Livro de Provérbios Parte I (Pv 1-9)




"Adquire a sabedoria, adquire a inteligência e não te esqueças nem te aparte as palavras da minha boca. Não desampares a sabedoria, e ela te guardará; ama-a e ela te conservará" Provérbios 4.5,6

Texto Bíblico Básico: Provérbios 1.1-6; 2.1-7







PANORAMA DO LIVRO DE PROVÉRBIOS

Provérbios é um dos cinco livros poéticos da Bíblia, que se chamam sapienciais, isto é, de sabedoria. Intitula-se também, Provérbios de Salomão, porque são, em maior parte da autoria de Salomão. Consiste de 375 máximas; não são ligadas de maneira alguma em sentido e são expressas em poucas palavras. São adágios de sabedoria divina aplicados praticamente às condições do povo de Deus.

Provérbios encontra-se em nossas Bíblias depois do livro de Salmos, essa posição também é seguida nas Bíblias em hebraico, grego e latim. A palavra hebraica que traduzimos como Provérbios, compreende mais que uma coleção de máximas. Entra nela também a fábula, o enigma, a sátira e a parábola.

AUTORIA

O próprio livro de Provérbios apresenta Salomão como o principal autor e compilador dos ditados e instruções sapienciais que formam esta obra canônica (1.1). Os escritos que se encontram registrados entre 10.1 e 22.6 são de sua autoria pessoal. Contudo, Salomão selecionou, com sabedoria divina, os mais apropriados pensamentos e ditados entre as centenas de sábios que vinham anualmente ao reino unificado de Israel para conhecer, aprender e trocar experiências com o maior sábio de todos os tempos.

Embora o livro comece com um título que atribui os provérbios a Salomão, capítulos posteriores deixam claro que ele não foi o único autor da obra. Provérbios 22.17 refere-se aos “ditados dos sábios”, e 24.23 menciona ainda “outros ditados dos sábios”. A introdução de 22.17-21 é mais um sinal de que essas seções provém de um circulo de sábios, e não do próprio Salomão. O capítulo 30 é atribuído a Agur, filho de Jaque, e 31.1-9, ao rei Lemuel.

A maior parte do livro, no entanto, está estreitamente vinculada a Salomão. Os títulos de 10.1 e de 25.1 voltam a incluir o seu nome, embora 25.1 declare que esses provérbios foram compilados pelos homens de Ezequias. Isso mostra que um grupo de sábios ou de escribas compilou provérbios, acrescentando os capítulos de 25 a 29 às compilações anteriores. A capacidade que tinha o rei Salomão de produzir provérbios é ressaltada em 1Reis 4.32, em que 3 mil provérbios são atribuídos a ele.

Agur e Lemuel. Não há informações precisas sobre Agur e Lemuel de Massá. É provável que fossem membros da tribo do norte da Arábia. Massá é um dos filhos de Ismael (Gn 25.14; 1Cr 1.30). Os registros de seu “conselho” também são exemplos da universidade das tradições de sabedoria do mundo antigo, além de indicarem o aspecto universal da sabedoria israelita. O sábio e o escriba buscavam palavras agradáveis e verdadeiras instruções práticas, independentemente da origem hebreia, edomita ou árabe.

Servos de Ezequias. Não se sabe ao certo quem teriam sido esses conselheiros ou oficiais escribas. Diversos conselheiros de Ezequias, rei de Judá, são mencionados em 2 Reis 18.18, mas não há como igualá-los aos compiladores dos “provérbios de Salomão”.

DATA

Da perspectiva do formato literário ou do conteúdo de Provérbios, nada no livro demanda uma datação posterior à queda de Jerusalém e ao exílio babilônico do século VI a.C. A obra toda se harmoniza com aquele período, embora seja impossível afirmar quando o livro alcançou a sua forma atual. A referência dos escribas de Ezequias na compilação da obra indica que o livro não estava totalmente pronto no final do seu reinado em Judá (final do século VIII a.C.). Assim sendo, os estudiosos tem sugerido que este livro foi escrito entre o reinado de Salomão e a atividade dos escribas de Ezequias.

CONTEXTO

Os acontecimentos da história hebraica praticamente não influenciam o livro de Provérbios. Isso serve para ressaltar a natureza e o valor universal da sabedoria prática. A literatura da sabedoria estava fora da história no sentido de que seu propósito instrui as pessoas nos princípios da boa conduta. A sabedoria instrutiva estava centrada em três instituições: a família ou o clã, a corte real e as escolas de escribas. A compilação e canonização da literatura instrutiva era em grande parte responsabilidade da corte real de Israel, já que a tradição da sabedoria era fundamental para o treinamento de jovens empregados no serviço governamental.

O contexto histórico da tradição da sabedoria hebraica inclui a monarquia unida no reinado de Salomão e o Reino do Sul sob Ezequias. A associação dos sábios hebreus com a corte real seguia padrões estabelecidos nas rodas de sabedoria em todo o mundo antigo (1Rs 4.30,31). A participação bem-sucedida de Israel na comunidade internacional como “luz” de Deus às nações dependia da liderança idônea e devotada. Os sábios eram encarregados de instruir os oficiais reais no caminho da sabedoria para que fossem bons administradores e líderes demonstrando caráter e conduta santas.

CARACTERÍSTICAS

O livro de Provérbios apresenta dois formatos principais do gênero sapiencial. Nos capítulos 1 ao 9, há um bom número de construções mais longas semelhantes à “instrução” de determinada literatura egípcia antiga. Alguma dependência na forma e no conteúdo não deveria surpreender, dadas as preocupações comuns da literatura de sabedoria em todas as culturas. Se a forma desenvolveu-se em escolas para elite (como no Egito) ou em casa, como foi o caso de Israel, o seu conteúdo consiste da sabedoria para a vida tal qual era ensinada aos jovens por uma pessoa mais idosa. A instrução geralmente começa com um vocativo “Filho meu”, seguido de exortações e mandamentos com explicações de apoio e encorajamento.

Outro formato principal em Provérbios é o dito proverbial contido numa máxima de uma só sentença, encontrado especialmente em 10.1 a 22.16 e 25.1 a 29.27. Esses ditos são frequentemente apresentados em paralelismo, no qual a segunda linha estabelece um contraste direto com a primeira, ou então a segunda linha desenvolve a ideia da primeira. O uso do paralelismo de contraste é típico na comparação da sabedoria com a loucura e da justiça com a iniquidade.

Outra característica de Provérbios é o emprego da linguagem figurada: “Como a água fresca para a garganta sedenta, é a boa notícia que chega em terra distante” (25.15). Num único capítulo, o 25, há 11 versículos que começam com “Assim como” ou “Como”. Esse símiles tornam os provérbios mais vívidos e poderosos. Às vezes, o símile é usado de modo jocoso ou irônico: “Como anel de ouro em focinho de porca, assim é a mulher bonita, mas indiscreta” (11.22), ou “Como a porta gira em suas dobradiças, assim o preguiçoso se revira em sua cama” (26.14). O emprego das metáforas é igualmente eficaz: “O ensino dos sábios é fonte de vida” (13.14) e “O falar amável é árvore de vida” (15.4). De acordo 16.24, “As palavras agradáveis são como um favo de mel”. A figura de semear e ceifar é usada de modo tanto positivo quanto negativo (11.18; 22.8).

Não se encontra ortografia estranha nem modos de dizer alheios ao idioma hebraico, como ocorre com alguns livros, escritos imediatamente antes ou depois do exílio.

DIVISÕES DO LIVRO DE PROVÉRBIOS

1.     Conselhos para os jovens: capítulos de 1 a 10
2.     Conselhos para todos os homens: capítulos de 11 a 20
3.     Conselhos para reis e governantes: capítulos de 21 a 30.

O livro termina com um dos mais belos capítulos da Bíblia (cap. 31) sobre os direitos da mulher.

TEMAS PRINCIPAIS

A verdadeira sabedoria. O livro de Provérbios é farto em expressões concisas que tem finalidade de ensinar as pessoas a viver em retidão. Dois tipos de pessoas retratam dois caminhos de vidas contrastantes: o tolo é a pessoa ímpia e obstinada que odeia e ignora a Deus; o sábio busca conhecer e amar ao Senhor.

O temor do Senhor. No livro de Provérbios, a sabedoria começa com Deus. Sua posição central é aceita em todas as suas páginas. Os sábios, os retos, os justos e os piedosos são equiparados entre si. São aqueles que conhecem o seu Deus e nele confiam, e refletem isso através de uma conduta reta e amorosa para com seus semelhantes, segundo princípios divinamente aprovados. Os bons e os maus são ligados à recompensa e ao castigo, porque Deus tem em si, tanto o amor como a justiça, e por conseguinte, promove o bem e torna visível o mal.

O conceito do temor do Senhor liga o súdito humano ao rei divino de tal forma que a mina da sabedoria divina possa ser apropriada pelos santos (2.7-10). O temor do Senhor em Provérbios, é a resposta dupla de atitude e vontade moldando o comportamento humano de acordo com os mandamentos de Deus.

Finalmente, a ideia do temor do Senhor impede a sabedoria proverbial de se degenerar em um sistema rígido e mecânico de relações da causa de efeito. Isso impede as pessoas de simplificar as complexidades da vida e dar respostas ensaiadas a perguntas difíceis.

O princípio da retribuição. O princípio da retribuição demonstrada nas bênçãos e maldições das fórmulas de aliança do Pentateuco ressurge na literatura de sabedoria do Antigo Testamento. Na sabedoria proverbial, a expectativa de recompensa pela obediência nacional à lei de Deus é aplicável logicamente ao individuo temente a Deus.

A fala. O livro de Provérbios tem muito a dizer sobre o uso da língua. De fato, três abominações na advertência contra os sete pecados que Deus detesta estão diretamente ligados ao falar. Os ensinamentos sobre o falar do homem em Provérbios pode ser resumido da seguinte maneira a seguir. Em primeiro lugar, as palavras têm grande poder, pois até a morte e vida estão no poder da língua: “A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto” (18.21). Ela pode ser usada para curar ou ferir o espírito: “Há alguns que falam como que espada penetrante, mas a língua dos sábios é saúde” (12.18); “A língua benigna é árvore de vida, mas a perversidade nela deprime o espírito” (15.4).

Sexualidade humana. A sabedoria de Provérbios exalta a virtude do casamento e adverte contra a insensatez da traição no matrimônio. O discernimento das sábios hebreus sobre as complexidades do relacionamento entre homem e mulher ainda são recursos válidos para abordar os problemas associados à sexualidade humana. As afirmações, admoestações e diretrizes bíblicas para este aspecto da vida humana incluem:

a)     O valor da instrução de sabedoria como antídoto para o pecado sexual (2.16);
b)    A pureza do casamento e a conveniência do amor erótico (heterossexual) dentro dos limites conjugais (5.15-23; 18.22);
c)     Estar ciente da destruição do ciúme que brota do adultério (6.20-35);
d)    A importância da família para o ensino e execução dos valores sexuais (7.1-5, 24-27).
e)     Estar ciente das sutilezas dos pecados sexuais (23.26-28).

PROPÓSITO E MENSAGEM

Em conformidade com o prólogo, Provérbios foi escrito para “dar prudência aos inexperientes e conhecimento e bom senso aos jovens” (1.4), e para aumentar o conhecimento dos sábios (1.5).  A mensagem de Provérbios se alicerça na crença de que a sabedoria pode ser ensinada e passada de geração em geração (4.1-9). Pelo fato de o entendimento ser uma herança mais preciosa que joias, ouro e prata, é imperativo que os jovens ouçam, aceitem e obedeçam aos ensinamentos dos anciãos, sábios e especialmente de seus pais (1.8,9). O princípio da instrução da sabedoria do Antigo Testamento é desejar e decidir aprender e aplicar o temor do Senhor ao cotidiano (2.1-6). Isso significa abrir mão das trevas, do mal e da morte (2.11-15) e andar no caminho da integridade, justiça e vida (2.1-10). Este é o caminho da sabedoria.

Nos capítulos de 1 a 9, o escritor contrapõe o caminho da sabedoria ao da violência (1.11-18) e da imoralidade (2.16-18). A adúltera, com suas palavras sedutoras, procura atrair um jovem à casa dela e, em última análise, à morte (5; 6.24-35; 7.13-18). A imoralidade sexual é, portanto, exemplo e símbolo de falta de sabedoria (22.14; 23.27; 30.20).

Ao mesmo tempo, Provérbios condena a esposa implicante e briguenta com seus modos insuportáveis (19.13; 21.9,19). O Lar deve ser um lugar cheio de amor, não de conflitos e falta de paz. (15.17; 17.1). Os homens briguentos e irascíveis também são condenados (14.29; 26.21), e a intriga é considerada causa de grandes perturbações (11.13; 18.8; 26.22). 

Provérbios incentiva fortemente a diligencia e o trabalho esforçado (10.4; 31.17-19), exibindo o preguiçoso como objeto de desprezo público (6.6). O filho que dorme durante a ceifa é filho que causa vergonha (10.5), e os que amam o sono certamente ficarão pobres (20.13).

Embora Provérbios seja mais prático que teológico, a obra de Deus como Criador é ressaltada de modo especial. O papel da sabedoria na criação é assunto de 8.22-31, em que a sabedoria, como atributo de Deus, é personificada. Duas vezes, Deus é chamado Criador dos pobres (14.31; 17.5). Além disso, dirige os passos do homem (16.9; 20.24), e seus olhos observam todas as ações deste (5.21; 15.3). Deus é soberano sobre reis da terra (21.1), e toda a história desenrola-se debaixo de seu controle (16.4,33).

ESBOÇO DE PROVÉRBIOS

I. Introdução 1.1-7
Título, propósito e introdução 1.1-6
Tema ou lema 1.7
II. Avisos de um pai e advertências da Sabedoria 1.8-8.36
Avisos de um pai, parte um 1.8-19
Advertências da Sabedoria, parte um 1.20-33
Avisos de um pai, parte dois 2.1-7.27
Advertências da Sabedoria, parte dois 8.1-36
III. O caminho da Sabedoria em oposição ao caminho da Loucura 9.1-18
IV. Provérbios de Salomão e palavras do sábio 10.1-29.27
Provérbios de Salomão— primeira coleção 10.1-22.16
Palavras do sábio— primeira coleção 22.17-24.22
Palavras do sábio— segunda coleção (pelos homens de Ezequias) 25.1-29.27
V. Provérbios de Agur 30.1-33
A vida de moderação temente a Deus 30.1-14
As maravilhas da vida observadas sobre a terra 30.15-31
A insensatez do orgulho e da ira 30.32,33
VI. Provérbio do rei Lemuel 31.1-31
Conselhos de uma mãe para um filho nobre 31.1-9
Um poema acróstico sobre a esposa perfeita 31.10-31

FONTE
http://www.santovivo.net/page65.aspx

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