Lição 03 - Uma Família Como a Sua, Um Deus Como Nenhum Outro



"Na verdade o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia" - Gênesis 28.16b
Texto Bíblico Básico: Gênesis 28.10-15, 20-22
A HISTÓRIA DE JACÓ
Leandro, nosso leitor, sua esposa Daniela e seus filhos Guilherme e Gustavo

Jacó sempre foi aproveitador. Até mesmo do trabalho de parto de seu irmão se aproveitou, pois nasceu “segurando o calcanhar”. A sequência de sua vida não foi diferente disso, pois aproveitou do cansaço e esgotamento de seu irmão Esaú que retornava de uma caçada, para persuadi-lo a vender seus direitos de herança por um simples prato de lentilhas. Nem mesmo a velhice de seu pai o intimidou; Jacó aproveitou que os olhos do velho Isaque já não eram bons e se passou por seu irmão gêmeo para receber a bênção que cabia a este.  Os resultados na vida de Jacó não podiam ser piores: teve de fugir da ira de seu irmão; perdeu contato com os pais; precisou abandonar a estabilidade da casa paterna para se aventurar em terras estranhas e perigosas; perdeu toda a herança pela qual havia se esforçado em enganar. Deus tinha uma promessa na vida de Jacó. Ele não precisava fazer artimanhas para ser abençoado pelo pai. Porém, Jacó considerou o tempo um inimigo; esperar pela bênção de Deus parecia muito difícil. Na sociedade atual, nosso meio de vida corrido, as facilidades da era tecnológica, esperar é algo inaceitável. Investimentos de longo prazo são evitados e tudo tem que acontecer da forma mais rápida o possível.

DEUS E O TEMPO
Com Deus não é assim. Ele é o dono do tempo e está além das eras. Deus sabe o momento certo para tudo e nós, como seus filhos, precisamos aprender a esperar o tempo dele em nossas vidas. Esse tempo pode ser para ganharmos experiências, para crescermos, para maturarmos, enfim. Deus sabe o ponto certo de cada um de nós. Assim, sejamos tardios para a ira, para falar, para tomar decisões; Salomão, em sua sabedoria, disse que a palavra dita na hora certa é como maçãs de ouro em salvas de prata Pv 25.11.  Não sejamos precipitados; aprendamos a esperar no Senhor.

O ENCONTRO ENTRE JACÓ E DEUS
Sozinho e com um pedaço de madeira em sua mão, Jacó seguiu errante para Padã-Arã, terra de seus ancestrais. No caminho, deitou-se para dormir e, colocando a cabeça sobre uma pedra, teve uma visão de Deus. Nesta, o Senhor renova para Jacó as promessas feitas a Abrão, seu avô e a Isaque, seu Pai. Promessas de uma vida próspera e abençoada, além de ser um marco para toda a humanidade, pois hoje sabemos que, de sua descendência nasceu o salvador. Ao acordar, Jacó faz um voto com Deus pedindo proteção e mantimento para o caminho. Mal sabia que deus tinha muito mais do que isso. Mas antes, Jacó precisava deixar de ser quem era. Deus tem um chamado em nossas vidas; se estamos em sua casa, é porque ele nos escolheu e vocacionou para isto. Esta verdade é muito reconfortante, pois se dependesse de nós, seria uma vocação instável e oscilante; mas, oriunda de Deus, nossa vocação é perfeita e eterna.

A MATURAÇÃO DE JACÓ
Depois de conhecer sua esposa – ou, como costume da época, suas esposas – Jacó passou por um processo de transformação de seu caráter. Durante 20 anos, foi enganado por seu sogro Labão, desde a cerimônia de seu casamento até os detalhes de sua remuneração. Porém, o caráter de Jacó mudou, assim como suas posses. Ao passo que era enganado, o homem enriquecia. Tudo no que tocava prosperava. Além disso, suas provas trouxeram mudança ao seu caráter, e Jacó se tornou um homem de Deus. Todo cristão precisa de um período para maturação. Quando chamados, somos limitados, pecadores e, na verdade, sempre o seremos; porém, o mesmo Deus que nos chama nos capacita e nos molda. Segundo Paulo, fomos chamados para sermos parecidos com Cristo e isso não acontece da noite para o dia, mas é necessário um processo de maturação. Tornamos-nos parecidos com Cristo através da Palavra de Deus, da comunhão com seu Espírito, da ajuda da igreja e seus ministérios, mas acima de tudo, nos tornamos a imagem de Cristo através das provações. Cada lágrima, cada dor, cada luta é uma forma de Deus nos moldar à sua eterna e soberana vontade.

A NOVA VIDA DE JACÓ
Vinte anos depois, Jacó retorna pelo mesmo caminho. Não mais com uma vara e uma pedra, mas tão próspero que pôde oferecer metade de sua riqueza ao seu irmão, sem comprometer esta riqueza.  No vau do Jaboque, Jacó tem um encontro decisivo com Deus e, com a mudança de seu nome, veio a confirmação de sua nova vida.

JACÓ E SUA FAMÍLIA
Uma vez convertido e transformado, todas as provas e perseguições acabem, correto? Errado. Jacó cometeu erros tristes em sua vida. Não dedicou educação cristã para os seus e sua família entrou em decadência. Sua mulher cometeu idolatria e furto. Sua filha Diná foi vítima de um estupro, aliciada por um homem chamado Siquém. Seus filhos mais velhos, Rúben e Simeão, em prol de vingarem o estupro da irmã, mataram a fio de espada todos os homens da família de Siquém e Levi, seu terceiro filho, teve uma relação incestuosa com a própria madrasta. Este foi o preço que Jacó pagou por não educar sua família em Cristo. Esposa ladra e idólatra, filha estuprada, dois filhos assassinos e um filho incestuoso. O que mais estava por vir?  Devemos dedicar tempo à nossa casa. É evidente que precisamos trabalhar para dar uma vida melhor aos nossos. Precisamos estudar, precisamos cultuar, precisamos nos divertir.  Mas, antes de tudo, precisamos dedicar tempo às nossas famílias. De todos os bens que podemos dar aos nossos filhos, talvez o tempo seja o mais importante. Esta é a razão pela qual muitos servos de Deus perdem seus filhos para o mundo, maculam seu casamento e entram em decadência familiar: educação cristã e tempo para os seus.  
Nas Escrituras podemos ver a família de Jacó como uma família ameaçada.    
(a) Uma família ameaçada pela poligamia. A família de Jacó começou com um engano. Diante do amor que ele sentia por Raquel, Jacó propõe ao sogro sete anos de trabalho pela mão de sua filha. O acordo foi feito, mas não foi cumprido. Na noite de núpcias foi dado a Jacó, sem que ele percebesse, Lia a filha mais velha. O enganador foi enganado. *Jacó casa-se também com sua amada Raquel, por mais sete anos de trabalho. Além das duas irmãs, vieram também Zilpa, serva de Lia e Bila, serva de Raquel. Estas duas, mais tarde, desempenharam na vida de Jacó o papel de esposas. A poligamia fora efetivada. Embora o projeto divino para a família, desde o início, seja a monogamia (uma só mulher), a poligamia sempre foi prática comum nas sociedades mais antigas. Passou a ser prática comum também entre o povo de Israel, chegando a ser regulamentada (Dt 21. 15-17  O fato é que aquela situação começou a ameaçar a família de Jacó. Surgiu uma competição e ciúmes entre as duas esposas, levando-as a oferecer suas criadas como esposas a Jacó (Gn 30. 1-13). O nome dos filhos que foram nascendo refletem os sentimentos e esperanças na ocasião do nascimento. É possível também perceber o ambiente de competição que ameaçava a família de Jacó.  
(b) Uma família ameaçada pelo ciúme. O ciúme sempre rondou a família de Jacó. Existia ciúme entre Lia e Raquel (Gn 30.1). Existia ciume também no relacionamento entre os filhos (Gn 37. 1-4,11).   O dicionário define ciúme como “um sentimento doloroso que as exigências de um amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a incerteza de sua infidelidade, fazem nascer em alguém”. Define, ainda, como “emulação, competição, rivalidade, despeito invejoso, inveja”. Tudo isto estava presente na família de Jacó. Este “sentimento doloroso” pode transformar-se rapidamente em ódio. Foi o ciúme que levou os irmãos de José a vendê-lo como escravo (Gn 37. 1-36). O favoritismo (indevido) que Jacó nutria por José fez brotar o ciúme e a inveja nos demais filhos. Já não havia paz entre os irmãos (Gn 37.4).  Inúmeras famílias hoje estão vivendo sob o domínio do ciúme e da inveja. Infelizmente, o ciúme, e por consequência o ódio, têm desestabilizado o relacionamento de muitas famílias. As palavras do profeta Miqueias são muito atuais: “Guarda a porta de tua boca àquela que reclina sobre o teu peito. Porque o filho despreza o pai, a filha se levanta contra a mãe, a nora contra a sogra; os inimigos do homem são os da sua própria casa” (Mq 7. 5,6)  É preciso lembrar que o ciúme é obra da carne (Gl 5.20), e todas as obras da carne atuam contra a estabilidade da família. A família cristã precisa estar sempre alerta, não permitindo a ação devastadora do ciúme no ambiente familiar. Como afirma Paulo, “O amor não arde em ciúmes” (1 Co 13.4). 
(c) Uma família ameaçada pode ser abençoada. Apesar da competição oriunda da poligamia...apesar do ciúme e da inveja atuarem contra a família de Jacó...apesar de um ambiente conturbado envolvendo estupro e assassinato (Gn 34.25-31)... apesar de tudo isto, a família de Jacó desfrutou das bênçãos de Deus. Do mesmo modo, as famílias cristãs de hoje, tão ameaçadas, podem ser ricamente abençoadas por Deus. Esta bênção, em meio ao aparente caos da família de Jacó, foi assegurada por algumas razões. A primeira, é que, mesmo em ambiente poligâmico, existia amor na família de Jacó. Uma família sem o alicerce do amor não se sustenta. O amor é capaz de suportar as piores adversidades (1 Co 13.1-7). A segunda razão, é que Jacó nunca abandou seu compromisso com o Senhor (Gn 28.20-22; 32.22-32; Hb 11.21). A terceira razão, tem a ver com a visão clara que Jacó tinha da bênção de Deus. Ele tratou de compartilhar a bênção com toda a sua família. No final da vida, depois que as tempestades passaram, ele fez questão de abençoar nominalmente, a cada um de seus filhos (Gn 48.11-22; 49. 1-33). É preciso resgatar o antigo costume de os pais abençoarem seus filhos. É bom, é salutar e bíblico. Jacó não desprezou esse momento importante na vida de sua família.
 Agora, Deus chama Jacó para tomar uma atitude e mudar sua realidade: Gênesis 35.1-7
Neste trecho, encontraremos Jacó sendo convidado por Deus para uma atitude que poderia mudar o que ele estava vivendo. Vamos analisar os conselhos que Deus dá e as atitudes de Jacó que poderiam mudar seu quadro de decadência familiar:

Deus manda Jacó para subir a Betel
Uma razoável distância havia entre os arredores do monte Hermon e Betel e, com tantos filhos, seria uma viagem penosa. Ainda assim, Deus convida Jacó a abandonar seu status quo, sua zona de conforto e tomar uma atitude. Às vezes, estamos esperando que alguma coisa mude em nossas vidas, mas não estamos dispostos a abrir mão de nada, a mudar nada. Se quisermos colher algum fruto diferente, precisamos plantar sementes diferentes também. Betel significa “casa de Deus”. O convite de Deus não apenas para sair correndo e ganhar o mundo, como nos livros de autoajuda e sugestão psicológica. Deus tem um ponto de encontro com Jacó. Se ele quer mudar sua realidade, precisa ir até a casa de Deus.  Para reconstruir as estruturas de nossos lares, precisamos estar na igreja, o lugar que Deus escolheu para cuidar e aperfeiçoar o seu povo até que cristo volte para buscar os salvos.

Deus manda Jacó habitar em Betel
Jacó não deveria apenas visitar a casa de Deus, mas fazer ali a sua morada, estabelecer-se. A igreja de Cristo não tem lugar para plateia, para auditório. Todos os crentes são parte integrante do culto e devem estabelecer um compromisso com a comunidade da qual fazem parte.
Deus manda Jacó construir um altar
O altar era usado para oferecer os sacrifícios a Deus; o lugar onde o homem entregava-se a Deus e este o recebia; o altar era um lugar de encontro com Deus. Quando deus manda Jacó construir um altar é o mesmo que dizer “reconstrua sua devoção a mim” “reconstrua seu coração para entregá-lo a mim”, ”reconstrua seu relacionamento comigo”. Para que nossa família seja reconstruída, precisamos de um relacionamento vertical, íntimo, particular com Deus, pois como disse Jesus: “sem mim, nada podereis fazer”.
Jacó aceita a palavra de Deus
Jacó não coloca uma única objeção à palavra que ouviu. Reconhece seu estado decadente e sua dependência de Deus. Nos dias atuais, somos acostumados a questionar. Questionamos os professores na escola, o patrão na empresa, o educador da escola Bíblica, o pastor. Mas para que vivamos as promessas do Senhor, sua palavra absoluta deve ser recebida com prontidão para cumpri-la (1Ts 2.13).
Jacó conversa com a família
A comunicação é fundamental em qualquer grupo social e, na família, ainda mais. Jacó não tomou decisões precipitadas nem foi negligente com o que é correto, mas comunicou à sua família imediatamente: purifiquem-se e mudem de roupas. A santificação é uma meta que não alcançaremos plenamente nesta vida, mas que devemos buscar todos os dias. Deus não espera que sejamos perfeitos, mas que lutemos por uma vida digna de nossa vocação (Ef 4.1)
A mudança de roupas tinha um sentido ritual nos tempo veterotestamentários, que tipifica a mudança de atitude. Precisamos mudar nossa atitude perante deus se quisermos colher suas promessas e ter nossas casas abençoadas em sua presença.
A família apoia Jacó
Nenhum pai ou mão pode fazer isso sozinho. A família precisa estar unidade nos propósitos espirituais,

RESULTADO
Antes mesmo que Jacó chegasse a Betel, o terror divino se apoderou daqueles que tencionavam algum mal contra Jacó e sua casa, de modo que Deus trouxe paz a uma casa que vivia em guerra, tristeza e decadência.
* A foto que ilustra o post dessa semana é do meu primo Leandro e sua família. Há um tempo atrás, ele estava com a sua esposa grávida do caçula na garupa de sua moto quando os dois foram atingidos por um motorista bêbado. Ficaram bastante feridos e pelo estado que sua moto ficou é difícil acreditar que se salvaram. Foi uma prova muito dura que tiveram que enfrentar. Clamamos, oramos e Deus deu a vitória! Gustavo nasceu perfeito e esbajando saúde. Leandro logo após entregou sua vida a Jesus, nasceu de novo e hoje serve ao Senhor com toda a sua família! 
FONTES DE PESQUISA
http://pensandonafamilia.blogspot.com.br/2013/10/a-familia-de-jaco.html
http://pastormax.no.comunidades.net/a-crise-na-famiilia-de-jaco

Comentários

  1. Que bênção amo ver seus posts. Que Deus abençoe sua família e de seu primo. A paz

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