Galera de Cristo 06 - Felizes os que têm Fome e sede de Justiça

"Bem Aventurados os que tem fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos." 
Mateus 5.6

PAPO SÉRIO

PADRÃO ÉTICO DO REINO DOS CÉUS

Todos os dias tomamos diversas decisões em nossas vidas. Toda decisão por uma determinada opção em detrimento de outra acontece com base em nosso conjunto de crenças e valores do que pensamos ser certo, ou errado. A isso chamamos de ética. A palavra “ética” vem do grego ethos que significa modo de ser, caráter, comportamento e inclui hábitos, costumes e práticas. A ética não nos faz entrar no reino de Deus, mas o reino apresenta uma ética própria e bem definida. Dentre muitos padrões éticos exigidos na Bíblia, Jesus apresenta um resumo que nos ajuda a entender os fundamentos da ética do reino de Deus: “Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma, com toda a mente e com todas as forças. Ame os outros como você ama a você mesmo” (Marcos 12.30-31 – NTLH). Vamos entender três pilares da ética do reino:

A ética para com Deus. Aqui está o comportamento mais importante apresentado por Jesus recitando o Pentateuco (Deuteronômio 6.5). O comportamento citado é de amarmos o Senhor com tudo o que temos e somos em primeiro lugar. De fato, o temor ao Senhor é o princípio de toda a sabedoria para se viver (Jó 28.28; Salmo 111.10; Salmo 112.1; Provérbios 1.7; 9.10; Eclesiastes 12.13). Sem o comportamento correto diante de Deus jamais teremos o comportamento correto perante o outro e em relação a nós mesmos. A ética para com Deus nos faz agir com ética para com tudo o que ele criou, quer sejam pessoas ou toda a natureza.

A ética para comigo mesmo. De um lado, vemos muitas pessoas que não se amam, não se cuidam, agridem-se a si mesmas com palavras ou fisicamente. Em extremos, recusam cuidarem de si mesmas até nos aspectos mais elementares de higiene e aparência. Por outro lado, vemos muitas pessoas que se cuidam com tanta intensidade como se fossem os únicos seres humanos sobre a face da terra. Vão ao extremo da vaidade e da busca insaciável da estética e do bem-estar. Mas, amor próprio, segundo a ética do reino, deve ser equilibrado. O primeiro fundamento para o equilíbrio do amor próprio está na compreensão e aceitação do grande amor que o Pai Celestial tem por mim (João 15.16; 1 João 4.10 e 19). Quando entendemos a profundidade do amor do Senhor por nós somos libertos de todo desamor próprio. O outro fundamento é que devo amar a mim mesmo na mesma intensidade que amo ao próximo. Quando compreendemos que a ética do reino inclui o outro no mesmo nível que o amor próprio, somos libertos de uma vida egoísta, hedonista e utilitária em relação aos outros. Jesus teve uma profunda ética para consigo mesmo, pois amou o mundo ao ponto de entregar-se, mas o fez por pura obediência e confiança no grande amor do Pai (Mateus 3.17; Lucas 22.42;  Hebreus  5.7-8).

A ética para com o outro. As relações sociais são muito desafiadoras para o comportamento ético. Olhando do ponto de vista da atitude passiva, implica em não fazer ao outro o que não gostaríamos que o outro fizesse conosco. Sob o prisma da atitude pró-ativa, significa fazer ao outro o que queremos que o outro faça a nós (Mateus 7.12). Alguns verbos são tão poderosos quanto desafiadores: perdoar, ouvir, tolerar, apreciar, suportar, abençoar, respeitar, submeter-se, compartilhar, dentre muitos outros. Na verdade, inúmeros são os textos bíblicos que trazem o padrão ético do reino de Deus para nosso comportamento em relação às outras pessoas (Atos 4.32; Romanos 15.1; 1 Coríntios 13.7; Gálatas 6.2; Efésios 4.2,3; 5.1-2; Filipenses 2.3; 1 Tessalonicenses 5.14; 2 Timóteo 2.24-26; Tito 3.2). Tudo isso e muito mais foi vivido por Cristo. A maior revelação do padrão ético do reino de Deus pode ser vista e estudada na vida de Jesus. Uma pergunta muito simples que poderia nos ajudar a encontrar o comportamento ideal em cada circunstância, segundo a ética do reino de Deus, seria: em meu lugar que faria Jesus?

A JUSTIÇA

Não podemos falar de justiça, baseados nesse texto, sem antes tratarmos dos termos que estão diretamente ligados a ela, mas que a antecedem: Bem aventurados: esse termo é muito citado, porém, não totalmente conhecido e vivido por muitos filhos de Deus. Significa basicamente ser feliz, mas como a própria felicidade tem sido banalizada, mal entendida e confundida com ter as coisas, a infelicidade tem dominado a vida de muitos. Ser feliz no conceito de Jesus é algo bem mais profundo e tem haver com o interior do ser humano. Para o Mestre a plenitude da felicidade é independente de ter ou não qualquer “coisa”, mas ser alguma coisa ou alguém, ou mesmo ter em si valores que realmente tem valor, até mesmo pelo fato de Jesus fazer essa ligação direta entre justiça e felicidade. Alguém que nunca apareceu nos relatos bíblicos sorrindo, mas sempre revelou plenitude de paz e alegria, pois viveu para promover a justiça de Deus na Terra. Entendemos que a infelicidade de muitos pode estar conectada com a falta de fome e sede de justiça e não com a falta de sorrisos ou bens materiais.
Fome e sede: essas são necessidades básicas para sobrevivência de qualquer ser vivo. Sem a ingestão de líquidos ou alimentos é impossível que se conserve a vida biológica, mas tão prejudicial quanto ausência de alimento ou liquido é a contaminação daquilo que se ingere. Às vezes, o desespero da fome e da sede pode levar pessoas a comerem lixo, por isso é que não basta ter fome e sede, mas é necessário ter fome e sede dos alimentos que trarão vida e não morte. Ter fome e sede de justiça e não de injustiça, ou de violência ou vingança pessoal, mas fome de Deus e da sua justiça.
Justiça: agora podemos falar mais claramente do termo e tema mais desafiador do texto que é justiça. Justiça significa dar a cada um o que lhe é de direito. A Bíblia nos ensina que Deus é Justo Juiz, portanto dará a cada um segundo suas obras. O texto nos desafia a ter sede dessa justiça ou desse juízo divino. Ter sede de Justiça é ter desespero pela presença e pela manifestação da justiça de Deus para que cada um tenha seus direitos respeitados. A fome e sede de justiça deve nos conduzir a duas atitudes ou nos levar a responder diante da realidade e dos desafios de duas formas:
Primeiro não sendo indiferente diante das injustiças, pois se tem algo difícil de não demonstrar ou de esconder é quando estamos com fome ou com sede. Então não deveríamos ser indiferentes quando assistimos qualquer tipo de injustiça. Fome e sede que gera essa revolta santa nos profetas que preferem perder a cabeça, como João Batista, a ficarem calados e serem coniventes com qualquer tipo de erro, pecado ou injustiça de qualquer tipo.
Em segundo lugar a fome e a sede de justiça devem nos conduzir a alguma atitude que possamos de alguma forma, promover qualquer tipo de mudança para revelar que a vontade do Deus justo está se manifestando. Seja através da oração de um coração desesperado, de uma palavra profética de confronto, de um voto consciente ou ainda de qualquer resposta prática que contribua para manifestação dessa Justiça de Deus.
Concluímos, portanto que a plenitude da felicidade ou que os verdadeiramente bem aventurados são aqueles que pelo desespero de vêem a justiça de Deus se manifestando se posicionam com todas as suas forças para promovê-la.
Um cristão autêntico só é de fato feliz, farto, pleno e preenchido de bênçãos quando ele promove a vontade e a justiça de Deus onde ele está plantado. E só será plenamente farto se antes for plenamente faminto e sedento por justiça.

A JUSTIÇA NAS RELAÇÕES HUMANAS

Para Jesus, os “realizados com a vida”, por terem fome e sede de justiça, buscam em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça. A justiça de Deus é bem maior que o conceito de justiça do ser humano. É baseada em valores como mansidão, sensibilidade, misericórdia e amor. Mas isso não quer dizer que a justiça de Deus é menor do que o mínimo exigido pela justiça humana, como o direito à habitação, alimentação, saúde, educação, lazer, liberdade de exercer a vocação humana. Alguns desses direitos são condições de vida comuns aos animais, como habitação e alimentação, por exemplo.

A fome de justiça do discípulo traduz-se na busca e na manifestação da justiça entre as pessoas. Refiro-me ao princípio bíblico de se requerer mais de quem tem mais, de esperar maior responsabilidade de quem mais recebeu ou conquistou.
Falamos primeiramente sobre a justiça* na relação do ser humano com Deus. Nesse sentido, não temos nada a reivindicar. Deus nos acolhe e justifica pela sua infinita graça. Mas há uma outra dimensão da justiça – a que se expressa nas relações humanas.
O exemplo dos profetas
No Sermão do Monte, quando Jesus encerra o conjunto das bem-aventuranças, faz a seguinte advertência aos discípulos: “Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguiram, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.” (Mt 5.11, 12.) Os discípulos de Jesus são os irmãos históricos dos profetas. Entender o ministério e a mensagem dos profetas para, a partir daí, elucidar a missão dos discípulos, estava implícito nas palavras de Jesus. Na mensagem dos profetas, não há como fugir da natureza ética da justiça.

Elias e Eliseu confrontaram abertamente monarcas injustos e seus exércitos opressores. Isaías, enquanto anunciava sua esperança escatológica, denunciava as distorções e o cinismo dos religiosos (Is 1.11-17), a incoerência dos políticos (Is 10.1, 2), a acumulação de bens e as desigualdades sociais (Is 5.8), e repudiava a depravação moral e as ambigüidades éticas (Is 5.18-23). O mesmo aconteceu com Jeremias, Amós e muitos outros. Todos foram perseguidos e maltratados. Alguns perderam a vida.
Assim como os profetas responderam de maneira ética às demandas dos seus dias, o discípulo contemporâneo tem a mesma responsabilidade. Infelizes os sem apetite de justiça, os acomodados, os indiferentes ao clamor do pobre e oprimido. Felizes os que têm apetite, os insaciáveis, os que nunca se fartam de nutrir-se da justiça divina.
* A justiça de Deus é entendida dentro do conceito de redenção e salvação, e não apenas de punição e condenação. Este conceito é visto tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.
FONTES DE PESQUISA
https://estudos.gospelmais.com.br/fome-e-sede-de-justica.html
http://renas.org.br/2006/03/01/bem-aventurados-os-que-tem-fome-e-sede-de-justica-porque-serao-fartos-mt-5-6-continuacao/

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