Galera de Cristo 05 - O Espírito Santo na Vida dos Apóstolos

"Vendo a coragem de Pedro e de João e percebendo que eram homens comuns e sem instrução, ficaram admirados e reconheceram que eles haviam estado com Jesus"  - Atos 4.13

PAPO SÉRIO

A PROMESSA DO DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO SANTO
 
Em dois lugares diferentes e em duas ocasiões diferentes, Jesus se referiu abertamente à descida do Espírito Santo. A primeira ocorrência foi no Cenáculo de Jerusalém, na véspera de sua morte (Jo 14.16; 15.26; 16.7 e 16.13). A segunda, no povoado de Betânia, perto de Jerusalém, quarenta dias após a ressurreição e no dia de sua ascensão (At 1.8).
 
Cerca de novecentos anos antes, porém, por boca do desconhecido profeta Joel, Deus havia prometido: “[...] vou derramar meu Espírito sobre todo tipo de gente – Seus filhos vão profetizar e também suas filhas. Seus jovens terão visões e seus velhos terão sonhos. Vou derramar meu Espírito até sobre os escravos, tanto homens quanto mulheres” (Jl 2.28-29). Quando a promessa se cumpriu, logo veio à mente de Pedro essa passagem das Escrituras, que ele conhecia de cor, e a citou em seu discurso (At 2.16-21).
 
João Batista também mencionou o evento do Pentecostes: “Eu os batizo com água para mostrar que vocês se arrependeram dos seus pecados, mas aquele que virá depois de mim os batizará com o Espírito Santo e fogo” (Mt 3.11). E o próprio Jesus, além daquelas promessas proferidas no Cenáculo, fez uma curta referência à futura provisão do Espírito: “Porque naquela hora o Espírito Santo lhes ensinará o que devem dizer” (Lc 12.12).

A PLENITUDE

É no livro de Atos dos Apóstolos que a expressão “cheio do Espírito Santo” aparece mais vezes em toda a Bíblia. Em duas ocasiões, fala-se de uma plenitude coletiva: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo”. A primeira foi no dia de Pentecostes (At 2.4) e a outra foi quando Pedro e João foram soltos da cadeia por falta de provas (At 4.31). As demais passagens mencionam uma plenitude individual: Pedro cheio do Espírito Santo (At 4.8), Estêvão cheio do Espírito Santo (At 6.5; 7.55), Barnabé cheio do Espírito Santo (At 11.24). Subentende-se que os sete diáconos eleitos eram como Estêvão, cheios do Espírito Santo, por causa da orientação dada pelos apóstolos (At 6.3).

O surto, ou o impulso inicial provocado pela descida do Espírito Santo foi algo público – em contraste com o nascimento de Jesus –, notório, marcante, inesquecível e tremendo. Houve sinais audíveis – “o barulho de um vento soprando muito forte” que enchia o recinto – e visíveis – coisas parecidas com chamas que se espalhavam como línguas de fogo. Houve também alguns fenômenos. De posse do poder e da soberania do Espírito Santo, os discípulos começaram a falar em outras línguas as grandezas de Deus. Era uma formidável mistura de louvor e testemunho. Cada um dos imigrantes de diversas procedências como Palestina, Oriente Próximo, Norte da África, Sul da Europa e ilhas do Mediterrâneo, que moravam em Jerusalém, ouvia, em sua própria língua, o que os discípulos falavam. Muitos desses estrangeiros e nativos já tinham visto fenômenos extraordinários apenas cinquenta dias antes, no dia da crucificação de Jesus, como as três horas de escuridão em pleno dia e o tremor de terra. Os mais religiosos tinham conhecimento também daquele estranho e discreto fenômeno do rompimento do véu do templo exatamente após a morte de Jesus. O fato é que todos em Jerusalém, estupefatos, não conseguiram entender o que estava acontecendo. Com a explicação do fenômeno e a pregação sobre a morte e a ressurreição de Jesus dadas por Pedro, quase 3 mil pessoas acreditaram na mensagem anunciada, foram batizadas e se juntaram ao grupo dos seguidores de Jesus (At 2.41).

O ESPÍRITO SANTO E A GRANDE COMISSÃO

Jesus fez uma clara ligação da pessoa do Espírito Santo com a Grande Comissão: “Porém, quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra” (At 1.8). Essa associação é transparente em todo o livro de Atos, o primeiro volume da história de missões. Tão transparente que há quem sugira que o livro deveria se chamar “Atos do Espírito Santo”.
 
É o Espírito Santo quem comanda o trabalho. Vê-se isso claramente no ministério de Filipe e de Paulo. O Espírito ordenou a Filipe que se aproximasse daquela carruagem que levava o tesoureiro e o administrador das finanças da rainha da Etiópia. Graças a essa orientação, o homem se converteu, foi batizado e introduziu o evangelho na Etiópia (At 8.29-38). Foi o Espírito quem levou Filipe daquela estrada deserta para evangelizar as cidades entre Azoto e Cesareia (At 8.39-40).
 
Foi o Espírito quem interrompeu a reunião de oração daqueles cinco líderes da igreja de Antioquia e tirou dois dentre eles – Barnabé e Saulo – para o trabalho missionário (At 13.2). Graças a essa intervenção do Espírito, os dois amigos iniciaram sua primeira viagem missionária. Mesmo mais tarde separados, Barnabé e Paulo continuaram a viagem para pregar o evangelho, com itinerários diferentes.
 
Em outra ocasião, o Espírito Santo bloqueou por duas vezes os planos de Paulo de pregar na Ásia e na Bitínia, para forçar sua ida e de seus companheiros para a Macedônia (At 16.6-10). Graças a essa manifestação do Espírito, a Europa foi alcançada para Cristo e se tornou um celeiro missionário por vários anos. Paulo se deixava dirigir, como se pode ver no encontro que ele teve com os presbíteros de Éfeso em Mileto: “Agora eu vou para Jerusalém, obedecendo ao Espírito Santo”. Além de traçar o itinerário de Paulo, o Espírito não escondeu dele as prisões e o sofrimento que o esperavam (At 20.22-23).
 
Quando Pedro estava confuso com a visão dos animais imundos que teve em Jope e com o convite de Cornélio, o Espírito Santo deixou tudo claro e lhe disse: “Agora apronte-se, desça e vá com eles [os portadores do convite]. Vá tranquilo porque fui eu que mandei que eles viessem aqui” (At 10.20).
 
O fato é que, em trinta anos de missões, o evangelho alcançou os mais importantes centros urbanos do mundo e nele se estabeleceu (Jerusalém, Éfeso, Corinto, Atenas e Roma).
 
O missionário precisa dar abertura ao Espírito, para que ele o leve para o lugar certo no tempo certo, pois a visão do Espírito é panorâmica tanto no sentido geográfico como histórico. Ele tudo vê – vê o presente e o futuro. Ele tem agenda, tem estratégia, tem prioridade. Ele tem direito de comandar, de empurrar alguém para algum lugar.

Podemos entender mais facilmente o Espírito Santo e sua obra distinguindo as várias coisas que ele fez e os diferentes modos pelos quais os fez. No Novo Testamento, os apóstolos e Cornélio foram batizados no Espírito para revelar a mensagem do evangelho e para demonstrar a aprovação de Deus para a conversão dos gentios. Os apóstolos impuseram suas mãos em alguns indivíduos dando-lhes dons espirituais para edificar a igreja e confirmar a palavra. Ninguém hoje recebe o Espírito Santo do mesmo modo; hoje o Espírito Santo habita nos corações dos cristãos.

FONTES DE PESQUISA

http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/340/o-espirito-santo-em-movimento-nos-atos-dos-apostolos


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