Lição 12 - Livro de Eclesiastes - Poesia Didática



"Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica;  assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento" - Eclesiastes 9.2

Texto Bíblico Básico: Eclesiastes 1.1-10, 15





PANORAMA DO LIVRO DE ECLESIASTES

“Eclesiastes” é uma tradução da palavra hebraica koheleth, significando “aquele que reúne a comunidade”, convencionalmente traduzida por “Pregador”. O termo “Eclesiastes” foi usado pela Septuaginta, tradução grega da Bíblia, e pela Vulgata, tradução latina.

Autor: O Livro de Eclesiastes não identifica diretamente o seu autor. Há alguns versículos que dão a entender que Salomão escreveu este livro. Existem alguns indícios no contexto que podem sugerir que uma outra pessoa escreveu o livro após a morte de Salomão, possivelmente centenas de anos mais tarde. Ainda assim, a crença convencional é que o autor era na verdade Salomão.


Tradicionalmente, Koheleth foi identificado com Salomão devido a informações oferecidas nos dois primeiros versículos do capítulo inicial. A tradição judaica é pacifica em atribuir ao rei Salomão sua autoria. O autor se declara filho de Davi (1.1), diz ter reinado em Jerusalém (1.12), se refere a grande sabedoria (1.16) e a riqueza inigualável (2.4-9). Tudo isso leva a crer na autoria de Salomão.

Os que defendem a autoria de Salomão argumentam não haver outro “filho de Davi, rei em Jerusalém”. Deve-se, porém, admitir que a designação “filho de Davi” pode se referir a qualquer um da linhagem de Davi. Outro fator intrigante é o motivo de Salomão se valer de um pseudônimo. O estilo salomônico de seções como 2.1-11 não deixa dúvida de que o autor pretendia conduzir o leitor a pensar nas experiências de Salomão.

Quando foi escrito: O reinado de Salomão como rei de Israel durou de cerca de 970 AC até cerca de 930 AC. O livro de Eclesiastes foi provavelmente escrito no final do seu reinado, em aproximadamente 935 AC.

Propósito: Eclesiastes é um livro de perspectiva. A narrativa do “Pregador”, ou “Sábio”, revela a depressão que inevitavelmente resulta da procura da felicidade em coisas mundanas. Este livro dá aos Cristãos a oportunidade de ver o mundo através dos olhos de uma pessoa que, apesar de muito sábio, está tentando encontrar sentido em coisas humanas e temporárias. Quase todas as formas de prazer mundano são exploradas pelo Pregador, e nenhuma delas lhe dá sentido algum.

Filosofia. Eclesiastes tem sido considerado como uma obra apologética, isto é, uma tentativa de defender a fé em Deus através de respostas a argumentos negativos. Com tal peculiaridade, o livro frequentemente parece expressar uma perspectiva secular, argumentando que a vida não tem sentido. Diante de tais argumentos, o escritor chega a conclusão de que a fé em Deus é o único caminho para a realização humana. Embora os ensinamentos do livro possam ser utilizados na evangelização, a maioria dos estudiosos judeus e cristãos tem entendido que Eclesiastes é dirigido ao povo de Deus, não aos que desconhecem a Deus ou se rebelam contra Ele. O livro constitui o sábio conselho de Deus àqueles que conhecem os seus caminhos, mas acham difíceis e perturbadores.

Não é preciso sair da Bíblia para encontrar a filosofia meramente humana da vida. Deus nos deu no livro de Eclesiastes o registro de tudo o que o pensamento humano e a religião natural já conseguiram descobrir a respeito do significado e do objetivo da vida. Os argumentos do livro, portanto, não são os argumentos de Deus, e sem os registros de Deus com respeito aos argumentos do homem. O livro é uma autobiografia dramática das experiências e reflexões de Salomão no tempo em que andou afastado da comunhão com Deus. Salomão pode ter sido sábio, mas não aplicou sua própria sabedoria. Eclesiastes tem origem no trágico pecado que Salomão cometeu ao abandonar Deus e buscar satisfação na filosofia e na ciência que se praticam “debaixo do sol”, isto é, que se baseiam em especulações e no pensamento humano. A conclusão que tudo é vaidade e aflição de espírito, por conseguinte, inevitável, e a mensagem de Eclesiastes é que a vida longe de Deus é cheia de canseira e desapontamentos. No final, o pregador chega a aceitar que a fé em Deus é a única maneira de encontrar um significado pessoal. Ele decide aceitar o fato de que a vida é breve e, no fim das contas, inútil sem Deus. O pregador aconselha o leitor a concentrar-se em um Deus eterno, em vez de prazer temporário.


PROPÓSITO E MENSAGEM

O autor, ao que parece, já com idade avançada e muita vivencia, avalia o mundo da forma que o experimentou entre os horizontes do nascimento e da morte. O mundo é considerado cheio de enigmas, sendo o maior deles o próprio homem. 

A grande lição pregada por Eclesiastes é: Uma vida humana que não centraliza seu prazer em Deus está destituída de propósito e sentido; não muito diferente da vida de qualquer animal. Não há nada que possa produzir mais satisfação do que Deus (2.25). Uma vez que Deus é o foco de uma pessoa, seja ela quem for e onde estiver, todas as demais bênçãos e experiências vividas, devem ser recebidas com gratidão (Tg 1.17). Tudo, em Deus, deve ser desfrutado (2.26; 11.8).

O livro contém máximas e melhores reflexões filosóficas e teológicas de um homem idoso e vivido, cuja vida, na maior parte do tempo, não tivera sentido nem plena satisfação, porque usufruía daqueles prazeres e sensações sem fé e louvor a Deus. A mensagem do livro pode ainda ser dividida em três posições:
1- Quando se olha para a vida com seus ciclos aparentemente intermináveis (1.4) e paradoxos inexplicáveis (4.1; 7.15; 8.8), pode-se concluir que tudo é fútil, já que é impossível discernir qualquer propósito na ordem dos acontecimentos.
2-  Apesar de tudo o que nos sobrevêm, a vida deve ser desfrutada ao máximo, mediante o entendimento de que é dom de Deus (3.12-13; 3.22; 5.18-19; 8.15; 9.7-9).
3-  O homem sábio gastará o tempo da sua vida em obediência a Deus, reconhecendo que o Eterno, o Senhor, finalmente, julgará todas as pessoas (3.16-17; 12.14).

A medida que o autor olha em torno de si e examina os empreendimentos humanos, vê o homem numa corrida desenfreada atrás de uma coisa após outra, labutando como se conseguisse dominar o mundo, desvendar seus segredos, mudar suas estruturas fundamentais, romper os grilhões das limitações humanas e ser senhor de seu destino. Vê o homem correndo em vão atrás de esperanças e das expectativas, o que na realidade, é inútil correr atrás do vento (1.14; 2.11,17,26; 4.4,16; 6.9).

A vida que não se centraliza em Deus está destituída de propósito e sentido. Sem Deus, nada mais pode satisfazer (2.25). Com Deus, toda a vida e suas outras dádivas devem ser recebidas com gratidão, usadas e desfrutadas plenamente (2.26; 11.8).

A mensagem de Eclesiastes é que a vida a ser buscada é centrada em Deus. Os prazeres não satisfazem de forma duradoura. A vida oferece bons e maus momentos e não segue o padrão proposto pelo principio da retribuição. Todavia, tudo procede de Deus (7.14). A adversidade pode não ser agradável, mas pode ajudar a desenvolver a fé.

A mensagem do livro de Eclesiastes deve ser considerada como positiva e ortodoxa. Isso é motivo de controvérsia entre os interpretes de Eclesiastes, pois alguns deles percebem em suas paginas apenas pessimismo ou cinismo.

Versículos-chave: Eclesiastes 1:2: “Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade.”

Eclesiastes 1:18: “Porque na muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta ciência aumenta tristeza.”

Eclesiastes 2:11: “Considerei todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol.”

Eclesiastes 12:1: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer.”

Eclesiastes 12:13: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem.”


CARACTERÍSTICAS E TEMAS

Eclesiastes busca dar resposta a pergunta: Que proveito tem o homem no trabalho e na sabedoria? O trabalho e a sabedoria constituem os dois temas principais livro. Palavras como “vantagem”, “proveito” e palavras semelhantes, como “melhor” (6.9), ocorrem inúmeras vezes no texto. Outra palavra importante é, “vaidade”, colocada no sentido de inutilidade. Essa palavra-chave é usada no tema que emoldura o livro (1.2; 12.8), que em cada caso é acompanhada por um poema relacionado ao tema (1.3-11; 1.7 – 12.7). Afora essas estruturas literárias obvias, não se tem chegado a um consenso quanto a estrutura básica do livro. Suas tendências conflitantes de otimismo e pessimismo dificultam a compreensão da intenção geral do livro. Contudo, os blocos de material que o compõem referem-se em grande parte a esses dois temas. A conclusão de Salomão de que a morte faz com que toda a sabedoria e trabalho humano sobre a face da terra (debaixo do sol) sejam em vão não significa que as pessoas devam abandonar a sociedade e a cultura e passar a viver uma vida ascética. O âmbito da criação discutido em Eclesiastes é indicado pelas expressões sinônimas “debaixo do sol”, “debaixo do céu” e “na terra”. A afirmação de Salomão de que tudo é fútil não se aplica à realidade transcendente do céu; não há nenhuma contradição entre Salomão e Paulo. Quaisquer tesouros que os descendentes de Adão ajuntarem na terra serão tirados, mas o esforço celestial realizado través do Segundo Adão, que venceu a morte, nunca é vão (ICo 15.58).

GÊNERO LITERÁRIO

Como vários outros livros poéticos, Eclesiastes contém gêneros literários diversos. Ele usa alegorias, adágios, metáforas, provérbios, entre outros. Além de identificações de gênero existem várias obras literárias do Antigo Oriente Médio que abordam situações em que a sabedoria convencional é considerada incoerente com a realidade. Certamente, esse era o caso de Jó e de seus equivalentes no Antigo Oriente Médio. Embora a literatura não rejeite a sabedoria, ela apresenta suas limitações e insuficiência.

CITAÇÕES DO PREGADOR

Espalhar e juntar pedras (3.5). As pedras de um campo eram retiradas para que o agricultor pudesse usá-lo com objetivos agrícolas. Costumava-se atirar pedras no campo de um inimigo para que as plantações fossem prejudicadas.

Todos vão para o mesmo lugar (6.6). Na visão israelita a escolha não era céu ou inferno, mas vida ou morte. Este versículo fala sobre o destino humano e, portanto, o lugar aonde todos iam era o Sheol, a habitação dos mortos.

Pão sobre as águas (11.1). O texto sugere que uma boa ação espontânea não é garantia de reciprocidade, mas a certeza de que o que vai sempre volta.

Resumo: Duas frases são repetidas muitas vezes em Eclesiastes. A palavra traduzida como “vaidade” aparece muitas vezes e é usada para enfatizar a natureza temporária das coisas mundanas. No fim das contas, mesmo as conquistas humanas mais impressionantes serão deixada para trás. A expressão “debaixo do sol” ocorre 28 vezes e refere-se ao mundo mortal. Quando o pregador se refere a “todas as coisas debaixo do sol”, ele está falando de coisas terrenas, temporárias e humanas.

Os sete primeiros capítulos do livro de Eclesiastes descrevem todas as coisas mundanas “debaixo do sol” nas quais o Pregador tenta encontrar satisfação. Ele tenta descobrimentos científicos (1:10-11), sabedoria e filosofia (1:13-18 ), alegria (2:1), álcool (2:3), arquitetura (2:4), bens (2:7-8) e luxúria (2:8). O Pregador concentrou-se em filosofias diferentes para encontrar um significado, tal como o materialismo (2:19-20) e até mesmo os códigos morais (incluindo os capítulos 8-9). Ele descobriu que tudo era vaidade, uma distração temporária que, sem Deus, não tinha nenhum propósito ou longevidade.

Os capítulos 8-12 de Eclesiastes descrevem as sugestões e comentários do Pregador sobre como a vida deve ser vivida. Ele chega à conclusão de que, sem Deus, não há nenhuma verdade ou sentido à vida. Ele já tinha visto muitos males e percebido que mesmo as melhores realizações do homem não valem nada a longo prazo. Assim, ele aconselha o leitor a conhecer a Deus desde a juventude (12:01) e seguir a Sua vontade (12:13-14).

Prenúncios: Para todas as vaidades descritas no livro de Eclesiastes, a resposta é Cristo. De acordo com Eclesiastes 3:17, Deus julga os justos e os ímpios, e os justos são apenas aqueles que estão em Cristo (2 Coríntios 5:21). Deus colocou o desejo pela eternidade em nossos corações (Eclesiastes 3:11) e tem providenciado o Caminho da vida eterna através de Cristo (João 3:16). Somos lembrados de que ir atrás da riqueza do mundo não só é vaidade, porque não satisfaz (Eclesiastes 5:10), mas mesmo se pudéssemos alcançá-la, sem Cristo perderíamos nossas almas e que proveito há nisso? (Marcos 8:36). No fim das contas, cada decepção e vaidade descrita em Eclesiastes encontra a sua solução em Cristo, na sabedoria de Deus e no único verdadeiro significado a ser encontrado na vida.

Aplicação Prática: Eclesiastes oferece ao Cristão a oportunidade de compreender o vazio e o desespero com os quais aqueles que não conhecem a Deus têm que lidar. Aqueles que não têm uma fé salvadora em Cristo se deparam com uma vida que no fim das contas vai acabar e tornar-se irrelevante. Se não há salvação, e não há Deus, então não existe nenhum sentido, propósito ou direção para a vida. O “mundo debaixo do sol”, longe de Deus, é frustrante, cruel, injusto, breve e total “vaidade”. No entanto, com Cristo a vida é apenas uma sombra das glórias por vir em um paraíso que só é acessível por meio dEle.

FONTES DE PESQUISA


http://www.gotquestions.org/Portugues/Livro-de-Eclesiastes.html

http://www.santovivo.net/page410.aspx

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