Lição 04 - A Singularidade das Escrituras (Sola Scriptura)

"Examinai as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam" - João 5.39
II Timóteo 3.14-17; Romanos 15.1-4
SOLA SCRIPTURA
Os reformadores foram unânimes na apresentação do fundamento sobre o qual sua teologia seria elaborada: Sola Scriptura (Somente a Escritura).
Imagem relacionadaO brado da Reforma Protestante ecoou de dentro da Escritura. A Reforma não foi a abertura de um novo caminho religioso, mas uma volta às antigas veredas. Não foi uma nova forma de ver a revelação divina, mas uma volta às Escrituras do Antigo e do Novo Testamento. Não foi a adoção de novas doutrinas, mas uma volta à doutrina dos apóstolos. O resgate da autoridade e da centralidade das Escrituras foi o pilar principal da Reforma. Destacaremos aqui quatro pontos importantes:
Em primeiro lugar, a Escritura é a única fonte que nos mostra o que devemos crer. A Bíblia é a nossa única regra de fé. A tradição não está em pé de igualdade com a Bíblia. Os dogmas e decisões dos concílios eclesiásticos precisam estar debaixo da autoridade da Bíblia. A igreja está sob a autoridade da Bíblia. Nenhum igreja ou concílio pode determinar o que devemos crer. O conteúdo de nossa fé vem da Palavra de Deus e dela somente. Nossa base doutrinária procede não da interpretação pessoal deste ou daquele teólogo, mas da Escritura. A Bíblia e só ela é a palavra de Deus infalível, inerrante e suficiente. Não aceitamos nenhuma revelação forânea às Escrituras. Não temos novas revelações. Mesmo que um anjo descesse do céu, para pregar outro evangelho, deveria ser rejeitado como anátema. A palavra de Deus jamais caduca nem fica obsoleta.
Em segundo lugar, a Escritura é a única autoridade que nos ensina o que devemos fazer. A Bíblia é a nossa única regra de prática. Nossa fé determina nossas ações. O que cremos pavimenta o caminho do que fazemos. A teologia é mãe da ética. O credo desemboca na conduta. Assim como um homem crê, assim ele é. Nossas experiências não suplantam a verdade revelada. A Bíblia regula e julga nossas experiências em vez de nossas experiências relativizarem a Bíblia. Não é o que eu sinto que é a norma do meu viver, mas o que Deus diz em sua palavra. Não é que a igreja diz em suas encíclicas ou dogmas que constitui o fundamento de nossas ações, mas o que está registrado na palavra de Deus. A verdade de Deus não é apenas um preceito a ser crido, mas também e, sobretudo, uma norma a ser praticada.
Em terceiro lugar, a Escritura é a única revelação divina que nos aponta para Jesus, o nosso Salvador. Tanto o Antigo como o Novo Testamento enfatizam a pessoa e a obra de Jesus Cristo. O Antigo Testamento mostra Deus separando um povo para si e por meio dele, preparando o mundo para a chegada do Messias. O Novo Testamento mostra como esse Messias veio e o que ele fez para salvar o seu povo. O Antigo Testamento mostra o Cristo da profecia; o Novo Testamento revela o Cristo da história. Patriarcas, profetas, reis e sacerdotes foram um tipo de Cristo. O tabernáculo, o templo, os rituais e as festas judaicas apontavam para Jesus. Tudo era sombra da realidade que se cumpriu em Jesus. Ele é o eixo das Escrituras, o centro da história, o Salvador do mundo. As Escrituras testificam de Jesus e apontam-no como o único nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos.
Em quarto lugar, a Escritura é o único conteúdo da pregação da igreja. Não pregamos ao mundo palavras de homens, mas a palavra de Deus. Ela é inspirada, viva, eficaz e penetrante. Ela é inerrante em seu conteúdo, infalível em seu propósito e suficiente em sua mensagem. Não podemos tirar nada dela nem a ela acrescentar coisa alguma. Precisamos pregar toda a Bíblia e só a Bíblia. Não criamos a mensagem, apenas a transmitimos. A palavra é o conteúdo da nossa pregação. Ela é o trigo nutritivo da verdade. Ela é mais preciosa do que o ouro e mais doce do que o mel. É remédio para o enfermo, alimento para o faminto, água para o sedento e luz para o errante. Ela é a espada de dois gumes. Por ela avançamos contra as forças do mal e por ela nos defendemos dos ataques do inimigo. Sua mensagem é penetrante e sempre oportuna. A Escritura não pode falhar. Os céus bem como a terra passarão, mas a palavra de Deus jamais vai passar. Ela é eterna. Ela nos basta. Permanece o lema da Reforma: Sola Scriptura!
ADVERTÊNCIA À IGREJA REFORMADA: QUEM TEM A RESPOSTA DEFINITIVA?

O Papa não tem a palavra final

De acordo com a teologia católica ortodoxa, o papa é o grande líder da igreja e atua como vigário (isto é, substituto) de Cristo na terra. Para atuar como substituto de Cristo, o líder máximo da igreja precisa possuir infalibilidade, pois se Cristo não erra, seu substituto também não pode errar. A teologia romana definiu essa infalibilidade do papa, em linhas gerais, afirmando que, quando o papa fala ex cathedra, isto é, quando trata de assuntos doutrinários, em virtude do auxílio que recebe de Deus, é infalível.
Essa declaração, porém, não é suficiente para esclarecer a natureza e o caráter dessa infalibilidade. Os escritores bíblicos foram preservados do erro na composição de seus escritos porque foram inspirados pelo Espírito Santo. A infalibilidade papal não é assim. De acordo com a teologia católica, o papa é infalível não por inspiração, isto é, não pela mesma obra do Espírito, por meio da qual os escritores bíblicos foram preservados do erro. Sua infalibilidade não consiste no recebimento de novas revelações da parte de Deus e na elaboração do ensino divino, mas apenas no fato de que ele pode explicar fielmente a tradição da igreja e a doutrina dos apóstolos. Ainda de acordo com a teologia católica ortodoxa, a infalibilidade do papa também não significa que as palavras ditas pelo papa em assuntos religiosos sejam a Palavra de Deus, significa apenas que elas são infalíveis, isto é, isentas de erro.
O Concílio Vaticano I diz que o papa é infalível quando fala ex cathedra. Isso, na prática, é inútil como padrão, pois, pela própria natureza da questão, só quem pode dizer se o papa falou ex cathedra é o próprio papa. Assim, um papa é sempre livre para rejeitar seus próprios pronunciamentos ou os pronunciamentos de outros papas, dizendo que não foram feitos ex cathedra, ou declará-los válidos, dizendo que foram. Depois, ele pode até mesmo dizer que ele mesmo, ou um de seus predecessores, pensando que falava ex cathedra, realmente não falou.
Na Dogmática Reformada, o teólogo reformado Herman Bavinck afirma:
“Os teólogos católicos romanos se encarregaram de desenvolver em detalhes as áreas cobertas por essa infalibilidade. Segundo eles, o papa é infalível quando trata das verdades da revelação na Escritura, das verdades das instituições divinas, dos sacramentos, da igreja, de sua organização e governo e das verdades da revelação natural. No entanto, até mesmo com isso estamos longe de esgotar o alcance da infalibilidade papal. Para que o papa seja infalível em todas essas áreas, dizem os teólogos, ele também tem de ser infalível na avaliação das fontes das verdades da fé e na interpretação delas. Isso significa dizer que ele é infalível no estabelecimento da autoridade da Escritura, da tradição, dos concílios, dos papas, dos pais, dos teólogos; no uso e na aplicação de verdades naturais, imagens, conceitos e expressões; na avaliação e rejeição de erros e heresias, até mesmo no estabelecimento de fatos dogmáticos; na proibição de livros, em questões de disciplina, no endosso de ordens, na canonização de santos e assim por diante. Fé e moral abrangem quase tudo, e tudo o que o papa diz sobre isso seria, então, infalível. O termo ex cathedra, de fato, não traça nenhum limite em nenhum lugar”.
Mas afinal, se o verdadeiro fundamento inabalável da fé cristã não é o papa, qual é esse fundamento? Os reformadores foram unânimes em repudiar completamente essa doutrina por não encontrarem, na Escritura, nem uma só palavra que a sustente. Em oposição a ela, afirmaram vigorosamente: Sola Scriptura.

A tradição não tem a palavra final

Outra fonte de autoridade espiritual muito forte na teologia católica medieval (e ainda hoje) é a tradição. Deve ser dito que a tradição nunca foi rejeitada pelo simples fato de ser tradição. Na própria Escritura encontramos ênfase e crítica à tradição (Mt 15.2,3,6; Mc 7.3,5,8,9,13 2Ts 2.15). A questão básica é: a que tradição estamos nos referindo? A tradição é rejeitada todas as vezes que entra em choque com a Palavra de Deus. A Reforma revoltou-se quanto à suposta autoridade da tradição independente da Escritura e pretensamente nivelada com ela. Os reformadores sustentavam que a Escritura é a única autoridade infalível dentro da igreja. Deste modo, a autoridade dos Credos (Apostólico, Nicéia, Calcedônia) era indiscutivelmente considerada pelos reformadores, contudo, somente as Escrituras são incondicionalmente autoritativas.

 A igreja não tem a palavra final

Outra expressão moderna desse ensino católico medieval é a crença de que a denominação religiosa a que pertencemos está sempre certa. Isso é um erro. Nenhuma denominação religiosa está isenta de erros neste mundo. Os concílios são compostos por pessoas e, por melhores que sejam as intenções dessas pessoas e por mais sólido que seja seu conhecimento teológico, elas continuam sendo sujeitas ao erro. Nossos concílios e denominações são falíveis.
É claro que quanto maior for o apego dos nossos líderes às doutrinas cristãs, quanto maior for o vigor de sua piedade cristã e quanto maior for sua capacidade de aplicar o ensinamento bíblico às circunstâncias da vida, mais nítida é a possibilidade de que tomem decisões sábias e governem bem a igreja de Cristo. Mas é importante termos sempre em mente que não há denominações cristãs perfeitas.
Isso é necessário não apenas para exercitar nossa humildade e despertar o interesse pelo estudo rigoroso da Escritura, mas também para nos permitir uma comunhão cristã mais saudável com nossos irmãos de outras denominações cristãs. Embora existam muitas denominações, a igreja de Cristo é composta por todos aqueles que professam sua fé em Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador pessoal.

A Escritura como única regra de fé e conduta

Mas afinal, se o papa não tem a palavra final, a tradição não tem a palavra final e a denominação cristã a que pertencemos não tem a palavra final, qual é a autoridade normativa segundo a qual a igreja deve moldar sua fé?
Os reformadores e seus herdeiros teológicos deram resposta a essa pergunta. O Catecismo Maior de Westminster afirma, na resposta à pergunta 3: “As Escrituras Sagradas – O Antigo e o Novo Testamentos – são a Palavra de Deus, a única regra de fé e obediência.”
Confissão de Fé de Westminster, por sua vez, afirma: “O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas têm de ser determinadas, e por quem serão examinados todos os decretos de concílios, todas as opiniões dos antigos escritores, todas as doutrinas de homens e opiniões particulares, o Juiz Supremo, em cuja sentença nos devemos firmar, não pode ser outro senão o Espírito Santo falando na Escritura” (I. 10).
Para os reformados, a autoridade fundamental segundo a qual a igreja deve moldar sua fé não é a opinião de pessoas, por mais ilustres que sejam, nem a história de instituições religiosas, por mais respeitáveis que sejam, nem as preferências dos cristãos, por mais adequadas que possam parecer, mas o “Espírito Santo, falando na Escritura”. “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva” (Is 8.20).
De acordo com a teologia reformada, nenhuma voz, na igreja de Cristo, pode se elevar acima da Escritura Sagrada, inspirada pelo Espírito Santo para conduzi-la a toda verdade. Cristo é o cabeça da igreja, e ele a governa segundo os preceitos estabelecidos na Escritura. Nenhum líder, nenhuma denominação cristã, nenhum concílio, nenhum costume, nenhuma tradição tem valor normativo para a igreja cristã. Só a Escritura.
FONTES DE PESQUISA
http://ultimato.com.br/sites/estudos-biblicos/assunto/vida-crista/sola-scriptura/
http://hernandesdiaslopes.com.br/portal/sola-scriptura-2/

Comentários

  1. Glória a Deus, Glória a Deus, glorificado seja o nosso Senhor Jesus Cristo! benção pura!

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