Escatologia - Parte II


PARTE II

I - A GRANDE TRIBULAÇÃO

Os profetas e apóstolos discorrem de tal forma sobre a Grande Tribulação, que basta uma leitura de seus escritos para conscientizar-nos de sua realidade escatológica. Haja vista o Livro de Sofonias que, em termos proporcionais, foi o autor sagrado que mais tratou deste importante tema. A Grande Tribulação é o "dia do Senhor", no qual Deus entrará em juízo com um mundo altivo, rebelde e impenitente (Is 13.9-11; Ml 4.1). Tendo como base as Sagradas Escrituras observemos como poderemos definir esta importante doutrina.

1. O que é a Grande Tribulação? É o período de maior angústia da história humana, em que os ímpios serão obrigados a reconhecer quão terrível é cair nas mãos do Deus vivo. Recebe outras denominações na Bíblia Sagrada: 

(a) Dia do Senhor (Sf 1.14)
(b) Dia da Angústia de Jacó (Jr 30.7)
(c) Ira do Cordeiro (Ap 6.15-17)


2. A Grande Tribulação Considerada: 

(a) Quanto à Igreja: Após o Arrebatamento, até se completar o tempo dos gentios (Lc 21.24; I Ts 1.10)

(b) Quanto à salvação: será salvo uma multidão de todas as nações (Ap 7.9-17)

(c) Quanto à gravidade: De tal severidade que nenhum período da história passada nem futura poderá igualar-se a ela  (Mt 24.21)

(d) Quanto ao tempo: Um período abreviado por causa dos eleitos, porque de outro modo ninguém se salvaria (Mt 24.22)

(e) Quanto a Israel: O período chamado de "Angústia de Jacó", um  juízo sobre Israel, pelo fato de ter rejeitado o Messias (Jr 30.7)

(f) Quanto às nações: Um período de juízo sobre as nações devido ao seu pecado e rejeição à Cristo (Is 26.20-21; 34.1,2; Ap 6.15-17)


3. Quando terá início a Grande Tribulação? A Bíblia é clara a respeito da Grande Tribulação, que terá início: 

(a) Após o Arrebatamento da Igreja (Ap 3.10). A Igreja não passará por esse período, estaremos recebendo nossos galardões consoante ao trabalho que executamos na expansão do Reino de Deus. A promessa de Jesus à Sua Igreja é a de preservá-la desse sofrimento (I Ts 1.10; 5.9; Lc 21.35,36).

(b) Na metade da 70ª Semana de Daniel (Dn 9.24-27). A 70ª semana de Daniel pode ser divida em duas metades distintas: A primeira metade será marcada pelo reinado absoluto do Anticristo que, assentado no Santo Templo em Jerusalém será aceito tanto pelos judeus quanto pelo gentios. Aqueles tê-lo-ão como o seu Messias; estes como se salvador. Essas duas metades da semana profética de Dn 9.27 são mencionadas diversas vezes em Apocalipse 11.2,3; 12.6,14; 13.5. A segunda metade será ocupada pela Grande Tribulação propriamente dita (I Ts 5.3).

4. Qual o Objetivo da Grande Tribulação? A Grande Tribulação será deflagrada, visando a aplicação dos juízos divinos sobre a terra e reconciliação de Israel com o seu verdadeiro Messias. Ela também possui como objetivos:

(a) Levar os homens a se arrependerem pelos seus pecados (Ap 16.11)
(b) Destruir o império do Anticristo (Ap 16.10)
(c) Desestabilizar o atual sistema mundial (Dn 2.34,35)
(d) Implantar o reino de Nosso Senhor Jesus Cristo (Dn 2.44)

5. Quem passará pela grande Tribulação? 

(a) os judeus que não tiverem aceitado a Cristo (Jr 30.1-7; Ap 12.1-7). Nesta passagem, Israel é tipificado pela mulher que, perseguida pelo dragão, vai procurar refúgio no deserto. E o dragão, que é o próprio Diabo, buscando sempre arruinar os planos de Deus, sai para fazer guerra aos descendentes da mulher que se acham espalhados pelo mundo. 

(b) Os gentios (Ap 7.9,13,14). Nesta passagem, somos apresentados aos gentios que serão salvos durante a Grande Tribulação.

6. O Juízo de Deus na Grande Tribulação: Os sete selos (Apocalipse 6:1-17; 8:1-5), sete trombetas (Apocalipse 8:6-21; 11:15-19) e sete taças (Apocalipse 16:1-21) são três séries de julgamentos de Deus que são diferentes e consecutivas. Os julgamentos progressivamente pioram e se tornam mais devastadores à medida que o fim dos tempos progride. Os sete selos, trombetas e taças estão conectados uns aos outros – o sétimo selo inicia as sete trombetas (Apocalipse 8:1-5), e a sétima trombeta inicia as sete taças (Apocalipse 11:15-19; 15:1-8). Tratam-se de fome, peste, guerra, morte e tragédias ambientais sem precedentes em toda a história humana.

7. As Duas testemunhas. O capítulo 11 de Apocalipse menciona duas testemunhas que profetizarão por três anos e meio, subentende-se que trata da primeira metade da Grande Tribulação. Nesse tempo o poder sobrenatural de Deus será manifesto aos homens para provocar-lhes o raciocínio e reconhecimento de Deus. Alguns serão sensíveis, outros aumentarão seu ódio contra Deus (Ap 11.5). A Bíblia não menciona a identidade dessas testemunhas.

8. O sinal da Besta. O falso profeta, que acompanha a Besta, fará uma estátua da besta e obrigará que todos os homens lhe prestem culto, e que também recebam o seu sinal, na mão direita ou na testa. Os que recusarem o culto serão privados de comprar ou vender (Ap 13.14-17). Os salvos jamais se submeterão a tal prática, pois quem aceitar esse sinal cairá sob a ira de Deus (Ap 14.9-11). O número da besta é 666.

8. Haverá salvação na Grande Tribulação?  Essa pergunta é inevitável. O livro de Apocalipse nos mostra que haverá dois grupos distintos de salvos: os israelitas e os gentios (Ap 7.4-14). A pregação do Evangelho será impraticável na Grande Tribulação, visto que nada escapará ao poder do Anticristo. Haverá divulgação do Evangelho por pessoas que participaram das igrejas, mas perderam a oportunidade do arrebatamento. Muitos desviados serão despertados e buscarão reconciliação com Cristo.


II - A MANIFESTAÇÃO DO ANTICRISTO

1. Quem é o Anticristo? As Sagradas Escrituras traçam -nos um perfil nítido do personagem que, durante a Septuagésima semana de Daniel, haverá de dominar o mundo, subjugando todas as coisas ao império de Satanás. Vejamos como a Bíblia o descreve:

(a) O arquiinimigo de Deus e do seu Cristo.  O Anticristo será a mais completa personificação de Satanás e o seu autêntico representante. Seu objetivo será levantar-se contra Cristo, postar-se em lugar de Cristo como se fora ele o Messias que haveria de trazer libertação a Israel e a salvação a toda a humanidade (Jo 5.43; II Ts 2.4).

(b) O representante maior do Diabo. Segundo mostram textos Bíblicos, ainda que pareça sobrenatural, o Anticristo será um ser humano como outro qualquer (Ap 13.12). A Bíblia o chama de :"príncipe que há de vir" (Dn 9.26), "o que vem em seu próprio nome" (Jo 5.43), "aquele que se assentará no templo de Deus" (II Ts 2.4), "o homem do pecado" (II Ts 2.3).

2. A missão do Anticristo

(a) criar uma religião, onde o Diabo seja  reverenciado por todos que, desprezando a verdade, apegaram-se à mentira. Nesta esfera ele é assistido pelo falso profeta (Ap 13.11-18).

(b) Estabelecer uma economia fortemente centralizada, através do qual forçará os habitantes da terra a aceitarem o sinal da besta (Ap 13.17,18)

(c) Destruir as bases da religião divina. para que todos venham a crer em suas mentiras (II Ts 2.4).

(d) Enganar a Israel. Fingindo ser o seu messias, numa tentativa sem precedentes de frustrar o planos de Deus com respeito ao estabelecimento definitivo e pleno dos filhos de Abraão na formosa terra. Quando os judeus perceberem que o Anticristo não é, de fato, o seu Cristo, e sim um impostor, ele tentará destruir a descendência de Abraão.

(e) Destruir os que se hão de converter na Grande Tribulação, objetivando desarraigar  da terra quaisquer testemunhos concernentes ao Deus único e verdadeiro e ao seu Unigênito (Ap 7.9-17).

(f) Multiplicar a iniquidade no mundo. Afinal, o Anticristo é o conhecido como o homem do pecado e o iníquo (II Ts 2.3). Ele, portanto é o grande promotor da iniquidade.

(g) Concretizar o que, desde que fora expulso do céu, o Diabo intenta fazer. Colocar o Diabo no lugar de Deus, a fim de que ele receba uma adoração que é exclusiva do Todo Poderoso. A resposta de Deus para todas essa maquinações está no Salmo 2; II Ts 2.8; Ap 19.19,20.

O Anticristo será um personagem de uma habilidade e capacidade desconhecida até hoje. Será o maior líder de toda a história: acima de qualquer general ou governante mundial conhecido. Será um governante hábil politicamente e detentor de um poder extraordinário. Será portador de uma personalidade irresistível. Sua sabedoria e capacidade serão sobrenaturais. Além de uma ação diabólica direta, outros fatores contribuirão decisivamente para a implantação do governo do Anticristo, com poderio bélico, alta tecnologia e poder econômico. Será um grande demagogo. Influenciará decisivamente as massas com seus discursos inflamados (Ap 13.5). A Bíblia diz que toda a terra se maravilhará após a Besta (Ap 13.13). Exercerá uma influência e um fascínio extraordinário sobre as massas. O Anticristo será recebido como solução dos problemas e crises sociais e politicas que fustigam o mundo inteiro, para os quais os líderes mundiais mais capazes capazes não encontram solução (Dn 11.36). A Bíblia chama Jesus de "Cordeiro" e o Anticristo de "Besta".

III - AS BODAS DO CORDEIRO E O TRIBUNAL DE CRISTO

Neste tópico, há dois assuntos distintos: O Tribunal de Cristo e as Bodas do Cordeiro. O Tribunal de Cristo é às vezes confundido por alguns com o Juízo Final. São juízos distintos. Este tribunal tem por objetivo julgar as obras dos salvos e não seus pecados. O segundo assunto trata da celebração da união de Cristo com a sua Igreja. Este assunto é descrito na Bíblia como as Bodas do Cordeiro.

1. As Bodas do Cordeiro

(a) Onde e quando se dará a festa. A comemoração da união entre Cristo e sua amada Igreja, acontecerá no Céu, logo após o arrebatamento da Igreja, simultaneamente à Grande Tribulação, que estará ocorrendo na terra.

(b)  Quem participará das bodas. Esta festa será exclusiva do Noivo e a Noiva. Trata-se tanto dos que subiram no Arrebatamento quanto os santos que ressuscitaram naquele dia.

2. O Tribunal de Cristo

A grande ceia ou Bodas, como é chamada a festa da união entre Cristo e a Igreja', será marcada também  por um tribunal de premiação. Segundo o entendimento de alguns, será um tempo de grande constrangimento para os que foram omissos na obra do Senhor.

(a) O local do julgamento. Há duas palavras no grego para referir -se ao tribunal de Cristo. A primeira é criteriom (Tg 2.6; I Co 6.2-4) significa "instrumento ou meio de por á prova ou julgar qualquer coisa.  A segunda palavra é Bema, que significa (At 18.16; Rm 14.10), significa "local elevado, plataforma alta; tribuna assemelhada a um trono". Esse tribunal, sem dúvida, será instalado no Céu.

(b) O Julgamento dos Salvos. Não se trata de um julgamento de condenação e salvação. Trata-se de um julgamento das obras, com a finalidade de atribuir perda ou ganho de galardões.

(c) Quando ocorrerá. Após o arrebatamento da Igreja (II Tm 4.7,8).

3. Jesus será o Juiz

Naquele Dia, o Senhor Jesus estará assentado no trono para julgar as nossas obras; afinal, todo o julgamento foi confiado às mãos do Filho (Jo 5.22; I Co 4.5). Aquele cujos olhos são como chama de fogo (Ap 19.12), examinará o resultado da obra de cada um e, a obra que resistira essa prova, receberá o galardão (I Co 3.13).

4. A Pauta do Julgamento

(a) O uso do corpo (II Co 5.10).  O corpo, sendo habitação do Espírito Santo não pode ser instrumento de pecado e nem mesmo de qualquer tipo de abuso ou indisciplina (I Co 6.19-20).

(b) Todas as obras (Rm 14.10; Ec 12.14); 

(c) aprovação pelo trabalho bem feito (Mt 25.21; II Tm 4.8); 

(d) cobrança e constrangimento pelas negligências (I Jo 2.28; I Co 4.5); 

(e) as palavras que dizemos (Mt 5.22; 12.36-37); 

(f) atitudes no nosso trabalho (Cl 3.23-25); 

(g) vitória sobre o velho homem (I Co 9.25); 

(h) por haver suportado a provação (Tg 1.12); 

(i) por ganhar almas (I Ts 2.19); 

(j) por amar a vinda de Jesus (II Tm 4.8); 

(k) por apascentar o rebanho de Deus (I Pe 5.4)

5. A Advertência Apostólica

Somos advertidos pelo apóstolo Paulo a prestar atenção à nossa forma de servir a Deus hoje: "Veja cada um como edifica" (I Co 3;10-13). A displicência quanto ao modo de servir a Deus, pode resultar grandes perdas naquele dia (Jr 48.10). O apóstolo Paulo diz que o crente tanto pode edificar, na obra de Deus, com materiais nobres e resistentes ao fogo - como ouro, prata e pedras preciosas - quanto pode edificar com materiais de pouco valor e facilmente inflamáveis como madeira, feno e palha. A obra de cada um se manifestará (I Co 3.10-15).

6. Em que consistem os galardões

O galardão é recompensa ou prêmio pela realização de uma grande obra; significa também honra e glória. Paulo chama o galardão de "coroa da justiça" (II Tm 4.8). Os galardões se tratam de recompensas valiosas e que vale a pena trabalhar por elas. Jesus foi um grande incentivador dos galardões (Mt 5.12; 10.41,42; Lc 6.35).


FONTE DE PESQUISA

Lições Bíblicas - Jovens e Adultos: "Vem o fim, o fim vem"  - Ed. CPAD / 4º Trimestre de 2014


Revista : Semeando a Palavra - "Escatologia: Saiba mais sobre o fim dos tempos" - Ministério IDE



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