Lição 06 - Sendo Estratégico na Adversidade

"Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas" - Salmo 34.19

Texto Bíblico Básico: I Samuel 21.6,10-13; I Samuel 22.1,2


SAUL E DAVI

Saul foi um rei que o Senhor escolheu porque o povo não podia ficar sem um líder. Segundo  as escrituras Saul era um homem que vinha da uma família de origem militar. Quando foi escolhido, Saul estava procurando as jumentas perdidas de seu pai e reagiu timidamente quando anunciaram publicamente que ele seria ungido para governar. Com o tempo, foi enchendo de si e perdendo a humildade, abrindo mão da confiança que tinha no Senhor. Por isso, quando Deus ordenou que exterminasse os amalequitas (nação inimiga de Israel), Saul os atacou, mas poupou o rei e seus melhores animais, desobedecendo a Deus. Além disso, Saul chegou a erguer um monumento em sua própria homenagem. O profeta Samuel (que o havia ungido rei) foi ter uma conversa com ele. Como resposta, Saul disse que foi o povo que preferiu poupar os animais dos amalequitas, e o objetivo era sacrificá-los ao Senhor. Apesar da repreensão de Samuel, Saul manteve-se desobediente, de coração endurecido. De acordo com as escrituras, o Senhor se afastou dele e um espírito mal se apossou de Saul, que tinha muitas crises. Quando se sentia triste e angustiado, ele chamava Davi (ainda menino) para tocar a harpa e adorar a Deus com seus louvores. E ele se sentia melhor diante da adoração de Davi. Apesar disso, Saul não se arrependeu de seus pecados, de desobedecer ao Senhor. Consta que Saul passou a invejar Davi, planejando matá-lo. Por duas vezes, o Senhor permitiu a Davi chegar perto de Saul dando a chance de fazer justiça e matá-lo, mas Davi preferiu não o fazer. Em uma delas, Davi conseguiu cortar a orla do manto de Saul e apareceu em seguida diante dele provando que teve oportunidade de vingar-se e não o fez. Nem essa atitude amoleceu o coração de Saul. Em pouco tempo, Saul tornou-se ainda mais confuso, inseguro, perseguindo Davi (que a esta altura era seu genro, casado com sua filha Mical) e continuava a querer matá-lo. Não bastasse isso, Saul matou sacerdotes, consultou uma feiticeira (adulterando em sua fé), e veio a se matar, durante uma invasão inimiga, para que não fosse morto pelos seus adversários. No contexto evangélico, a história de Saul e Davi é uma referência de que a vida em cristo pede obediência a voz de Deus, para o nosso próprio bem.  Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender melhor do que a gordura de carneiros.” (I Samuel 15:22).  

Tendo-se retirado de Saul o Espírito do Senhor, da parte Deste um espírito maligno o atormentava. Seus servos lhe sugeriram que se buscasse um homem que soubesse tocar harpa para que, ao tocá-la, quando o espírito imundo viesse, ele saísse da presença do rei. Então, um dos servos, conhecendo Davi e sabendo que louvava ao Senhor com toda a sua alma, sugeriu que o trouxessem a Saul. Saul não via Davi com bons olhos, pois o ciúme e a inveja tinham se apossado dele. Então, planejou uma nova maneira de matá-lo. Como tinha prometido a mão de sua filha àquele que vencesse o gigante, pediu como dote cem prepúcios dos filisteus; dessa forma, se Davi morresse pelas mãos do inimigo, Saul não seria responsável direto (1 Sm 18: 21). Entretanto, Davi saiu vitorioso e trouxe a Saul duzentos prepúcios dos filisteus, o dobro do que tinha pedido (1 Sm 18: 27). As vitórias de Davi começaram a engrandecê-lo perante o povo e, novamente, houve batalha contra os filisteus. Eles foram derrotados pelo ungido do Senhor mais uma vez e, à noite, quando o espírito maligno se apossou de Saul estando Davi tangendo sua harpa para acalmá-lo, o rei tentou encravá-lo na parede com sua lança. Davi fugiu para sua casa e quando Saul enviou guardas para prendê-lo, já não o encontraram lá porque Mical, segunda filha de Saul e esposa de Davi, o havia ajudado a escapar do pai.

É interessante perceber em relação a Davi e a grandes homens e mulheres de Deus que todos temeram diante dos propósitos ousados do Senhor, mas apesar das suas fraquezas carnais, Ele os fortaleceu e os capacitou para realizar Seus planos eternos. Mesmo como seres humanos frágeis e limitados, eles venceram os obstáculos pela fé, tiveram uma vida normal como todos os seus semelhantes na Terra e foram trabalhados por Deus até o final. Isso nos faz pensar que, realmente, a nossa suficiência vem de Deus, como diz a bíblia (2 Co 3: 5). Nós nada podemos fazer na força da nossa carne nem através da nossa vontade, mas pela unção do Espírito Santo. Quando somos fracos, então é que somos fortes (2 Co 12: 10).

LIDANDO COM SITUAÇÕES DIFÍCEIS

A partir daí, Davi tornou-se um fugitivo. O primeiro lugar onde se refugiou foi com Samuel, na casa dos profetas, na província de Ramá (1 Sm 19: 18- 24; leia principalmente os versículos 23-24). Saul enviou três delegações para poder resgatar Davi das mãos do homem de Deus, mas as três foram tomadas pelo espírito de profecia. Quando ele, em pessoa, também foi até lá, começou a profetizar como os outros.Davi pediu ajuda a Jônatas e, depois, fugiu para Nobe, para o sacerdote Aimeleque. Estava com fome e conseguiu do sacerdote que comesse os pães da proposição que estava no Lugar Santo, onde só os levitas poderiam entrar. Tomou a espada de Golias que estava com Aimeleque e tornou a fugir. Quando Saul soube, matou o sacerdote e seus filhos. O único deles a escapar foi Abiatar, que mais tarde veio a ser sacerdote de Davi (1 Sm 22: 20-23; 2 Sm 8: 17; 2 Sm 20: 25 e 1 Cr 18: 16). Procurando um lugar seguro, longe de Saul, Davi se refugiou na terra dos filisteus, pois sabia que seria o último lugar que Saul iria procurá-lo. Fez-se de louco para que o rei Aquis não o matasse e, expulso dali pelo próprio rei, dirigiu-se para a caverna de Adulão. Ali já havia quatrocentos homens com ele e a sua própria família. Podemos ver que a princípio era uma coleção heterogênea de fugitivos; posteriormente, uma força armada que atacava invasores estrangeiros, protegia as colheitas e rebanhos das comunidades israelitas das fronteiras e que vivia da generosidade das mesmas. O Senhor estava treinando Davi para ser rei, não só capacitando-o na guerra, mas trabalhando interiormente a alma dele. Não ficou muito tempo ali; passou a se refugiar no bosque de Herete, depois em Queila, no deserto de Zife, em Horesa, passando a En-Gedi, depois ao deserto de Parã (ou Maom), até que se refugiou na terra dos filisteus, Gate (aqui já tinha seiscentos homens consigo: 1 Sm 23: 13; 1 Sm 27: 2). En-Gedi (‘en-gedhï, fonte da cabra’) é uma fonte de água fresca a oeste do Mar Morto, na terra de Judá. A fertilidade dessa área, em meio a uma região tão estéril, tornava-a local ideal para os fora-da-lei, para encontrar alimento e como lugar de esconderijo, por isso Davi foi para lá. Este é um resumo da rota de fuga de Davi, que durou anos até Saul morrer e ele poder substituí-lo no trono de Israel. Voltando à atividade que Davi realizava para o seu povo, protegendo-o dos inimigos, houve um episódio relatado em 1 Sm 25: 2-44, quando se deparou com um rico criador de ovelhas, chamado Nabal (louco, desvairado). Este se recusou a reconhecer sua dívida de gratidão para como ungido de Deus. A esposa de Nabal, Abigail, interveio a favor de Davi; o Senhor matou seu louco marido e ela passou a ser mulher de Davi.

Logo após ter deixado Adulão, Davi livrou a Queila, entretanto, seus habitantes o traíram denunciando-o a Saul. Foi quando Davi se mudou para o deserto de Zife. Ali, os zifitas revelaram ao rei seu esconderijo (1 Sm 23: 19-29) e Saul foi ao seu encontro, apenas se livrando, de última hora, quando o rei ficou sabendo de outro ataque dos filisteus, tendo que deixar sua perseguição para depois. Num prazo de alguns anos que se seguiram, Davi poupou por duas vezes a vida de Saul, na primeira, chegando a cortar a beira da túnica do rei (1 Sm 24: 4) e na segunda, removendo a lança e a bilha de água no acampamento daquele (1 Sm 26: 11). Houve um período de tempo entre os dois episódios, nos mostrando diferentes traços na personalidade de Davi. No primeiro, ele foi respeitoso; no segundo, desafiador, pois já estava cansado das perseguições insanas de Saul.

Davi voltou a se refugiar na terra dos filisteus, na corte de Aquis, em Gate. Este o permitiu residir em Ziclague (1 Sm 27: 1-12); mesmo servindo a um filisteu, Davi ainda ajudava os israelitas atacando os que os hostilizavam. Obteve a confiança de Aquis, mas não dos seus comandantes. Quando eles planejaram um grande ataque contra Israel, objetaram quanto à presença de Davi nas suas fileiras, pois temiam que, de última hora, ele se bandeasse para o lado de Saul (1 Sm 29: 1-11). Então, ele retornou a Ziclague, que havia sido pilhada pelos amalequitas. Atacou o inimigo e retomou tudo o que era seu e destruiu os assaltantes. Foi quando teve notícia da morte de Saul e Jônatas pelos filisteus no Monte Gilboa. Por orientação de Deus, voltou a Judá, a Hebrom, e ali sua tribo o ungiu rei sobre Judá, onde reinou por sete anos e meio. Nos dois primeiros anos do seu reinado em Hebrom, houve guerra civil quando Abner, comandante do exército de Saul, ungiu o descendente deste, Isbosete (‘Homem da vergonha’ ou ‘Homem de Baal’; também chamado Esbaal – ‘fogo de Baal’ – ou Isvi – ‘igual’) como rei em Maanaim (2 Sm 2: 8). Joabe, comandante militar de Davi assassinou Abner por ter matado seu irmão Asael em combate. Isbosete morreu nas mãos de dois homens de Israel, que foram executados por Davi. Depois dessa vitória, foi ungido rei sobre as doze tribos em Hebrom. Transferiu sua capital para Jerusalém (Jebus), tomando-a das mãos dos jebuseus. Ali, reinou por trinta e três anos (2 Sm 5: 6-10; 1 Cr 11: 1-9). Deu início a um programa de reconstrução do reino, auxiliado por Hirão, rei de Tiro (2 Sm 5: 10-12). Davi prosseguiu em suas campanhas militares de conquista da terra de Israel e teve vitórias sobre muitos povos (cananeus, moabitas, amonitas, arameus e siros, amalequitas e edomitas) expandindo, assim, o reino. Ele se preocupou também com a restauração da vida religiosa; ordenou que a arca da Aliança fosse trazida da casa de Abinadabe, em Quiriate-Jearim, onde estava há mais ou menos vinte anos, desde os tempos de Samuel (1 Sm 7: 1) para Jerusalém (2 Sm 6: 1-11). Entretanto, procurou trazê-la da maneira errada, sobre um carro de bois e, quando alguém tocou nela tentando impedir que caísse ao chão, o Senhor interveio e matou o homem (Uzá). Davi ficou com medo da ira do Senhor e deixou a arca por três meses na casa de Obede-Edom, o geteu, tornando a buscá-la, trazendo-a para Jerusalém. Desta vez, ele o fez da maneira correta, carregada pelos levitas, e teve sucesso (2 Sm 6: 12-23), mas, ao chegar dançando à sua cidade, Mical o desprezou por achar que sua atitude não era digna de um rei. Davi, por sua vez, a repreendeu e continuou seu plano de governo, pensando na edificação de um templo onde a arca da Aliança pudesse ficar no meio do seu povo. Todavia, Natã, o profeta, lhe disse que isso estaria reservado para o seu filho (2 Sm 7: 1-29). Davi também honrou seu pacto com Jônatas procurando Mefibosete, seu único filho sobrevivente e lhe restaurou as propriedades da família, tratando-o como um dos seus filhos (2 Sm 9: 1-13). Por este tempo, as lutas no reino já tinham diminuído e Davi já não ia à batalha com seu exército. Num desses dias, viu pela janela do seu palácio uma mulher chamada Bate-Seba, esposa de um dos seus fiéis oficiais, Urias, o heteu, e se agradou dela. Trouxe-a para o palácio e teve relações com ela. Como Joabe, seu comandante, estava realizando o cerco sobre Rabá e Urias estava também participando da luta, Davi viu que havia um único meio de ficar com Bate-Seba: colocar Urias na frente de batalha para que fosse morto. Conseguiu seu intento e se casou com Bate-Seba; também foi vitorioso sobre Rabá e seus cidadãos amonitas acabaram sendo sujeitos a trabalhos forçados. Natã, o profeta, repreendeu Davi pelo seu pecado e lhe disse que Deus o perdoava, mas mataria o filho dessa união pecaminosa; além disso, da parte de Deus, lhe foi feita uma profecia que, por causa daquele ato infame, a espada não se apartaria de sua casa (2 Sm 12: 7-12, com enfoque no v.10). Realmente, o filho morreu e o pecado de Davi veio a gerar desordens familiares que se estenderam às futuras gerações: Amnon, seu filho, cometeu pecado de incesto com Tamar, sua meia-irmã, também filha de Davi; e o outro filho, Absalão, para compensar o primeiro crime, cometeu mais um que foi matar Amnom. Depois disso, fugiu e não pôde comparecer à presença de Davi por muito tempo, até que foi readmitido na corte. Entretanto, a semente da revolta e da rebeldia existia no seu coração e se rebelou contra o próprio pai para tirar dele o reino. Com a revolta de Absalão, Davi fugiu; Joabe matou Absalão e o reino foi restituído a Davi. Nesse processo todo, Aitofel, um dos conselheiros de confiança do rei se voltou para Absalão, mas ciente da sua traição, cometeu suicídio. Outro conselheiro, Husai, permaneceu fiel a Davi. Mais uma conseqüência daquele pecado foi a disputa entre Adonias e Salomão pelo trono. Com a maldição se estendendo por várias gerações, a casa de Judá foi quase exterminada no reinado de Atalia, sendo preservado um único neto dela: Joás. Depois de pouco tempo da revolta de Absalão, o rei teve que abafar outra revolta no reino, dessa vez por parte de Seba, benjamita, mas que foi decapitado por alguns dos seus próprios seguidores (2 Sm 20: 1-26).

Um dos últimos atos no reinado de Davi foi o levantamento do censo por ele decretado para saber sobre sua força militar. Ficou sabendo que tinha com ele oitocentos mil homens no seu exército, mas o Senhor não se agradou dessa atitude e lhe apresentou três alternativas como punição: três anos de fome, três meses de derrota pelos seus inimigos ou três dias de peste na terra; Davi se entregou à escolha de Deus (1 Cr 21: 11-13). A peste foi enviada por três dias sobre o povo e Davi, se arrependendo, pediu perdão ao Senhor e levantou um altar na eira de Araúna (Ornã), no mesmo lugar onde Abraão tinha oferecido Isaque em sacrifício (Moriá). Ali, mais tarde, foi construído o templo por Salomão (2 Cr 3: 1), que foi o primeiro filho de Bate-Seba, depois que o “filho do pecado” morreu e Davi a consolou. No final de seus dias, estando já velho, teve que se envolver na luta entre Salomão e Adonias pela sucessão do trono. Isso ainda era o legado do derramamento de sangue dentro do próprio seio da família predito por Natã. Davi morreu e Salomão reinou em seu lugar. Adonias, seu outro filho, foi morto no início do reinado de Salomão por Benaia, chefe da guarda pessoal de Davi.

"Saul foi a escola de Davi (...) Saul foi a fôrma que forjou Davi, para que Davi não se tornasse um novo Saul. Até as pessoas difíceis que Deus coloca no nosso caminho, até as aparentes derrotas que a gente sofre, servem para o nosso aperfeiçoamento, se estamos na presença de Deus" - Pra. Helena Tannure

LIÇÕES QUE APRENDEMOS COM DAVI

1) Obedecer é melhor que sacrificar (1 Sm 15: 22-23): foi o que Samuel disse a Saul quando pecou contra as ordens do Senhor. Deus não se agrada de desobediência, nem de idolatria, nem de religiosidade, nem de teimosia. Saul cometeu os quatro erros e foi desqualificado por Ele. A única coisa que Deus pede de nós, ainda hoje, é a rendição à Sua vontade e o amor a Ele.

2) O homem vê o exterior, o Senhor, porém, o coração (1 Sm 16: 7): em hebraico, a palavra coração, neste texto, significa: coragem; isso quer dizer que o homem vê as coisas externas, as aparências, mas Deus vê o interior do homem, não só os seus sonhos, intenções e desejos, como também sua coragem de lutar pelas Suas coisas e pelos Seus projetos. Davi tinha o coração limpo e transparente; além disso, tinha coragem para lutar por aquilo que acreditava e Deus o honrou. Ele quer ver algo em nosso coração que O agrade, não as máscaras, mas a essência do nosso ser.

3) Vencer os gigantes da alma na força de Deus: Davi foi contra Golias na força de Deus, na sua fé Nele, não na força humana, tanto é que recusou a armadura de Saul; era pesada demais para ele. Podemos escrever esse pensamento em outras palavras: braço da carne x braço de Deus, guerrear na carne x guerrear no espírito, violência do inimigo x sabedoria de Deus. Golias era a expressão da força bruta, da força carnal que leva em conta seus próprios dotes, se necessário, usando até da violência. Davi usava a força espiritual, a força de Deus, o poder da Sua palavra lhe garantindo a vitória, pois ele não conhecia o Senhor “da boca pra fora”, de maneira religiosa como os outros; ele O conhecia de maneira mais profunda, tinha intimidade com Ele; tinha-O conhecido nas madrugadas no deserto da Judéia onde apascentava as ovelhas de seu pai, onde no silêncio da noite e olhando a amplitude do céu, podia ouvir Sua voz e sentir Seu coração. Davi tinha experimentado a força do Senhor quando lutava com ursos e leões para defender suas ovelhas. Deus o protegia e o inspirava. Hoje, nós podemos ter ainda muito mais do que ele tinha, pois temos o Espírito Santo conosco todos os dias nos ensinando a lutar contra os nossos inimigos invisíveis e nos livrando, através da Sua sabedoria, dos nossos inimigos físicos. Hoje, temos conosco as armas da cruz.

4) Louvor, arma poderosa contra o adversário: quando Davi tocava sua harpa o espírito maligno se retirava de Saul, pois seu louvor trazia o poder de Deus. Ainda hoje, podemos experimentar grandes vitórias no louvor; quando entoamos de coração nosso cântico ao Senhor, Ele luta as nossas batalhas e vence o inimigo por nós.

5) Amizade entre Davi e Jônatas: essa amizade expressa o amor incondicional que gera um compromisso duradouro. Em relação a Jônatas, sua lealdade à verdade e à amizade, assim como seu caráter pacificador (mesmo o colocando em uma escolha difícil, pois teve que optar entre Davi e o pai), fizeram com que Davi ocupasse o trono, como era da vontade de Deus. Davi, por sua vez, se beneficiou da amizade com Jônatas e honrou essa amizade até o fim, levando a sério sua promessa de proteger e poupar toda a casa de Saul. Por amor a Jônatas, Davi restituiu a Mefibosete, filho daquele, suas propriedades e o tratou como um filho. Também usou de misericórdia para Isbosete, filho de Saul, que Abner tinha colocado como rei sobre Israel, e não pretendia matá-lo para ficar com o trono, mas colocou tudo nas mãos do Senhor. Quando Isbosete foi morto, Davi executou seus assassinos, pois não se agradara de sua morte, como não tinha se agradado das mortes de Saul e Jônatas, mesmo sabendo serem seus competidores ao trono. Saul tinha feito tudo errado em relação a ele, mas Davi o pranteou quando ele morreu. 

6) Romper com a religiosidade para comer o melhor de Deus: quando estava fugindo de Saul, Davi quebrou as regras religiosas ao entrar na casa do sacerdote Aimeleque e comer os pães da proposição (ou pães da presença) que estavam reservados apenas para os sacerdotes. Pão fala de comunhão, de intimidade com o Senhor, de revelação, do corpo de Cristo, portanto, se quisermos comer do melhor de Deus e termos intimidade com Ele, temos, muitas vezes, que romper com a religiosidade, com as regras, para entrarmos livremente em Sua presença e Lhe pedirmos o que necessitamos. Trata-se de uma busca pessoal, ouvindo a voz do Espírito Santo em nosso coração e seguindo Suas orientações, mesmo que possam parecer diferentes para todas as outras pessoas.

7) O exemplo do líder muda a vida e a conduta dos seus liderados: podemos ver isso quando Davi estava em Adulão (1 Sm 22: 2), onde tinha consigo quatrocentos homens difíceis de lidar (a bíblia fala que se juntaram a ele os que estavam em aperto, os endividados e os amargurados de espírito) e, não se importando com isso, se tornou exemplo para eles, inclusive aumentando o seu número para seiscentos homens (1 Sm 27: 2). Em 2 Sm 8: 15-18 e 1 Cr 11: 10-47, a bíblia fala dos oficiais de Davi e depois dos seus valentes. Isso quer dizer que o exemplo de Davi transformou homens comuns em guerreiros experimentados, pessoas emocionalmente instáveis e desequilibradas em soldados com domínio próprio. Saul perseguiu Davi por vários anos. Durante toda essa caminhada, Deus trabalhou com Davi fortalecendo sua autoconfiança, capacidade de liderança, autoridade, submissão a Ele, autocontrole, sabedoria, prudência, destreza na batalha, estratégias militares e todos os outros traços de caráter com o objetivo de transformá-lo em líder de um povo. Ele não se importou com a quantidade de trabalho que tinha pela frente nem com a aparente falta de caráter dos que estavam ao seu lado. Ele influenciou, mas não foi influenciado por ninguém nas suas decisões. Dispôs-se a ser trabalhado pelo Senhor e ser um canal de transformação e cura na vida dos que estavam com ele. Não se importou com os comentários nem com as sugestões afoitas e carnais dos seus liderados (1 Sm 24: 4)

8) Mesmo o pecado perdoado tem suas consequências: podemos ver isso no caso de Urias, onde Deus perdoou o pecado de Davi, mas as conseqüências perduraram por gerações, chegando até a descendência de Salomão, em Roboão, quando o reino de Israel foi novamente dividido, ficando apenas duas tribos, Judá e Benjamim, com a casa de Davi, por ordem divina. As demais tribos constituíram o reino do norte e tiveram um rei para si. A espada não se afastou da casa de Davi: rivalidade entre Absalão e Amnom, a morte de Absalão após tentar tirar o trono do pai (Davi), Adonias e Salomão competindo pelo trono, Roboão (neto de Davi que não soube governar com misericórdia e sabedoria) etc. Outra conseqüência de pecado de Davi foi a peste decorrente do censo que mandou realizar sem a aprovação de Deus. O povo pagou pelo seu erro, até que o rei se arrependeu e pediu perdão ao Senhor; o Anjo do Senhor colocou a espada na bainha, mas a peste tinha destruído muitos israelitas. Devemos pensar nisso. Sempre que cometemos um pecado, Deus nos perdoa, porém, as conseqüências dele podem perdurar até serem quebradas verdadeiramente.

9) Manter a inocência e a espontaneidade diante de Deus: Davi, mais uma vez, quebrou a religiosidade e manifestou sua liberdade para expressar o louvor a Deus quando trouxe a arca para Jerusalém por meio dos levitas. Leia 2 Sm 6: 14-16 e 20-23: “Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor; e estava cingido duma estola sacerdotal de linho. Assim Davi, como todo o Israel, fez subir a arca do Senhor, com júbilo, e ao som de trombetas. Ao entrar a arca do Senhor na cidade de Davi, Mical, filha de Saul, estava olhando pela janela, e, vendo ao rei Davi, que ia saltando e dançando diante do Senhor, o desprezou no seu coração...Como consequência, Mical, filha de Saul, não teve filhos, até o dia da sua morte. 

10) Semear para a descendência: “Eis que, com penoso trabalho, preparei para a casa do Senhor cem mil talentos de ouro e um milhão de talentos de prata, e bronze e ferro em tal abundância, que nem foram pesados; também madeira e pedras preparei, cuja quantidade podes aumentar. Além disso, tens contigo trabalhadores em grande número, e canteiros, e pedreiros, e carpinteiros, e peritos em toda sorte de obra, de ouro, e de prata, e também de bronze, e de ferro, que não se pode contar. Dispõe-te, pois, e faze a obra, e o Senhor seja contigo!... Disponde, pois, agora o vosso coração e a vossa alma para buscardes ao Senhor, vosso Deus; disponde-vos e edificai o santuário do Senhor Deus, para que a arca da Aliança do Senhor e os utensílios sagrados de Deus sejam trazidos a esta casa, que se há de edificar ao nome do Senhor” (1 Cr 22: 14-16 e 19). “Quando os teus dias se cumprirem e descansares com teus pais, então farei levantar depois de ti o teu descendente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa em meu nome, e eu estabelecerei para sempre o trono do seu reino” (2 Sm 7: 12-13). Davi sabia que não construiria o templo, mas ajuntou tudo o que era necessário para ele, guardando para que seu filho construísse o melhor para Deus. Assim devem ser nossas ações; da mesma forma que o pecado pode gerar conseqüências sérias para nossos filhos, os bons atos também geram bênção para a descendência.

11) Ser servo: uma das características que sempre se manteve intacta no coração de Davi foi o desejo de servir, ou seja, sua disposição ao serviço a Deus e aos outros. Ele não só se colocou como servo de Saul, como súdito que era (“... Teu servo apascentava as ovelhas de seu pai...”), como também um servo do povo de Deus; ele se incomodou com as afrontas de Golias ao exército de Israel e se dispôs a lutar por ele. Também servia suas próprias ovelhas, defendendo-as dos ataques dos animais. No Antigo Testamento, a palavra pastor era usada para indicar um cargo de liderança, como o rei. Em Zc 11: 8, a bíblia fala sobre a ira de Deus contra os três pastores, se referindo ao rei, ao profeta e ao sacerdote. Servir tem a ver conosco, o homem e a mulher segundo o coração de Deus, com o amor incondicional que devemos exercitar diariamente com aqueles que o Senhor coloca em nosso caminho. Devemos ter em nosso coração a mesma disposição de servir que tinha no coração de Davi.

12) O perdão está presente na vida do cristão: Davi experimentou o perdão de Deus por várias vezes e liberou o perdão na sua vida para muitas pessoas, várias vezes também, por isso Deus se manteve fiel a ele e cumpriu todas as Suas promessas, inclusive libertando-o de todos os seus inimigos. O perdão precisa fazer parte da nossa vida, mesmo que nos custe, pois assim o Senhor garante Sua mão de proteção, poder, bênção e livramento sobre nós. O ódio gera laços, o perdão os desata.

13) Não se acomodar: Davi, mesmo proclamado rei, não se acomodou, mas expandiu o reino. Continuou a pelejar as batalhas do Senhor, para que o reino se tornasse unido. Em 2 Sm 6: 1-4, a bíblia fala das diversas vitórias de Davi. No capítulo 10, fala da vitória contra os amonitas e os siros. No capítulo 12, fala da conquista de Rabá; nos capítulos seguintes Davi luta para manter unido o reino na revolta de Absalão e no capítulo 22, mais quatro gigantes são mortos pelos valentes de Davi. Finalmente, no livro de 1 Reis Davi não descansa até passar seu reino a Salomão. O importante no homem e na mulher que são segundo o coração de Deus é que não se acomodam com os louros das vitórias passadas, mas aceitam desafios maiores para que o reino de Deus seja implantado. Os “Davis” têm dentro de si o desejo de melhorar e aperfeiçoar cada dia mais seu trabalho para agradar ao Senhor. Não desanimam nem buscam desculpas para seus fracassos, porém, realizam seu trabalho reconhecendo seu próprio limite e confiando no poder ilimitado de Deus. Buscam novos incentivos e aceitam os desafios para seu crescimento. Outra característica importante para os “Davis” que querem continuar trabalhando na obra é querer sempre mais de Deus. Não há nada que Deus não possa nos dar. Ele é dono de tudo e qualquer sonho é possível para Ele, portanto, podemos Lhe pedir o que quisermos sabendo, entretanto, que a bênção que estamos pedindo será também para abençoar outros filhos Seus. Aqui entra uma coisa importante que é pedirmos a Deus que tire de nós o medo de sermos grandes. Muitos de nós pedimos coisas a Ele, mas o nosso interior ainda está acostumado com o pequeno, por isso a bênção demora a chegar às nossas mãos. E Deus, como Pai consciente, vigilante e amoroso que é, não nos dará algo que poderemos perder depois. Primeiro, Ele nos prepara para o grande. Davi, quando foi ungido por Samuel, ainda era inexperiente, não tinha a mentalidade de um rei. O Senhor o forjou dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano, até ele estar pronto para reinar e não mais perder o trono. Para Davi foi uma grande responsabilidade, pois da sua descendência nasceria o Messias, mesmo que isso estivesse oculto a ele. Ele se entregou nas mãos de Deus e se deixou ser conduzido. Entregou-se, foi conduzido e venceu.

FONTES DE PESQUISA

http://www.infoescola.com/biblia/saul-e-davi/
http://www.searaagape.com.br/personagensbiblicos_sauledavi.html

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