Lição 06 - Aliança Davídica

"E estando reunidos os fariseus, interrogou-os Jesus dizendo: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: de Davi. - Mateus 22.41,42

Texto Bíblico Básico: II Samuel 7.8-16

ALIANÇA DAVÍDICA

Texto: II Sm 7.11b-16, a ênfase é posta em Salomão: "Também o Senhor te faz saber que Ele, o Senhor, te fará casa. Quando teus dias se cumprirem e descansares com teus pais,  então; farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o teu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino ; e lhe serei por pai e ele me será por filho, se ele vier a transgredir, castigá-lo-ei com varas de homens e com açoites de filhos de homens. Mas a minha misericórdia se não apartará dele, como a retirei de Saul, a quem tirei de diante de ti. Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre". 

No segundo registro, I Cr 17.10b-14, a ênfase é no Messias: " e também te fiz saber que o Senhor te edificaria uma casa. Há de ser que, quando teus dias se cumprirem, e tiverdes de ir para junto de teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente que será dos teus filhos, e estabelecerei o seu trono para sempre; eu lhe serei por pai, e ele me será filho; a minha misericórdia não apartarei dele, como a retirei daquele que foi antes de ti. Mas o confirmarei na minha casa e no meu reino para sempre, e o seu trono será estabelecido para sempre"

Salmo 89 fala da aliança eterna entre Deus e Davi. Esse é o terceiro salmo mais longo da Bíblia (depois dos Salmos 78 e 119), e é um dos salmos messiânicos porque a aliança de Davi, descrita nesse texto, somente encontra sua validade e seu cumprimento definitivo em Jesus Cristo. Depois da ressurreição e da ascensão de Jesus, Paulo diz aos judeus em relação à aliança de Davi: “E, que Deus o ressuscitou dentre os mortos para que jamais voltasse à corrupção, desta maneira o disse: E cumprirei a vosso favor as santas e fiéis promessas feitas a Davi” (At 13.34). E a Timóteo, seu filho espiritual, Paulo escreve: “Lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado de entre os mortos, descendente de Davi, segundo o meu evangelho” (2 Tm 2.8).
PARTICIPANTES

Esta aliança foi feita entre Deus e Davi, que figura como cabeça da casa e da Dinastia Davídica, a única reclamante legítima para o trono de Davi em Jerusalém.

CLÁUSULAS

A Aliança engloba quatro cláusulas principais. São promessas que dizem respeito a uma casa, um templo, um reino e um trono.

Uma Casa. A primeira promessa trata de uma casa ou da dinastia de Davi, seus descendentes de sangue (IISm 7.11b,12). Nada poderia destruir a casa de Davi, esta sempre existiria. Embora desconhecidos, até hoje no mundo judeu existem membros da Casa de Davi

Um templo. Salomão construiria o Templo de Deus. Embora Davi tivesse imenso desejo de construir um templo, suas mãos haviam derramado sangue demais e ele era culpado de um assassinato. Assim, ele foi proibido de construí-lo e esta tarefa ficaria para seu filho Salomão (II Sm 7.13a).

Um trono. A terceira promessa refere-se ao trono (autoridade real) de Davi e Salomão (II Sm 7.13b,16). Um dos filhos de Davi especificamente Salomão, deveria ser estabelecido o trono depois dele. Absalão e Adonias, dois de seus filhos tentaram usurpar o trono; mas Salomão foi o filho de Davi escolhido por Deus para a sucessão (I Rs 1.30). A promessa é que o trono de Salomão seria estabelecido para sempre, não a sua descendência. Cristo não era da linhagem de Salomão, que foi cortada em Jeconias (Jr 22.30). Cristo nasceu de Maria, uma descendente direta de Natã, filho de Davi (Lc 3.23-31). José, o pai legal de Jesus, era descendente direto de Salomão, através de quem o trono passaria legalmente  a Cristo (Mt 1.6-16).

Salomão seria disciplinado por sua desobediência, mas Deus não retiraria dele a sua misericórdia (II Sm 7.14,15). Deus havia removido a misericórdia de Saul, mas a promessa afirma que ainda que Salomão fosse desobediente e necessitasse de disciplina, a misericórdia do Senhor nunca se apartaria dele. A palavra misericórdia enfatiza a lealdade da aliança. Salomão de fato caiu no pecado da idolatria (um dos piores pecados nas escrituras) e outros pecados. Embora o reino fosse retirado da Casa de Saul, não seria retirado da Casa de Davi. Isto mostra a natureza de uma aliança incondicional. Salomão esteve sob uma aliança assim, mas Saul não. 

Um Reino. A quarta promessa diz respeito do reino de Davi (II Sm 7.16). Mas a promessa não garantia que o reino da família davídica seria ininterrupto. Embora o reino de Davi estivesse sem efeito há séculos, esta promessa garante sua existência eterna. O reino de Davi será restabelecido quando Deus determinar (At 1.6,7). Esta promessa garante que nenhuma família jamais tomará o lugar da família de Davi como família real em Israel.

Deus promete a Davi três coisas eternas: uma casa, um trono e um reino. A eternidade da casa, do trono e do reino é garantida porque a descendência de Davi culmina em Alguém que é eterno: o Deus-Homem-Messiânico. O Messias viria da descendência de Davi. No texto de I Crônicas, Deus não está falando que um dos filhos de Davi seria estabelecido no trono para sempre, mas sim o Descendente de um de seus filhos que viria muitos anos mais tarde. Nesta passagem, a própria Pessoa seria estabelecida no trono de Davi para sempre.

A IMPORTÂNCIA DA ALIANÇA

A importância da aliança davídica é que ela amplifica o aspecto da descendência apresentado na Aliança Abraâmica (Gn 17.7).

A promessa de Deus de dar descendentes a Abraão foi cumprida nos israelitas que saíram do Egito (Ex 32.13). A geração seguinte entrou na terra, tornou-se uma nação,e na época de Salomão, os israelitas eram "numerosos como a areia que está no pé do mar" (I Rs 4.20), uma clara referência à Aliança Abraâmica (Gn 22.17). Dentro ou fora da terra prometida, os judeus serão sempre considerados Filhos de Abraão (At 3.25). Todo judeu é uma prova viva de que Deus ainda mantém a palavra dada a Abraão. Toda tentativa de perseguir ou eliminar a linhagem escolhida de Abraão, é um ataque contra Deus e sua aliança eterna. Os profetas anteviram sua futura reunião na terra de Israel, quando eles buscarão a Deus e viverão em segurança (Zc 10.8-12).

Quanto à descendência do Messias, vemos um afunilamento gradual desde o anúncio da sua vinda, na aliança Adâmica. De acordo com esta aliança, o Messias viria da descendência da mulher, mas isto significava que ele poderia vir de qualquer parte da humanidade. A Aliança Abraâmica deixa claro que Ele viria da descendência de Abraão. Isto significava que ele seria um judeu e poderia vir de qualquer uma das doze tribos de Israel. Com a confirmação desta aliança nos tempos de Jacó, o aspecto da descendência ficou limitado à tribo de Judá (Gn 49.10), mas isto ainda permitiria que ele viesse de qualquer família de Judá. A partir da aliança Davídica, sabemos que o Messias teria de vir de uma família específica de Judá - a família de Davi,

CONFIRMAÇÃO DA ALIANÇA

Embora a expressão "Aliança Davídica" não seja mencionada nos textos de II Sm 7 e I Cr 17, outras passagens da Escritura deixam claro que Deus fez uma aliança com Davi: "Não violarei a minha aliança nem  modificarei o que os meus lábios proferiram. Uma vez jurei por minha santidade (e serei falso a Davi?): A sua posteridade durará para sempre, e o seu trono como sol perante mim. Ele será estabelecido para sempre como a lua e fiel como a testemunha no espaço" Sl 89.34-37. Muitas outras passagens afirmam a aliança eterna de Deus com Davi: II Sm 23.5; Is 9.6,7; Jr 23.5,6; Jr 33.14-17; 20-22; Ez 37.24,25;Os 3.4,5; Am 9.11; Lc 1.30-33.

SITUAÇÃO DA ALIANÇA

Deus diz claramente que o cumprimento das promessas feitas na Aliança Davídica não depende de Davi, mas Dele. Em todo o Salmo 89, Deus usa os verbos em primeira pessoa para mostrar que Ele, somente Ele fará que as promessas da aliança se cumpram. A Aliança se baseia na natureza e no caráter de Deus, portanto é uma aliança incondicional, imutável e eterna. Deus disse que faria o nome de Davi grande e lhe daria descanso de todos os seus inimigos (II Sm 7.9-11). Essas duas promessas foram literalmente cumpridas quando Davi estava vivo. Em segundo lugar, Deus ratificou solenemente esta aliança com um juramento a Davi (Sl 89.3,4, 35; Sl 132.11), garantindo que todas as cláusulas se cumpririam literalmente. O próprio Davi acreditava que esta aliança que Deus fizera com ele se cumpriria literalmente (II Sm 23.5). Salomão acreditava que as promessas eram literais, especialmente em relação ao trono e ao reino (II Cr 6.14-17), e o anjo Gabriel confirmou um cumprimento terreno e literal da Aliança Davídica quando anunciou o nascimento de Jesus a Maria (Lc 1.30-33).

A única restrição desta aliança diz respeito à punição dos filhos de Davi que o sucederiam, mas a aliança em si nunca seria revogada. Embora a punição tenha interrompido a linhagem real de Davi, desde o cativeiro babilônico até o nascimento do Maior Filho de Davi, Jesus Cristo, todas as promessas feitas na aliança foram reafirmadas e serão plenamente cumpridas quando Ele retornar fisicamente à Terra, assumir seu lugar legítimo no trono de Davi e reinar sobre a casa de Jacó para sempre. Esse reino jamais terá fim.

FONTE DE PESQUISA

https://pt.scribd.com/doc/84159699/ALIANCAS-DE-DEUS-NA-BIBLIA

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