTO NA CAMINHADA CRISTÃ


"O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã" (Sl 30.5), é o verso preferido de muitos crentes, e bastante conhecido também. Mas, e quando passam-se os dias, os meses, as manhãs, os anos, e essa alegria não vem? Essa é a realidade de muitos crentes que infelizmente tem passado longos períodos de sofrimento. O Salmo 88 retrata a oração de um aflito que tem enfrentado um sofrimento que a certo ponto tem consumido toda a sua esperança.

Hemã, (em hebraico: הימן, "fiel", "cheio de fé"), é um nome encontrado dezesseis vezes na Bíblia. Hemã foi um dos 3 levitas atribuídos pelo rei Davi, para ministros de música. Ele era neto do profeta Samuel e se tornou vidente do rei Davi, possuindo 14 filhos. O título do Salmo 88 é atribuído a Hemã. Este Salmo, parece ter sido escrito em um estado de desespero. De acordo com Martin Marty, professor de história da Igreja na Universidade de Chicago, o Salmo 88 é "uma paisagem invernal de desolação sem alívio". Este salmo finaliza dizendo: Desviaste para longe de mim amigos e companheiros, e os meus conhecidos estão em trevas. (Salmos 88.18). De fato, em hebraico, a última palavra do Salmo 88 é "escuridão". Fonte: Wikipédia 

Alguns consideram este o mais pungente de todo os Salmos. O penitente já sofreu muito, assemelha-se a um leproso, acha que está próximo da morte e que Deus o rejeitou, Clama a Deus dia e noite, e parece não ter dele resposta. Sente-se rejeitado, e quase sem esperança. Mesmo assim, pela sua fé, ele não desiste de Deus; confessa que o Senhor continua sendo o Deus da sua salvação. A experiência do salmista é bem comparável à de Jó, se bem que no presente caso não se sabe a causa do sofrimento, nem do aparente silêncio de Deus. Este salmo revela que, as vezes, Deus permite momentos de tristeza e desalento na vida do crente. É muito difícil suportar tal sofrimento, um certo mistério permanece até que chegamos à presença de Deus no céu. Entrementes, tanto a fé em Deus como nosso Salvador e o nosso bom relacionamento com Ele são essenciais à vitória, sem jamais esquecermos apesar de tudo, "nem a morte, nem a vida... nem o presente, nem o porvir... nos separará do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rm 8.38,39).


FONTES DE PESQUISA

Bíblia de Estudo Pentecostal - Ed. CPAD - Salmo 88.1-18, e Salmo 76.17, 23-28, nota

Revista Lições Bíblicas - "Salmos, a lira de Israel na devoção do homem moderno" - Jovens e Adultos - Ed CPAD, 3º trimestre de 1997

http://reavivadosporsuapalavra.org/2013/10/28/29-october-2013-0719/

http://www.gotquestions.org/Portugues/justica-social.html

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